<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116</id><updated>2012-01-26T22:04:56.950-02:00</updated><title type='text'>Luneta</title><subtitle type='html'>Comentários e indicações de leitura sobre política, economia e outros assuntos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>144</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7289414371881528103</id><published>2008-08-08T17:49:00.002-03:00</published><updated>2008-08-08T18:53:01.403-03:00</updated><title type='text'>De vírgulas e hífens</title><content type='html'>Faz alguns anos, donos de jornais e revistas mandaram embora os revisores, para economizar. Hoje, os poucos revisores que ainda resistem na profissão encontram trabalho na área apenas como freelancers, cuidando sozinhos da edição inteira de uma revista ou realizando tarefas pontuais em jornais. Os patrões podem ganhar dinheiro com essa economia porca, mas os leitores perdem qualidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se erros ortográficos são evitados com o uso de dicionários eletrônicos, os de gramática e pontuação escapam. Um revisor atento poderia, por exemplo, livrar a coluna de hoje do escritor Ignácio de Loyola Brandão, no jornal O Estado de S. Paulo, da vírgula indevida neste trecho: “Um estudante que veio me entrevistar, perguntava e olhava para as estantes”. Para estar correta, ela precisaria da companhia de outra vírgula depois da palavra ‘estudante’. Isolada, separou o sujeito da oração do verbo. A oração também poderia não ter vírgula nenhuma, embora assim talvez se ressentisse da falta de pausa, necessária à clareza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cometido ou não apenas por descuido do autor da coluna, um erro de pontuação sempre incomoda. E dizer que vírgula é mais uma questão de respiração não passa de disparate.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Muitas vezes, um erro de pontuação pode alterar o sentido de uma frase. Nunca me esqueci da lição recebida de uma professora de latim, no ginásio. Quando se preparava para sua grande campanha, na qual conquistou a maior parte do mundo que se conhecia na época, contou ela, Alexandre Magno enviou seus generais aos oráculos, porque queria saber se teria êxito. Os oráculos transmitiram aos generais quatro palavras isoladas: ‘irás’, ‘voltarás’, ‘não’ e ‘morrerás’. Solertes, os generais levaram a Alexandre a mensagem como a entenderam: “irás, voltarás, não morrerás”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Confiante, Alexandre partiu, com o vigor dos 20 anos recém-completados. Derrotou o poderoso exército persa de Dario, além de outros inimigos, e anexou ao pequenino reinado da Macedônia, de onde partira, todos os territórios ao norte, nordeste e leste, até os limites da atual China. Mas morreu pouco antes de completar 33 anos, depois de mais de 12 em campanha ininterrupta, no ano 323 AC - não em batalha e sim com sinais de envenenamento, ao que se diz por obra da mulher, Roxana, inconformada por Alexandre querer deixá-la por uma princesa oriental, filha de Dario.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à Macedônia, os generais foram cobrar os oráculos. Como puderam eles passar uma mensagem tão errada, de que Alexandre não morreria, se tinham ouvido os deuses? Então, os oráculos lhes responderam: “Não, vocês é que se enganaram. Vocês leram a mensagem assim: irás, voltarás, não morrerás. Mas na verdade ela dizia: Irás. Voltarás? Não. Morrerás”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, faltou um revisor para ajudar os generais. Se houvesse uma vírgula depois da negativa, provavelmente teriam interpretado a mensagem de outro modo, como queriam os oráculos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como escritor, e dos bons, Brandão sabe usar vírgulas, sobretudo em lugar de pontos finais. Observe-se sua precisão nestes trechos da crônica de hoje: “Outro queria saber se eu tinha livros de matemática, de geometria, respondi que não”, “O homem veio para uma série de reparos e, como era final de tarde, apanhou a mulher no trabalho e trouxe-a, daqui de casa iriam embora” e “Ela é uma dona de casa comum, o marido diz que muito diligente”. A concisão mostrada nessas construções Brandão talvez a tenha trazido dos tempos de repórter de jornal, nos anos 60. Se há um mérito maior no texto dito jornalístico, ele é o da economia de palavras, que pode ser encontrada, no exemplo mais evidente, nos contos e romances de Ernest Hemingway, também um dublê de jornalista e escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro trecho citado, ocorre outra dúvida. Por que Brandão não escreveu ‘dona de casa’ com hífens, como mandam os dicionários? Teria sido outro descuido ou foi proposital? De fato, não faz o menor sentido tentar diferenciar a mulher que trabalha no lar da mulher que tem a posse de uma casa. O contexto em que se emprega a expressão já a explicaria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Há inúmeras regras inúteis como essa na língua portuguesa. Alguém conseguiria explicar por que se deve usar boa-fé e má-fé, substantivados, com hífen, quando na forma de um adjetivo e de um substantivo juntos os termos expressam o mesmo significado? Infelizmente, nem a reforma ortográfica em via de adoção resolverá o problema, porque ela se limita a suprimir o sinal nas palavras compostas em que o primeiro elemento termine com uma vogal diferente da que inicia o segundo, ou em que o segundo elemento comece com ‘r’ ou ‘s’, quando então a palavra se tornará uma só, dobrando-se as consoantes. Exemplos: infra-estrutura passa para infraestrutura, mini-salão para minissalão, contra-regra para contrarregra, e assim por diante. A nova regra não se aplicará quando o segundo elemento começar com ‘r’ e o primeiro terminar com a mesma consoante. Assim, hiper-requintado, hiper-realismo e outras palavras compostas seguirão separadas por hífen. E também dona-de-casa, boa-fé, má-fé. Bem fazem os povos que usam o inglês, pois juntam tudo que podem para facilitar as coisas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, mesmo por lá, os revisores têm sua importância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7289414371881528103?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7289414371881528103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7289414371881528103' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7289414371881528103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7289414371881528103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/08/de-vrgulas-e-hfens.html' title='De vírgulas e hífens'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-6730376498138552694</id><published>2008-08-07T09:30:00.003-03:00</published><updated>2008-08-08T18:50:49.910-03:00</updated><title type='text'>Futebol covarde</title><content type='html'>Se o time do Dunga só joga isso que mostrou hoje, o Brasil já pode dar adeus à sonhada medalha de ouro do futebol nas Olimpíadas. É inacreditável que para enfrentar esses belgas pernas-de-pau o técnico brasileiro tenha escalado três volantes, dos quais dois, Hernanes e Lucas, claramente instruídos a não passar do meio de campo. Na única vez em que desobedeceu à ordem e foi à frente, Hernanes fez o gol da magérrima vitória. Convenhamos, 1 a 0, diante de uma Bélgica jogando com nove, é demais. Ou melhor, de menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Alexandre Pato, tadinho, ficou o primeiro tempo todo jogando só, porque o Ronaldinho Gaúcho se acomodou no lado esquerdo do campo e nada fez além de esticar umas bolas para dentro da área. Correção: bateu bem uma falta, porque disso é capaz, mas não deu nenhum pique ao seu antigo estilo, nem foi brigar na zona do agrião (saudades do João Saldanha) para ajudar o Pato.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No segundo tempo, o zagueirão Company, braços de boxeador, foi expulso. E o que fez o Dunga? Ao invés de botar dois atacantes para martelar a defesa adversária, tirou Pato e colocou Jô. Trocou, como se diz, seis por meia dúzia. Pior: não abriu mão de continuar com três volantes, trocando Anderson por Ramires. Depois, o volante-gigante (no tamanho, não na bola) dos belgas, Fellaini, também seria expulso, mas o time brasileiro continuou tocando pra lá e pra cá, num esquema de jogo covarde e medíocre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Copa do Mundo de 1990, o técnico Sebastião Lazaroni decretou a ‘era Dunga’ no esquema de jogo da seleção principal. Deu no que deu: Maradona entortou Dunga e passou a bola para Caniggia, que fez 1 a 0 para a Argentina e desclassificou o Brasil. A atual seleção olímpica lembra bem a principal daquela Copa. Sua proposta, tornada evidente hoje, é não correr riscos e, se der, ganhar por 1 a 0. O problema é que com tal filosofia o caldo quase sempre entorna, fazendo o time perder por 1 a 0.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais de hoje noticiam que a seleção principal do Brasil foi rebaixada para um vexatório sexto lugar no ranking mundial, a pior colocação desde 1993. Também pudera: dos seis jogos já disputados nas Eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2010, só ganhou dois. É a era Dunga de novo, agora no comando da seleção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-6730376498138552694?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/6730376498138552694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=6730376498138552694' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/6730376498138552694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/6730376498138552694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/08/futebol-covarde.html' title='Futebol covarde'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-1031539692249359595</id><published>2008-07-29T11:31:00.002-03:00</published><updated>2008-07-29T20:32:13.213-03:00</updated><title type='text'>Mulheres-bombas</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;A primeira imagem que surge, quando se pensa no papel da mulher na história da humanidade, é a da loba que segundo a lenda amamentou e acabou de criar os irmãos Rômulo e Remo, fundadores de Roma no ano 753 AC. Os gêmeos, concebidos pela vestal Réia Sílvia, depois de seduzida pelo deus romano da guerra, Marte, também chamado de Ares, foram abandonados numa cesta no rio Tibre, tal como acontecera séculos antes com o menino Moisés no rio Nilo, no Egito, de acordo com o Antigo Testamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Tanto no caso de Moisés quanto no dos gêmeos, suas mães agiram como protetoras dos filhos ao implorar por suas vidas, conseguindo dos tios usurpadores de trono – na história de Roma foi Amúlio, que depôs e aprisionou seu irmão Numitor, pai de Réia Sílvia e legítimo rei – que eles fossem colocados num cesto de vime correnteza abaixo, em lugar de ser mortos pela espada. O mesmo instinto protetor teve a loba que recolheu os meninos do rio e os amamentou, não se importando em dividir o alimento de seus filhotes. E assim tem sido sempre, as mulheres defendendo a vida, em nome da preservação da espécie, os homens a atacando, em nome de glórias militares, riqueza ou poder. Mesmo Rômulo, repetindo Caim, matou o irmão Remo porque este queria fundar a nova cidade em local diferente – o monte Aventino – do escolhido por ele, o monte Palatino. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;O homem que não pensa duas vezes antes de destruir é o mesmo que construiu a moderna civilização, mas nisso ele teve a ajuda decisiva da mulher. Mais do que limitar-se a cuidar da prole enquanto o marido estava nas guerras, e entre uma e outra campanha gerar e carregar no ventre um novo filho, a mulher sempre foi o elemento fundamental a impulsionar o homem na tarefa não só da reconstrução, mas da busca de um mundo melhor para todos pelo invento e pelo trabalho. Teria sido impossível para ele conquistar seus objetivos, seja em tempos de guerra, seja na paz, se não contasse com o apoio e a solidariedade da mulher que, ainda por cima, resolvia os problemas domésticos para ele poder se ocupar apenas de seus afazares. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Algumas fizeram até mais do que isso, como Madame Curie. Ao casar-se com um dos dois irmãos Curie, famosos físicos franceses, Pierre, a polonesa Marya Salomee Skodowska quis ser chamada assim, Madame Curie, pelo resto da vida. Com Pierre, trabalhando num modesto laboratório com chão de barro, ela descobriu o elemento químico do rádio. Duas vezes premiada com o Nobel, uma em 1903 em física, e outra em 1911 em química, quando a França entrou na Primeira Guerra, contra a Alemanha, ofereceu essas medalhas, e mais a que Pierre também ganhara em 1903, para serem refundidas e usadas como ouro para o custeio das despesas do país. O marido, antes de morrer atropelado por um coche, em 1906, chegou a recusar a Legião de Honra da França. “Não tenho absolutamente necessidade de ser condecorado, e sim de dispor de um laboratório”, respondeu Pierre à indicação para a honraria, a mais alta daquele país. Madame Curie foi uma companheira à altura. O raio-X, descoberto por eles, já estava sendo empregado no tratamento dos soldados feridos, com o equipamento montado em camionetes Renault. E, quando faltava motorista, lá ia Madame Curie para a frente de batalha, dirigindo uma dessas viaturas. Grande mulher, dedicada de corpo e alma às causas do país que adotara. Mesmo assim, quando anos depois da morte de Pierre ela se envolveu com o físico e matemático Paul Langevin, discípulo de seu ex-marido e homem casado, o populacho se reuniu na frente de seu modesto laboratório para chamá-la de adúltera e estrangeira. Que culpa poderia ter Madame Curie por agir como uma simples mulher, dotada de sentimentos além do cérebro privilegiado? Das duas filhas que teve com Pierre, Irène seguiu seus passos e foi também uma luminar da física, junto com o marido, Jean Frédéric Joliot, com quem descobriu os princípios da radioatividade artificial, base para o posterior desenvolvimento da fissão nuclear. E Eve se tornou sua biógrafa amorosa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Perdoem-me os leitores do blog pela erudição de almanaque, mas é que não resisti a contar tais histórias depois de ler, no Estadão de hoje, que 70 pessoas morreram e 300 ficaram feridas pela ação suicida de três mulheres, que se infiltraram entre a multidão de peregrinos xiitas, em Bagdá e Kirkuk, no Iraque, para explodir as bombas amarradas ao corpo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Como puderam, representantes do gênero que mais importou para a humanidade deixar as cavernas, trocar a vida pela morte? Seria uma demonstração de que no mundo de hoje nem conceitos arraigados em milênios resistem às pressões contrárias, nascidas ora do afrouxamento dos costumes, ora da manifestação ensandecida do ódio represado por facções religiosas ou políticas? Ou seriam, tão-somente, mulheres agindo para agradar a seus homens, ajudando-os na cama, na mesa, na casa e no trabalho, como sempre fizeram?&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Difícil escolher uma resposta. Mas se é a última a verdadeira, então joguemos as maiores pedras nos homens que têm a covardia de mandar mulheres em seu lugar para fazer o serviço sujo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-1031539692249359595?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/1031539692249359595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=1031539692249359595' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1031539692249359595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1031539692249359595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/07/mulheres-bombas.html' title='Mulheres-bombas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7329343511425052373</id><published>2008-07-26T11:35:00.004-03:00</published><updated>2008-07-30T14:00:58.661-03:00</updated><title type='text'>Homenagem a Jo Stafford</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Existe uma categoria especial de jornalistas que se especializaram em &lt;i&gt;memorabilia&lt;/i&gt;, termo latino que significa, literalmente, ‘coisas que valem ser lembradas’. Desse escasso e ilustre grupo, constituído por jornalistas-autores como Ruy Castro e Aluízio Falcão, que escrevem principalmente em veículos da imprensa, e Fernando Morais, que se dedica a resgatar fatos e personagens da história recente do Brasil em seus livros, venho acompanhando com especial interesse há vários anos, mais por afinidade pessoal com os assuntos abordados, os textos de Sérgio Augusto (não confundir com o homônimo mais jovem, também muito bom). &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;O carioca Sérgio Augusto, nascido em 1942, começou sua carreira aos 18 anos na Tribuna da Imprensa, como crítico de cinema. Trabalhou também no extinto Correio da Manhã e no Jornal do Brasil, nas revistas O Cruzeiro, Fatos &amp;amp; Fatos e Veja, entre outras, fez parte da equipe que fundou o tablóide O Pasquim, passou pela Folha de S. Paulo e hoje escreve no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo. O mínimo que se pode dizer dele é que se trata de alguém dotado não só de um saber enciclopédico em matéria de cinema, música e literatura, principalmente, como também da capacidade de cativar os leitores com seus escritos, ao mesmo tempo primorosos e amigáveis. Não sei se exagero, mas essa é uma qualidade que me parece estar mais concentrada na imprensa carioca, talvez pela tradição de investir em grandes cronistas, de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade a Carlinhos de Oliveira, passando por Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. Foi lá, também, que Armando Nogueira enobreceu como ninguém a crônica esportiva do país, na coluna &lt;i&gt;Na Grande Área&lt;/i&gt;, mantida por mais de uma década no Jornal do Brasil. Não se pode esquecer ainda que também foi lá que nosso maior escritor, Machado de Assis, publicou suas crônicas, em fins do século 19.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Bem, tudo isso vem a propósito da homenagem que Sérgio Augusto faz hoje, no Caderno 2 do Estadão, à cantora americana Jo Stafford, falecida na semana passada, aos 90 anos. Um jornalista menos preparado se limitaria a um necrológio com algumas frases entre aspas a respeito da cantora. Das mãos de Augusto, ao contrário, surge todo um painel de época, misturado a considerações que ele faz sobre a grande música americana da primeira metade do século passado até o início dos anos 60, que foi o período no qual Jo Stafford reinou, sobretudo durante a guerra, como uma cantora que personificava as garotas que os pracinhas deixaram na terra. Por sinal, embora Augusto não faça menção, nas fotos que ilustram o texto há um outro ícone da época, a atriz Betty Grable com suas pernas sensuais e o traseiro fornido que os soldados guardavam na porta do armário, nos alojamentos, além dos atores James Stewart e Clark Gable em uniformes militares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Um detalhe que não me passou em branco, no texto, é que Jo Stafford e seu então marido, o maestro e arranjador Paul Weston, criaram uma gravadora própria, chamada Corinthian Records. Augusto não esclarece o motivo da escolha do nome, mas é possível que ele tenha sintetizado para Jo e Weston os objetivos de expansão da gravadora ao referir-se à cidade de Corinto, da Grécia Antiga. Corinto rivalizou com Atenas e Esparta em poderio econômico, assim como no domínio das artes e dos esportes, tendo servido de sede para os Jogos Ístmicos, promovidos à mesma época do surgimento das atuais Olimpíadas, na cidade de Olimpo, por volta de 2 500 AC. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Como sabem os corintianos, e também os despeitados palmeirenses e sãopaulinos, sem a mesma carga de história e tradição no nome, o Corinthian (sem o ‘s’ final) inglês – que fazia a mesma homenagem aos gregos de Corinto e, ao que consta, sobrevive até hoje, numa divisão inferior do futebol do Reino Unido – andou por aqui, no início do século passado, aplicando uma surra em times paulistas e inspirando a criação do homônimo e glorioso alvinegro do Parque São Jorge, em 1910. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Outro detalhe que me chamou a atenção no texto de Augusto é o entusiasmo com que ele se refere às facilidades oferecidas pelo site YouTube. Como já disse o escritor Ignácio de Loyola Brandão, que na década de 60 trabalhou no jornal Última Hora e na histórica revista Realidade, da Editora Abril, ao lado de Roberto Freire, Sérgio de Souza e Paulo Patarra, "a tecnologia não dá o talento, mas ajuda a quem o tem". De fato, deve ser uma delícia para Augusto poder dividir o prazer de ouvir e ver Jo Stafford com os leitores, bastando indicar, para tanto, uma visita ao YouTube. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Aceitei o convite. E selecionei para o blog esta preciosidade de vídeo (clique &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QvYIiFcPfv4"&gt;&lt;b&gt;aqui&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;), na qual a afinadíssima Jo divide o canto com outra lenda da canção americana, Ella Fitzgerald, acompanhada por um conjunto liderado por dois dos maiores nomes da era das big bands, Harry James, com seu trompete, e Benny Goodman, com sua clarineta. O vídeo é longo, mas vale vê-lo até o final apoteótico, com Jo e Ella cantando juntas. Uma observação final, vê-se logo que de um leigo no assunto: como podia Ella não perder o tom quando James soprava o trompete tão perto de sua orelha?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7329343511425052373?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7329343511425052373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7329343511425052373' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7329343511425052373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7329343511425052373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/07/homenagem-jo-stafford.html' title='Homenagem a Jo Stafford'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-477835674177647474</id><published>2008-07-10T09:50:00.000-03:00</published><updated>2008-07-10T09:51:40.271-03:00</updated><title type='text'>O Raul</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Circula entre funcionários da Esso um e-mail com cópia de texto de Max Gehringer, conhecido escritor de livros sobre gestão empresarial e carreiras que hoje mantém uma coluna nas revistas Época e Época Negócios, da Editora Globo, e aparece no programa Fantástico, da TV Globo, além de ter sido executivo destacado de grandes empresas como Pepsi, Elma Chips e Pullman. Intitulado &lt;i&gt;Todos os chefes deveriam ser o ‘Raul’&lt;/i&gt;, o texto é exemplar como mensagem dirigida não apenas a chefias intermediárias, mas também ao comando de corporações do mundo dos negócios. Se todas as empresas usassem como paradigma a ser seguido o comportamento do Raul descrito no texto, certamente obteriam um salto de produtividade, além de tornar mais felizes os funcionários.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;O Samuel Butler a que se refere o texto talvez seja um de dois homônimos, ambos ingleses e mortos, coincidentemente, num mesmo dia 18 de junho. O primeiro, e mais provável, é o poeta (8/2/1612~18/6/1680), que escreveu um poema satírico sobre o puritanismo, &lt;i&gt;Hudibras&lt;/i&gt;, e o segundo, o escritor e filósofo Samuel Butler (4/12/1835~18/6/1902). &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Abaixo, a íntegra do texto de Max Gehringer, ligeiramente editado por este blog:&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;oooooooooooooooooooooooooooooo&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;“Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio. Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Deu no que deu. O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'. E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava. Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta. E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para serem feitas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável: ele entendia de gente. Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados, para fazer com que eles se sentissem melhor e fossem mais produtivos. E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: “Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes.”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-477835674177647474?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/477835674177647474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=477835674177647474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/477835674177647474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/477835674177647474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/07/o-raul_10.html' title='O Raul'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5237643746801638466</id><published>2008-07-07T02:28:00.000-03:00</published><updated>2008-07-07T02:29:13.846-03:00</updated><title type='text'>Tática de jogo</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Um aspecto pouco comentado, mas notável no comportamento do torcedor de futebol, é o desinteresse que ele demonstra pela parte tática do jogo. Focado apenas no resultado, para ele tanto faz se a partida foi bem disputada ou não, se o time adversário mostrou méritos, se os técnicos de um e de outro lado souberam ou não preparar a equipe para a porfia. A vitória, apenas ela, é que quer, e se por goleada tanto melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A torcida do São Paulo vaiou o time na noite deste domingo porque ele não conseguiu ir além de um empate, jogando em casa, contra o modesto Ipatinga, de Minas, penúltimo colocado no Campeonato Brasileiro da série A. Tudo bem que o goleiro Rogério Ceni ainda precisou se empenhar para que o time não acabasse derrotado, mas as vaias foram injustas. Depois de empatar com o Náutico e perder do Atlético Mineiro, do Flamengo e do Vasco da Gama, em seqüência, o Ipatinga fechou-se na defesa e jogou somente no contra-ataque, com o grandalhão Adeílson isolado na frente. Como destruir, no futebol, é mais fácil do que construir, alcançou assim o objetivo de não perder de novo. Já o São Paulo, concentrado no ataque, correu sérios riscos ao abrir espaços na defesa. Quer dizer, os jogadores de ambos os lados fizeram o que deles se poderia esperar, uns lutando para não cair ainda mais, outros tentando vencer a todo custo. O empate em 1 a 1, por isso, acabou sendo justo, mas a torcida são-paulina não quis saber, e mandou a vaia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;No Campeonato Brasileiro da série B, no sábado, Corinthians e São Caetano disputaram um outro tipo de jogo, mais técnico e menos repetitivo. Um jogo, não, um jogão de encher os olhos, embora o magro placar final de 1 a 0 a favor do Corinthians. Foi, seguramente, uma das melhores partidas do alvinegro da capital paulista neste ano, o que mostra que o técnico Mano Menezes soube preparar a equipe nos treinos feitos durante o retiro de cinco dias em Itu, no interior do estado. Firme na defesa, habilidoso no meio, rápido na frente, o Corinthians só não fez mais gols porque deparou com um adversário igualmente bem preparado, com jogadores desempenhando suas funções à beira da perfeição. Se é tudo isso que mostrou no sábado, o São Caetano se torna forte candidato a subir para a divisão principal do futebol brasileiro ao fim do atual campeonato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Mesmo que, em tese, os adversários da série B sejam mais fracos que os da série A, de onde o Corinthians foi rebaixado no ano passado, pode-se afirmar sem receio que hoje há um outro time em campo, sobretudo na consciência tática. Além de contar com dois meias-armadores de ofício, Douglas e Elias, e dois volantes que tanto sabem defender quanto atacar, Fabinho (com seu reserva imediato Nilton) e Eduardo Ramos, o time tem agora uma forte arma nos deslocamentos constantes dos homens de meio e de frente, que facilitam o passe e abrem caminho para o avanço também dos laterais, Alessandro e André Santos. Com isso, ganha muito em fluência de jogo, evitando os chutões, e em ocupação de espaços. A chamada segunda bola, quase sempre perdida no ano passado, agora é sua na maioria das vezes, o que também lhe dá mais volume de jogo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A partida Corinthians versus São Caetano, do sábado passado, certamente ficará gravada na mente de torcedores que apreciam o futebol acima das colorações clubísticas como uma das melhores disputadas na série B deste ano. Esperemos que haja outras assim daqui até o fim do ano, para nosso deleite.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5237643746801638466?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5237643746801638466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5237643746801638466' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5237643746801638466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5237643746801638466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/07/ttica-de-jogo.html' title='Tática de jogo'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-4647084431511585470</id><published>2008-07-01T19:59:00.010-03:00</published><updated>2008-12-11T17:26:41.499-02:00</updated><title type='text'>Arte em papel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3rhuPHDI/AAAAAAAAAGw/-D8JF0gZsc0/s1600-h/m_Ione6.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3rhuPHDI/AAAAAAAAAGw/-D8JF0gZsc0/s400/m_Ione6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218185076676697138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3lADZY4I/AAAAAAAAAGo/nGC3IxTbnC0/s1600-h/m_Ione5.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3lADZY4I/AAAAAAAAAGo/nGC3IxTbnC0/s400/m_Ione5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218184964559430530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3eYwqkhI/AAAAAAAAAGg/NbNYjnIYjAU/s1600-h/m_Ione4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3eYwqkhI/AAAAAAAAAGg/NbNYjnIYjAU/s400/m_Ione4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218184850932666898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3YT09BNI/AAAAAAAAAGY/exBIpUBhLAA/s1600-h/m_Ione3.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3YT09BNI/AAAAAAAAAGY/exBIpUBhLAA/s400/m_Ione3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218184746529260754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3RJeIaOI/AAAAAAAAAGQ/p8KBLFhQ3Og/s1600-h/m_Ione2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3RJeIaOI/AAAAAAAAAGQ/p8KBLFhQ3Og/s400/m_Ione2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218184623490099426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3Gr73dXI/AAAAAAAAAGI/B_VyepfNVXM/s1600-h/m_Ione1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3Gr73dXI/AAAAAAAAAGI/B_VyepfNVXM/s400/m_Ione1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218184443763062130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bolas, móbiles e vasinho de flores feitos por Ione&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Minha amiga Ione Sawao, designer gráfica da revista Auto Esporte, da Editora Globo, ajuda a manter viva a arte dos origamis, essas delicadas dobraduras em papel que se praticam no Japão desde, ao que se saiba, princípios do período Edo (1603-1867).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para quem não tem a menor habilidade manual, como eu, é incrível observar a precisão com que Ione monta suas bolas (kusudamas), móbiles e vasinhos de flores usando apenas papel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;As fotos desta nota, copiadas do &lt;a href="http://meusorigamis.blogspot.com/"&gt;&lt;b&gt;blog&lt;/b&gt; &lt;/a&gt;da Ione, dão uma idéia da beleza que é seu trabalho. No começo, ela fazia seus origamis apenas como hobby. Depois, com a demanda crescente, passou a aceitar encomendas pagas, seja de amigos e conhecidos, seja do público que visita seu blog e faz os pedidos pelo endereço de e-mail ali publicado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Nas mãos dos grandes mestres, o origami atingiu alturas inimagináveis. Um dos artistas mais conhecidos dos tempos atuais,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Satoshi Kamiya, que ainda não chegou aos 30 anos, cria por exemplo dragões com escamas e tudo num papel dobrado cerca de 270 vezes. Mesmo aqui no Brasil não faltam grandes talentos. Numa mostra organizada durante os festejos do centenário da imigração japonesa, em São Paulo, havia uma escola de samba, com várias alas, em papel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Durante seu desenvolvimento no Japão, o origami deu origem a uma variação, chamada kirigami. “Gami” é papel, e “ori”, dobrar. Já “kiri” significa cortar. Há também trabalhos inacreditáveis no kirigami, com figuras recortadas que parecem saltar da folha de papel. A foto abaixo mostra um exemplo, dos mais simples, dessa outra arte.&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq5UQnrboI/AAAAAAAAAHA/ToL4JpnpztE/s1600-h/m_kirigami2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq5UQnrboI/AAAAAAAAAHA/ToL4JpnpztE/s400/m_kirigami2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218186875972054658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-4647084431511585470?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/4647084431511585470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=4647084431511585470' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4647084431511585470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4647084431511585470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/07/arte-em-papel.html' title='Arte em papel'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SGq3rhuPHDI/AAAAAAAAAGw/-D8JF0gZsc0/s72-c/m_Ione6.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-3731181371934912660</id><published>2008-05-16T11:09:00.002-03:00</published><updated>2008-12-11T17:26:41.707-02:00</updated><title type='text'>Angelina Jolie</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SC2V1EjyVAI/AAAAAAAAAFQ/dN8Enu4tMPM/s1600-h/m_Angelina.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SC2V1EjyVAI/AAAAAAAAAFQ/dN8Enu4tMPM/s400/m_Angelina.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200977883672237058" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Angelina e Brad Pitt no Festival de Cannes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="Blog"&gt;“Este glamour é o que me dá projeção para lutar por melhores condições de vida para milhões de deserdados ao redor do mundo. Espero, assim, poder dar bons exemplos para meus filhos. No limite, é o objetivo que persigo. Ser uma boa mãe, uma boa cidadã.” É o que disse ontem a atriz Angelina Jolie, 32 anos, em entrevista durante o Festival de Cannes, segundo o crítico e repórter de cinema Luiz Carlos Merten, do Estadão. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Grande Angelina. Além de ótima atriz e bela mulher, ela é um ser humano admirável. Embaixatriz da Boa Vontade da ONU, distribui um terço de seus rendimentos, que não são pequenos, aos pobres do mundo. Tem uma filha, Shiloh, prestes a fazer 2 anos agora em maio, com o ator Brad Pitt, e espera dele gêmeos, mas é também mãe adotiva desde 2002. Os meninos Maddox, de 5 anos, e Pax, de 4, são respectivamente cambojano e vietnamita, e a menina Zahara, de 3, etíope.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Para Merten, ela procura ser “politicamente correta até debaixo d’água”. Talvez. Mas isso não retira o mérito do que faz.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-3731181371934912660?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/3731181371934912660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=3731181371934912660' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3731181371934912660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3731181371934912660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/05/angelina-jolie.html' title='Angelina Jolie'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/SC2V1EjyVAI/AAAAAAAAAFQ/dN8Enu4tMPM/s72-c/m_Angelina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5354708285351386188</id><published>2008-05-02T20:54:00.000-03:00</published><updated>2008-05-02T20:55:29.863-03:00</updated><title type='text'>O grau de investimento</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Funcionários da administração do Tesouro brasileiro e de um banco americano em Wall Street abriram champanhe. Não era para menos. O Brasil conseguiu, pela primeira vez, atingir o grau de investimento, na avaliação da Standard &amp;amp; Poor’s, S&amp;amp;P, a maior agência de rating do mundo. Candidata-se, assim, a receber um rio de dólares, já que enormes fundos de pensão americanos, bancos internacionais e outros aplicadores conservadores tiveram removido um empecilho legal para investir aqui. O Ibovespa, índice da Bolsa de Valores de São Paulo, subiu 6,3% no primeiro pregão após a notícia, hoje chegou a passar dos 70 000 pontos e pode valorizar-se muito mais ainda. Já o dólar fechou hoje a 1,65 real, a menor cotação desde 10 de maio de 1999. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Lula comemorou à sua maneira, ou seja, diante de um microfone. Disse que se tratava de uma conquista do povo brasileiro. Foi até modesto, ao contrário de seu ministro da Fazenda, que acha que o grau de investimento veio só porque a economia brasileira – da qual supostamente é o dono da quitanda - está crescendo. Mantega se julga um economista tão competente que não hesita em calcular o impacto exato, em centésimos de porcentagem, de uma alta do óleo diesel na inflação. Para que perder tempo pensando em como um frete mais caro pode influir nos preços de uma infinidade de produtos agrícolas e industriais transportados nos caminhões? Decisões de reajuste, como o ministro e o mundo sabem, variam de empresa para empresa. Mesmo numa prova de curso de graduação Mantega seria reprovado com tal resposta. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Muito mais responsável do que o ministro pelo grau de investimento obtido é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, porque as agências de rating apenas quantificam o risco no qual incorrem os investidores externos. Isso tem a ver muito mais com as condições de solvência do país e de suas empresas que tomam crédito no exterior, ou seja, a capacidade de honrar os compromissos assumidos com os credores, do que com o crescimento momentâneo da economia. Ao seguir ao pé da letra o regime de metas de inflação durante já quase um mandato e meio de governo, Meirelles tornou a economia brasileira muito mais previsível do que no passado, estimulando assim o setor privado a investir. Tudo o mais – crescimento da produção, da renda e do crédito, acúmulo de reservas, mesmo uma redução prolongada de juros – vem por conseqüência. Lula, é forçoso assinalar, teve um grande mérito ao manter Meirelles no cargo contra todas as pressões palacianas, com o vice Alencar e a ministra Dilma à frente, e dos ideólogos e economistas de meia-tigela do PT. Fez mais: embora graças ao aumento da arrecadação e não do corte de despesas, não abriu mão de gerar superávits primários na execução fiscal, e não deixou mexer no câmbio flutuante. Ou seja, seguiu direitinho a cartilha deixada pelo antecessor, Fernando Henrique Cardoso, mas até por isso merece aplausos, porque se adotasse o receituário petista nem dá para imaginar como estaria o Brasil a esta altura. Em melhor situação do que a atual não, com certeza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;De toda forma, a classificação dada pela S&amp;amp;P representa apenas uma conquista parcial. Para ser de fato um país grau de investimento, o Brasil ainda precisa de confirmação por parte de duas outras agências, a Fitch e a Moody’s. A primeira deverá fazê-lo em breve, uma vez que uma sua equipe esteve em Brasília para falar com técnicos do governo nesta semana. Já a Moody’s tem sido a mais crítica das três grandes agências, por entender que há uma fragilidade na área fiscal, com o aumento das despesas correntes do governo, e uma outra no perfil da dívida mobiliária federal, com uma alta concentração de vencimentos de curto prazo. A elevação da nota por ela não é, portanto, favas contadas. Além disso, por detrás das borbulhas de champanhe se pode ver que mesmo na escala de classificação da S&amp;amp;P o Brasil alcançou apenas o primeiro dos dez degraus de países tidos como confiáveis para investimento. Liderados pelos EUA, um conjunto de nove países, sendo seis europeus, mais a Austrália e o Canadá, está no topo da lista, com a nota AAA. Na América Latina, estão na frente do Brasil o México e o Chile, este, cinco degraus acima. Também não existe cadeira cativa nesse clube dos países confiáveis, como mostra a Colômbia, rebaixada para o grau especulativo pela S&amp;amp;P.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;É bom, portanto, não exagerar nas comemorações, porque além das fragilidades apontadas pela Moody’s existem mais algumas, sendo a mais grave o estado lastimável da infra-estrutura, que põe a perder parte das safras de grãos nas estradas intransitáveis. Junto com as precárias vias de acesso, a absurda carga tributária, em primeiro lugar, e os altos juros, em segundo, compõem o que se conhece como custo Brasil, um handicap na exportação. E por falar nisso convém não esquecer que, no momento, a luz amarela pisca num fator conjuntural. De superavitárias as contas externas se tornaram deficitárias, com o desmesurado aumento das importações e das remessas de lucros para o exterior, causado pelo real valorizado. Em apenas três meses, de janeiro a março, foram 10,3 bilhões de dólares no vermelho. Há um colchão de segurança no nível das reservas, 195 bilhões de dólares, mas esse déficit conjuntural precisa ser corrigido antes que se transforme numa bomba-relógio. Por último, mas não menos importante, como diriam os ingleses, não se pode esquecer do desaquecimento da economia americana, em decorrência da crise de crédito imobiliário. Os efeitos já se espalham por outras economias, e o Brasil, pelas fragilidades apontadas, não está imune a uma perda cambial de grandes proporções.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Esperemos que o pior não aconteça. Mas, como prevenir é melhor que remediar, quanto antes se começar a consertar a infra-estrutura e promover as reformas que ainda faltam nas áreas previdenciária, tributária e sindical, sobretudo, melhor. Em outras palavras, Lula tem de descer do palanque e começar de fato a governar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5354708285351386188?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5354708285351386188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5354708285351386188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5354708285351386188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5354708285351386188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/05/o-grau-de-investimento.html' title='O grau de investimento'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7323485487965069674</id><published>2008-04-21T21:12:00.000-03:00</published><updated>2008-04-21T21:13:38.121-03:00</updated><title type='text'>Sobre Isabella</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Três homens foram detidos hoje à tarde pela polícia, por causa da arruaça que faziam, junto com outras pessoas, à porta do prédio em que mora o pai de Anna Carolina Jatobá, a madrasta de Isabella Nardoni, pedindo justiça pelo assassinato da menina. Dois deles, soube-se depois, possuíam ficha policial. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;O professor Carlos Alberto Di Franco escreve, em seu artigo de hoje no Estadão: “A era do entretenimento, cuidadosamente medida pelas oscilações do Ibope, tem nos crimes e na violência um de seus carros-chefe. A transgressão passou a ser o espetáculo mais rotineiro de todos. Alguns setores do negócio do entretenimento, apoiados na manipulação do conceito de liberdade de expressão, crescem à sombra da exploração das paixões humanas. Ao subestimar a influência da violência ficcional, omitem uma realidade bem conhecida da psicologia: a promoção do sadismo como instrumento de diversão não produz a sublimação da agressividade, antes representa um forte incitamento a comportamentos anti-sociais. Morte, agressão e violência, realidades banalizadas por certos telejornais, acabam sendo incorporadas pelos criminosos potenciais. A onipresença de uma TV pouco responsável pode estar na origem de inúmeros comportamentos patológicos”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Não deixa de ter razão o professor, mas ele é um idealista. A exploração das paixões humanas e a violência ficcional não são produto apenas de uma TV pouco responsável ou de telejornais sensacionalistas. Até nas artes plásticas e na música, para não falar do cinema, como obra solitária ou conjunta, a violência ficcional e a reproduzida do cotidiano constituem matéria-prima recorrente. Por isso, é um pouco exagerado chamar de irresponsável a TV que as divulga. Se ela o faz é porque esse tipo de material rende audiência. Como as redes de televisão deveriam agir: censurar-se, perder audiência e, em conseqüência, a receita publicitária, até o ponto de fechar as próprias portas? O que é melhor, do ponto de vista do interesse coletivo: ter uma TV com grande público, embora de duvidosa qualidade, ou uma TV de alta qualidade ética a que só alguns gatos pingados queiram assistir? Mais uma pergunta: o que vem a ser qualidade ética na programação da TV se a violência ficcional ou real mostrada na tela é produto ou de artistas, escritores, intelectuais, técnicos competentes no ofício, num dos casos, ou meramente reproduzido da realidade, no outro?&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;O caso Isabella, com toda a repercussão causada na opinião pública, nos obriga a refletir se, no fundo, a verdadeira hipocrisia não estaria na tentativa de cada um de nós de tentar ocultar que sob uma capa de civilidade temos todos um lobo indormido dentro de nós.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7323485487965069674?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7323485487965069674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7323485487965069674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7323485487965069674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7323485487965069674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/04/sobre-isabella.html' title='Sobre Isabella'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8751719501344062352</id><published>2008-02-27T13:14:00.000-03:00</published><updated>2008-02-27T13:15:54.102-03:00</updated><title type='text'>Bogart e o xadrez</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Acabo de descobrir no site Chessgames.com, que recomendo aos aficionados desse esporte, que o grande Humphrey Bogart, um mito do cinema, foi também um bom jogador amador de xadrez. Tão bom que numa partida simultânea empatou com Samuel Reshevsky (26/11/1911-4/4/1992), um dos maiores enxadristas do mundo na época. Polonês naturalizado americano, Reshevsky foi seis vezes campeão de xadrez dos Estados Unidos e chegou a postular o título mundial. Menino-prodígio, com apenas 9 anos de idade, recém-emigrado com a família para o país, enfrentou 20 cadetes e oficiais da Academia Militar de West Point numa simultânea. Ganhou de 19 e empatou com um. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Bogart, inesquecível por seus papéis em filmes como &lt;i&gt;O Falcão Maltês &lt;/i&gt;(The Maltese Falcon, 1941, de Howard Hawks), &lt;i&gt;Casablanca &lt;/i&gt;(idem, 1942, de Michael Curtiz), &lt;i&gt;À Beira do Abismo &lt;/i&gt;(The Big Sleep, 1946, também de Hawks), &lt;i&gt;O Tesouro de Sierra Madre (&lt;/i&gt;The Treasure of Sierra Madre, 1948, de John Huston), &lt;i&gt;Uma Aventura na África &lt;/i&gt;(The African Queen, 1951, também de Huston), &lt;i&gt;A Condessa Descalça &lt;/i&gt;(The Barefoot Contessa, 1954, de Joseph L. Mankiewicz), &lt;i&gt;Sabrina &lt;/i&gt;(idem, 1954, de Billy Wilder) e &lt;i&gt;A Nave da Revolta &lt;/i&gt;(The Caine Mutiny, 1954, de Edward Dmytryk), entre outros, deixou viúva a bela e grande atriz Lauren Bacall, com quem fora casado de 1945 a 1957. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog" style="margin-top: 12pt;"&gt;Conheceram-se durante as filmagens de &lt;i&gt;Uma Aventura na Martinica &lt;/i&gt;(To Have or Have Not, 1944, outro filme de Howard Hawks), baseado numa novela de Ernest Hemingway e com participação no roteiro de ninguém menos que William Faulkner, também Nobel de Literatura. Era o primeiro papel de Lauren, selecionada por Hawks depois de vê-la na capa da revista Harper’s Bazaar. Dizia-se que Bogart estava interessado na outra atriz principal do filme, Dolores Moran, mas ele tinha olhos mesmo é para a Lauren, com quem se casou no ano seguinte, ele com 45 e ela com 20 anos (Bogart nasceu no dia de Natal de 1899, Lauren em 16/9/1924). &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog" style="margin-top: 12pt;"&gt;Companheira de todas as horas, Lauren foi com o marido uma ativista contra o macartismo, apesar dos riscos envolvidos. Por sinal, talvez para mostrar que não misturava as coisas, Bogart trabalhou com o diretor Dmytryk, um ex-colaborador macartista em &lt;i&gt;A Nave da Revolta&lt;/i&gt;, junto com outros atores de peso como José Ferrer, Van Johnson e Fred MacMurray, e obteve sua terceira indicação ao Oscar como melhor ator por seu papel como o desequilibrado capitão do navio que é destituído do posto por um motim a bordo. As outras foram por &lt;i&gt;Casablanca &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Uma Aventura na África, &lt;/i&gt;esta última com sucesso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog" style="margin-top: 12pt;"&gt;Lauren também jogava xadrez e com talento, tanto que em 1945 seu casório com Bogart foi celebrado na capa da revista Chess Review. E em 1951 disputou contra ele uma partida que está nos anais do site Chessgames.com, registrada com o mesmo nome do filme no qual se conheceram. A abertura empregada por Bogart, jogando com as peças brancas, foi a Ruy Lopez, e a defesa escolhida por Lauren, a Espanhola, em fianqueto. Bogart precisou suar 31 lances até que a mulher abandonasse a partida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8751719501344062352?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8751719501344062352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8751719501344062352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8751719501344062352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8751719501344062352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/02/bogart-e-o-xadrez.html' title='Bogart e o xadrez'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8094903012954594623</id><published>2008-02-07T18:18:00.001-02:00</published><updated>2008-08-10T19:06:36.385-03:00</updated><title type='text'>Os stunts de dona Matilde</title><content type='html'>Na obra-prima &lt;em&gt;Kagemusha – A Sombra do Samurai&lt;/em&gt; (Kagemusha, 1980), Akira Kurosawa mostra como jovens cortesãos serviam de escudos humanos para seus senhores no campo de batalha. Mal tombava um, outro se postava à frente para levar os tiros endereçados ao alvo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Japão feudal e em outros lugares do mundo, reis, imperadores e governantes sempre tiveram seus escudos humanos, gente disposta a fazer o papel de bucha de canhão – isso, para não falar dos stunts, profissionais que substituem os astros de cinema nas cenas mais arriscadas. Em viagens ou nas masmorras, o provador experimentava antes a comida destinada ao rei, com o objetivo de evitar que este fosse envenenado. Napoleão, na sua soberba de se julgar um predestinado, não tomou esse cuidado e morreu por overdose de arsênio em 1821, na ilha de Santa Helena, onde fora confinado pelos ingleses após a Batalha de Waterloo. No atentado contra o presidente americano Ronald Reagan, em 1981, não foi um agente de segurança mas sim seu secretário de Imprensa, James Brady, quem levou um dos tiros disparados por John Hinckley, Jr, e se tornou paralítico. O próprio Reagan, recém-empossado para seu primeiro mandato, escapou por pouco. Uma das balas o atingiu a menos de uma polegada do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os interesses de Estado justificam a existência dos stunts da vida real. E morrer para proteger a segurança institucional não deixa de ser heróico. Mas no Brasil do governo petista surgiu uma nova categoria de stunts: a dos bodes expiatórios. Também eles se imolam, só que em nome de um difuso conceito de segurança institucional ligado mais aos interesses do partido do que da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais famoso dos bodes expiatórios recentes foi o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Até hoje, de forma canina, ele continua a sustentar a versão de que foi o único responsável pela contratação dos financiamentos com os quais seu partido deu origem ao mensalão, embora até o concreto da rampa do Palácio do Planalto saiba que ele não tinha poderes para tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a ex-ministra de Igualdade Racial Matilde Ribeiro acaba de dar uma contribuição de monta para aumentar a coleção de bodes petistas. Antes de ser obrigada a sair do governo por torrar dinheiro público com os cartões corporativos, quis livrar a própria cara demitindo dois assessores, segundo ela responsáveis por induzi-la a ‘erro administrativo’. Ocupante de cargo em que deveria cuidar da igualdade social, fez exatamente o contrário, defendendo políticas raciais e o primado da diversidade. Queria dar força, por essa via torta, à afirmação dos fracos e oprimidos, em oposição às elites dominantes. Mas quando se viu apertada não hesitou em jogar a culpa sobre os mais humildes. Cadê a coerência, dona Matilde?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8094903012954594623?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8094903012954594623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8094903012954594623' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8094903012954594623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8094903012954594623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/02/os-stunts-de-dona-matilde.html' title='Os stunts de dona Matilde'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-3330745819012414328</id><published>2008-01-13T14:55:00.002-02:00</published><updated>2008-08-10T19:41:33.479-03:00</updated><title type='text'>Jornalismo com tesão</title><content type='html'>Em sua deliciosa crônica de hoje no Estadão, Luis Fernando Verissimo fala do futuro incerto que a apocrifia propiciada pelos computadores reserva ao ofício de escritor. Qualquer um com alguma habilidade em imitar estilos pode produzir um texto e atribuí-lo a outrem, pois não há mais o papel escrito na máquina de datilografia e corrigido à mão, com aqueles rabiscos e garranchos que eram a impressão digital da autoria. Não há mais os originais, como diz Verissimo. Com o computador, passou a existir apenas a versão final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De permeio (complemento perfeito para ‘outrem’, não acham?), Verissimo lamenta a troca, nas redações, “do metralhar das máquinas de escrever pelo leve clicar dos teclados dos micros”. Alguém ainda vai elaborar um tratado sobre as conseqüências dessa substituição para o jornalismo mundial, diz, porque as redações foram transformadas, de fábricas, em claustros. E defende, “sem muita convicção”, a tese de que a mudança de ambiente afetou o caráter do jornalista. Sem a necessidade do grito para se fazer ouvir e com o distanciamento do ofício de um barulhento trabalho braçal, escreve, hoje não vale mais “a velha máxima de que jornalista era de esquerda até o nível de redator-chefe e de direita daí para cima (...). A nova direita é filha do silêncio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verissimo talvez exagere nessa conclusão, porque é sabido que a maioria das redações anda entupida de petistas, mas não há como contestar que nesses hoje claustros muitos jornalistas, se não o são, agem como se fossem de direita, no sentido etimológico da palavra, com sua contenção emotiva, seu conformismo diante de ordens superiores e sua adesão bovina a causas tidas como politicamente corretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou do tempo em que se jogava futebol com bola feita de folhas de jornal na redação. E em que, entre o matraquear das máquinas e dos falatórios, se ouvia o grito “Desce!”, para chamar o contínuo e lhe entregar as laudas de texto enroladas, depois de coladas na seqüência. E se tratava mesmo de descida, porque as laudas eram jogadas pelo contínuo no buraco aberto de uma coluna no meio da redação da Folha, para irem parar um andar abaixo na mesa do chefe da oficina (que é como se chamava a gráfica), o qual as distribuía entre os linotipistas, aboletados em suas máquinas alimentadas a chumbo quente. O material assim composto era depois colocado pelos paginadores dentro de molduras (ramas) do tamanho de uma página impressa de jornal, ajustado na altura com finas placas metálicas (entrelinhas), amarrado para não haver nenhum problema no transporte e levado para uma prensa (calandra), onde se produzia a página em negativo num material chamado flan. O negativo era depois copiado para a chapa que recobria o cilindro das impressoras. A gritaria na redação, o calor infernal liberado pelas linotipos na gráfica, os paginadores transpirando em seus macacões, tudo isso aproximava o trabalho ao de uma fábrica, jamais lembrando o atual ambiente ascético, inodoro e sem graça em que são feitos os jornais. De operários, os jornalistas foram transformados em barnabés de repartição pública, e isso, forçosamente, traz alguma conseqüência ao produto que fazem. Como diz Verissimo, seria mesmo o caso de alguém escrever um tratado sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não me venham com essa história de que a tecnologia ajudou na agilidade da notícia. Estávamos no fechamento, ali pelas dez da noite, quando se soube que barracos rolaram pela ribanceira numa chuvarada em Santos. Convocados pela chefia, o repórter Fraterno Vieira, o fotógrafo e o motorista de caminhão lá foram, numa louca descida pelas curvas da Anchieta. Vieira viu o desastre, falou com parentes das vítimas, escreveu o texto e transmitiu o material por telex, junto com as fotos (por radiofoto), a tempo de a notícia estar na primeira página do jornal nas bancas, de manhãzinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira agiu como todos os repórteres daquela época. Foi até o local do evento para escrever sobre o que realmente vira e ouvira, porque as entrevistas e coberturas eram feitas assim, olho no olho entre jornalistas e depoentes, não por telefone como nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a tecnologia também serviu para aprimorar o jornalismo, ao facilitar o trabalho de pesquisa. Repórteres e editores perdiam muito tempo, antes, no resgate de dados que pudessem servir de referência para o texto.  Com o passar dos anos, porém, mesmo essa vantagem material vem perdendo substância, porque aproveitando as facilidades donos de jornal e seus paus-mandados passaram a exigir produções a metro. É comum um repórter ter de escrever hoje duas, três ou até mais matérias por dia. Além disso, os prazos de fechamento se tornam cada vez mais apertados, por força da concorrência. Não há qualidade que possa resistir a essa pressão do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Causa inveja aos jornalistas brasileiros o expediente avantajado das publicações estrangeiras, em especial o das revistas americanas, com o triplo ou o quádruplo de equipes de redação em comparação com as nossas. O grau de profundidade das reportagens não é portanto produto exclusivo do talento e competência dos profissionais. Tem a ver, antes, com as condições materiais disponíveis, donde se conclui que também a qualidade da imprensa depende do desenvolvimento econômico alcançado pelo país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo pesado, o que se pode dizer é que faltam elementos para afirmar se com o passar dos anos a imprensa brasileira melhorou ou piorou. Hoje como ontem, há nela excelentes profissionais. Mas de uma coisa o pessoal da velha guarda tem certeza: a de que o jornalismo da máquina de escrever era feito com mais alegria do que o do computador e, por isso, com maior tesão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-3330745819012414328?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/3330745819012414328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=3330745819012414328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3330745819012414328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3330745819012414328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/01/jornalismo-com-teso.html' title='Jornalismo com tesão'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5526975307649964375</id><published>2008-01-11T16:27:00.001-02:00</published><updated>2008-08-10T19:11:04.507-03:00</updated><title type='text'>É burro porque é pobre?</title><content type='html'>O suplemento cultural do jornal Valor de hoje aborda na reportagem de capa, assinada por Martha San Juan França, a instigante questão da evolução da inteligência humana, incluindo uma entrevista com o famoso pesquisador americano naturalizado neozelandês James Flynn, autor da tese de que o QI vem aumentando no mundo em até 20 pontos por geração de 30 anos. O chamado efeito Flynn foi comprovado em estudos feitos em diferentes países, o que também serviu para que seu formulador combatesse algumas teorias acadêmicas racistas. E, ao contrário do que o senso comum sugere, o pesquisador, hoje com 73 anos, mostrou que a evolução da inteligência e do conhecimento nas sociedades contemporâneas tem menos a ver com o ensino escolar formal e mais com a explosão de informações propiciada pela tecnologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo educadores do mundo inteiro se preocupam com os desníveis de QI dos alunos, na tentativa de encontrar um ponto médio para tornar as aulas aproveitáveis pelo maior número possível deles. Elaboraram-se assim diversos testes para a medição de habilidades cognitivas relacionadas com a inteligência, entre elas as da expressão verbal, do raciocínio lógico/matemático, do domínio espacial e do uso da memória. Mesmo esses testes, porém, vêm perdendo eficácia com o passar dos anos. Segundo Flynn explica no seu novo livro, &lt;em&gt;What Is Intelligence? Beyond the Flynn Effect&lt;/em&gt;, ainda não traduzido no Brasil, isso se deve ao fato de que no mundo atual crescem as exigências de aplicação da chamada inteligência fluida, responsável pelo raciocínio abstrato e a resolução de problemas novos. Ou seja, tende-se a valorizar mais as habilidades para executar tarefas específicas do que as ligadas de modo genérico a um conceito mais global de inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicóloga Carmen Flores-Mendoza, do Laboratório de Avaliação das diferenças Individuais, da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, também ouvida na reportagem, diz a esse respeito: “Os ganhos cognitivos (mostrados nos testes), portanto, podem ser de variada intensidade e diferente qualidade, dependendo da exigência presente em cada sociedade, cultura ou nação”. Segundo ainda a reportagem, a psicóloga desenvolve um trabalho com outros pesquisadores da América Latina para investigar a relação entre inteligência, rendimento escolar e riqueza das nações, a partir dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, Pisa, que mede o desempenho de alunos de 15 anos em 57 países, com o objetivo de oferecer indicadores sobre a qualidade dos sistemas educacionais. O programa, no qual o Brasil se tem saído muito mal, como seria de supor, permite avaliar basicamente o conhecimento de ciências, além da capacidade de entendimento da leitura e do domínio de noções de matemática. No quesito referente ao aproveitamento da leitura, os alunos brasileiros obtiveram a média de 396 pontos no ano 2000, contra 546 na Finlândia, 534 no Canadá e 529 na Nova Zelândia, ficando ainda abaixo de colegas latino-americanos como os mexicanos, argentinos e chilenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho em que Carmen se envolve, data venia, parte contudo de uma premissa equivocada. Ao relacionar níveis médios de QI da população com os de renda per capita, entendendo que quanto mais baixos os primeiros também menores são os segundos, confunde efeito com causa. É certo que conhecimentos maiores contribuem para acelerar o crescimento econômico, mas também não dá para negar que quanto mais rico o país, mais seus cidadãos têm acesso à cultura e às informações específicas geradas pelo progresso científico e tecnológico. O risco maior, o da simplificação inaceitável num trabalho acadêmico, estaria numa eventual conclusão de que povos com QI inferior se condenariam ao atraso eterno, quando existem muitos exemplos de países que deram saltos de desenvolvimento concentrando esforços na educação e no alcance de metas prioritárias. Sem contar o fato de que uma simplificação desse tipo infelicitaria Flynn e todos os outros pesquisadores sérios, que tanto têm lutado para provar que a inteligência, longe de ser um fator genético ou racial, pode ser aumentada e moldada pelo ambiente favorável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5526975307649964375?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5526975307649964375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5526975307649964375' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5526975307649964375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5526975307649964375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2008/01/burro-porque-pobre.html' title='É burro porque é pobre?'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-1842966183690556303</id><published>2007-12-25T20:51:00.001-02:00</published><updated>2008-12-11T17:26:42.081-02:00</updated><title type='text'>Boas festas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/R3GJvVqCmvI/AAAAAAAAADU/zeFkHwoPeeE/s1600-h/m_Arco-iris.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/R3GJvVqCmvI/AAAAAAAAADU/zeFkHwoPeeE/s400/m_Arco-iris.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148047295421520626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="Blog"&gt;Diz a lenda irlandesa que o anãozinho fez irromper um radioso arco-íris entre duas montanhas, e ele veio parar nos pés de Jimmy, o menino pobre que saíra a pescar para dar de comer à família, trazendo-lhe um pote cheio de ouro e pedras preciosas. Portanto, fica aqui esclarecido, para quem quiser, que o pote do tesouro fica no final do arco-íris, e não no começo, como alguns teimam em afirmar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Diz a Bíblia, no Gênesis 9:13 a 17, que o arco-íris é o sinal do pacto indicado por Deus a Noé, para que este e os demais sobreviventes soubessem que jamais haveria outro dilúvio para limpar a terra de todos os maus-caráteres que a habitam, embora talvez isso faça falta nos dias de hoje. E Deus repetiu a Noé, conforme o Gênesis: “Este é o sinal do pacto que deveras estabeleço entre mim e toda a carne que há na terra”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Segundo os cientistas, o arco-íris não existe realmente como um sítio no céu, porque se trata apenas de uma ilusão de óptica, causada pela luz do sol se refletindo em gotas de chuva. Ainda de acordo com os frios homens da ciência, sete cores formam o arco-íris, começando com o vermelho e terminando com o violeta. Entre essas duas pontas, há um seqüência de cinco outras cores. Se você quer saber qual é ela, ensina a Wilkipédia, diga “Vermelho lá vai violeta”. A expressão ‘lá vai’ contém o l de laranja, o a de amarelo, o v de verde, o a de azul e o i de índigo (anil). &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Você prefere ficar com a lenda irlandesa, a Bíblia ou os cientistas? A escolha é sua, mas este blog deseja que neste Natal um arco-íris inunde de luz a sua alma, e que em 2008 você continue a dividir o pote de ouro e pedras preciosas que há dentro de você com os parentes, amigos, desconhecidos e até alguns desafetos mais antigos, como prêmio por sua constância. Afinal, valoriza mais os amigos quem tem inimigos – e o ano novo pode ser uma excelente oportunidade para você tentar trazer mais gente para o lado de cá.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-1842966183690556303?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/1842966183690556303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=1842966183690556303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1842966183690556303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1842966183690556303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/12/boas-festas.html' title='Boas festas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/R3GJvVqCmvI/AAAAAAAAADU/zeFkHwoPeeE/s72-c/m_Arco-iris.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-1010334078109229095</id><published>2007-12-02T19:36:00.001-02:00</published><updated>2008-08-10T19:14:49.773-03:00</updated><title type='text'>Bola pra frente</title><content type='html'>Com o rebaixamento para a série B definido, a esta altura de nada adianta aos corintianos promover uma caça às bruxas, buscar os culpados pelo insucesso do time no Campeonato Brasileiro para crucificá-los em praça pública. Culpados há, certamente, e vários, a começar dos dirigentes que firmaram a parceria com suspeitíssimos investidores estrangeiros, em proveito muito mais dos próprios bolsos do que do futuro do Corinthians. Mas o encerramento neste domingo, com o empate diante do Grêmio, da crônica de uma morte anunciada, é apenas um capítulo, quiçá passageiro, de uma história de quase 100 anos de muitas glórias. Por isso, o melhor que os novos dirigentes corintianos podem fazer agora é começar já os trabalhos para 2008. O time tem de ser outro, porque do atual só se salvam o goleiro e mais uns dois ou três. Bola pra frente, porque essa torcida merece. “Eu nunca vou te abandonar”, dizia um cartaz nas mãos de um corintiano esta tarde, na arquibancada do Estádio Olímpico.  E é verdade. Mesmo durante o longo jejum de títulos no Campeonato Paulista, entre 1954 e 1977, a legião de torcedores do clube não diminuiu. Ao contrário, só fez crescer, porque em família corintiana é assim: ao nascer o filho, antes do nome dá-se a ele a camisa amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nas derrotas que se forja o caráter. Oxalá esteja surgindo hoje, no mesmo dia do rebaixamento do clube para a segunda divisão, um novo Corinthians, muito mais forte do que o anterior, pronto para atravessar um período de conquistas como nunca antes se viu igual em sua história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-1010334078109229095?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/1010334078109229095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=1010334078109229095' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1010334078109229095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1010334078109229095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/12/bola-pra-frente.html' title='Bola pra frente'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7653942823600738838</id><published>2007-11-16T16:43:00.001-02:00</published><updated>2007-11-16T16:43:55.144-02:00</updated><title type='text'>Grande figura</title><content type='html'>Fiquei sabendo de uma história maravilhosa hoje, por minha amiga Mara Luquet. Segundo ela, o Armênio Guedes, amigo comum nosso e figura histórica do pecezão brasileiro, resolveu casar, com papel passado e tudo, com sua companheira de vários anos, Cecília. O Armênio deve estar beirando, se não erro na conta, 92 anos. Que fantástico, alguém com essa idade casar.  Se viver até essa idade, quero ser como ele. Sempre de bem com a vida, bem-humorado, sem ditar regras ou lições para quem quer que seja.  Quero ser como o Armênio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7653942823600738838?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7653942823600738838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7653942823600738838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7653942823600738838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7653942823600738838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/11/grande-figura.html' title='Grande figura'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2548614268349334549</id><published>2007-10-19T09:42:00.002-02:00</published><updated>2008-08-10T19:16:12.056-03:00</updated><title type='text'>Futebol de sobrenomes</title><content type='html'>Na primorosa crônica que publica hoje no Estadão, a propósito do indecoroso drible aplicado por Robinho no jogo de quarta à noite no Maracanã, o colunista Antero Greco diz que o futebol perdeu o encanto dos exageros. “Na verdade, é isso: falta exagero no futebol, estamos carentes de hipérboles, de imagens emocionantes, de manchetes rasgadas”, escreve ele. “Faltam apelidos para nossos astros. Não há mais Diamante Negro, Divino, Dinamite, Peito de Aço, Cabecinha de Ouro. Hoje, quando um atleta se destaca, tratam de acrescentar-lhe o sobrenome, como sinal de deferência. É o caso de Afonso, até anteontem um ilustre desconhecido, que virou Afonso Alves depois de ser convocado para a seleção e de fazer sete gols no time do Padre Chico, na Holanda. Por que não virar Afonso Demolidor ou Afonso Trombador? Sei lá, algo mais divertido. Não, logo tem de ser Afonso Alves, para conferir-lhe peso, seriedade, credibilidade. Ah...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está coberto de razão, o Greco. Como descrever sem exagero o drible de Robinho, que passou como uma enguia pelo marcador equatoriano em não mais que meio metro de terreno, escondendo a bola entre as pernas? Que adjetivo faria justiça àquele instante de pura magia, ainda mais nós outros, a turma da galera, sabendo que podemos passar anos sem ver coisa igual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O futebol virou careta, acadêmico, politicamente correto e outras bossas do gênero. Enfim, coisa de almofadinha, de mauricinho que se incomoda se algo sair do script”, diz ainda Antero Greco, também acertando na mosca. E a culpa disso, acrescentaria este blogueiro, modestamente, cabe em grande parte à Fifa. Por exemplo, que absurdo é esse de punir um clube com perda de pontos ou de mando de jogo só porque um idiota qualquer da torcida resolve invadir o campo ou arremessar um chinelo em direção ao goleiro? Que culpa tem um clube de ser amado por idiotas? É por esse tipo de equívoco nas normas impostas ao jogo que ocorrem episódios como os de Rojas, naquela partida entre as seleções do Chile e do Brasil no Maracanã, que se cortou para simular ter sido atingido por um rojão, ou de Dida, há poucos dias, que caiu se contorcendo como se o tapinha do torcedor inglês que invadiu o gramado fosse um soco do Mike Tyson. Dida não estaria hoje sendo ridicularizado pela imprensa européia se fizesse o que quis fazer, inicialmente, ao correr atrás do torcedor. Poderia ter passado uma rasteira no sujeito, ou dado um bom pontapé em seu traseiro. Não, deve ter pensado, não ficaria bem. Melhor fingir-me de vítima. E se atirou ao chão com a luva no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à moda de jogador com nome e sobrenome, de um ridículo sem tamanho, ela só pegou porque o futebol hoje é dominado pela mediocridade. Talvez seja por isso, em protesto, que Zidane se despediu com aquela monumental cabeçada no peito de Materazzi. Um craque como ele, um virtuose da mais fina estirpe, ser ofendido por um perna-de-pau como o italiano? Só mesmo uma cabeçada, para manter o respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá nem para imaginar locutores da era de ouro do futebol narrando lances de jogadores com nome e sobrenome. Um Mário Vianna, um Ary Barroso, um Edson Leite, um Pedro Luiz, um Geraldo José de Almeida, um Osmar Santos com seu ‘ripa na chulipa’, um Fiori Gigliotti, na boca de qual deles soaria bem um ‘Afonso Alves’, em lugar de Dinamite, Dadá, Divino e outros apelidos? Não haveria graça nenhuma, muito menos para o futebol daquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A homenagem de Antero Greco à arte de Robinho é, portanto, mais do que justa. Num breve momento, o Maracanã reviveu naquele drible seus bons tempos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2548614268349334549?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2548614268349334549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2548614268349334549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2548614268349334549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2548614268349334549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/10/futebol-de-sobrenomes.html' title='Futebol de sobrenomes'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2436461863633974411</id><published>2007-10-16T11:58:00.001-02:00</published><updated>2007-10-16T11:58:42.257-02:00</updated><title type='text'>Notícias do Brasil</title><content type='html'>“Casal teria recebido TV, DVD e R$ 50 em troca do filho de nove meses”.  A informação está no portal do UOL hoje, no gomo Últimas Notícias, e o fato ocorreu em Juazeiro, na Bahia. O pai da criança tem 18 anos, e a mãe, 17. Os dois ainda criam uma filha de 1 ano e 7 meses. Um casal do Rio de Janeiro foi impedido de embarcar com o bebê num ônibus em Juazeiro, diante dos protestos de uma tia dele.Que triste notícia. Quantos bofetões na cara ainda sofreremos desse outro Brasil?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2436461863633974411?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2436461863633974411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2436461863633974411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2436461863633974411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2436461863633974411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/10/notcias-do-brasil.html' title='Notícias do Brasil'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8932554465723814869</id><published>2007-09-29T22:24:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:26:42.204-02:00</updated><title type='text'>O mito Guevara</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rv77FA8kpZI/AAAAAAAAACs/zQ61pJg-Xr8/s1600-h/m_CheGuevara_edited.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rv77FA8kpZI/AAAAAAAAACs/zQ61pJg-Xr8/s400/m_CheGuevara_edited.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115802290311439762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;A foto do pôster, de Alberto Korda&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;“Não vai aproveitar a história, sr. Scott?”, pergunta o senador Ransom Stoddard. “Isto é o oeste, senhor. Quando a lenda se torna fato, publique-se a lenda”, responde o jornalista Maxwell Scott, enquanto rasga o papel em que fizera anotações da entrevista. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Mestre John Ford sabia do que falava quando sintetizou assim, nesse diálogo entre os personagens do senador (James Stewart) e do jornalista (Carleton Young), a história do homem que involuntariamente colheu as glórias de um ato de bravura realizado por outro (o rancheiro vivido por John Wayne), em &lt;i&gt;O Homem que Matou o Facínora&lt;/i&gt; (The Man Who Shot Liberty Valance, de 1962), sua derradeira obra-prima cinematográfica. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Lenda e fato. O binômio se aplica também à história de Che Guevara, o mito revolucionário que sobrevive ao passar do tempo no pôster famoso que gerações de jovens, muitos deles hoje de cabelos encanecidos, puseram em seus quartos para reverenciar o ideal do heroísmo altruístico. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A revista Veja que começa a circular hoje revisita a história, em reportagem de capa assinada por Diogo Schelp e Duda Teixeira. Traz alguns detalhes novos, mas não acrescenta muito ao que já se sabia sobre o Che, cuja figura romântica na lenda nada teve a ver com o homem, um comandante militar desastrado, um ministro incompetente e, acima de tudo, um assassino sanguinário e cruel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Nenhuma reportagem, entretanto, por mais brilhante e reveladora que seja, conseguirá abalar uma versão cultuada universalmente, assim como ocorre no filme de John Ford, ainda mais quando o mito tem as dimensões de Guevara. Por isso, o verdadeiro herói da revolução que em 1959 derrubou o regime de Fulgencio Batista em Cuba, Fidel Castro, passará à história como um velho chato, que fazia discursos de sete horas, enquanto o falso herói, Ernesto Guevara Lynch de la Serna, nascido em Rosário, na Argentina, em 14 de junho de 1928 e morto em campanha na selva boliviana de La Higuera, em 9 de outubro de 1967, será sempre um ícone de jovens rebeldes à procura de uma causa. A diferença fundamental entre os dois é que um morreu pela causa, e ainda por cima sendo jovem, destemido e belo, enquanto o outro continua por aí vivo, embora com os sinais da velhice a sulcar o rosto desprovido de encantos e com o corpo arqueado e algo balofo pateticamente enrolado num uniforme militar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;‘Vivas intensamente e morras jovem. Serás um lindo cadáver’, dizia uma máxima em voga nos anos 50 entre os garotos da burguesia que, enfiados em seus blusões de couro e entre uma Coca-Cola e um racha ao volante de seus carrões envenenados, para se sentirem &lt;i&gt;in&lt;/i&gt; curtiam isso de buscar algum sentido mais profundo para suas existências faustosas e vazias. James Dean, morto a bordo de seu Porsche Spyder prateado aos 24 anos, é o maior símbolo desse &lt;i&gt;mal du siècle&lt;/i&gt; revigorado um século depois dos poetas românticos, na era do consumo &lt;i&gt;made in USA&lt;/i&gt; que tomou conta do mundo após a Segunda Guerra. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Primogênito de família abastada, asmático, formado em Medicina, Guevara, em sua louca perseguição por aventuras, personificou a seu modo também esse inconformismo juvenil da época. Tinha 30 anos quando entrou triunfalmente em Havana para tomar o poder, com seus camaradas de armas. Pagou porém um tributo pela inexperiência. Tudo indica que procurava mascarar a insegurança com exageradas demonstrações de liderança e com seu radicalismo marxista, não hesitando em apertar o gatilho contra qualquer um que julgasse ser inimigo da causa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Sua voluntariedade agressiva a serviço da noção – acertada, como a História do século 20 mostrou – de que não se implanta o comunismo a não ser pela via armada transformou-o num estorvo para Castro, interessado naquele momento em aproximar-se da antiga União Soviética para receber ajuda financeira e militar. A partir daí, começou o calvário da queda de Guevara, primeiro perdido entre as guerras tribais do Congo e depois nas matas inóspitas da Bolívia, cujo campesinato não demonstrou a menor receptividade à revolução intentada por ele. Capturado num dia e executado no outro, o guerrilheiro chamado por companheiros de ‘el chancho’ (o porco) por não gostar de tomar banho, foi lavado e penteado antes de seu corpo ser apresentado à imprensa internacional. E, segundo a reportagem da Veja, moradores das redondezas que estiveram na lavanderia do hospital em que o cadáver estava sendo limpo saíram impressionados com a semelhança física do morto, com aquela barba de muitos dias por fazer, com Cristo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A boa pinta de Guevara, valorizada nesse dia e também antes, em 1960, pelo ângulo da câmera do fotógrafo cubano Alberto Korda no pôster famoso, contribuiu sem dúvida para o surgimento e a permanência do mito. Outros fatores favoráveis nesse sentido, como lembra a revista, foram o fato de ele ter morrido ainda jovem, aos 39 anos, e a ocorrência quase em seguida de uma onda internacional de protestos em defesa dos direitos civis, de agitações estudantis e da mudança de costumes ditada pela contracultura. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Mas se é importante saber como se forjou o mito, isso não garante que se possa descontruí-lo. A imagem romântica do Che, mesmo não sendo verdadeira, está profundamente inculcada em corações e mentes como um símbolo da mais bela das utopias humanas, a de que o mundo um dia será habitado não por opressores e dominados, ricos e pobres, mas por iguais. Ou seja, em matéria de elevação do espírito humano, o mito vale mais que a realidade. Nesse caso, publique-se a lenda, diria o jornalista do filme de John Ford.&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8932554465723814869?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8932554465723814869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8932554465723814869' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8932554465723814869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8932554465723814869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/09/o-mito-guevara.html' title='O mito Guevara'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rv77FA8kpZI/AAAAAAAAACs/zQ61pJg-Xr8/s72-c/m_CheGuevara_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-9194407891697510507</id><published>2007-09-28T01:10:00.001-03:00</published><updated>2008-08-10T19:16:50.601-03:00</updated><title type='text'>Elis e Adoniran, no Bixiga</title><content type='html'>A tecnologia nos transporta no tempo. E jóias perdidas entre fragmentos da memória rebrilham, em registros recuperados. Que maravilha, esse site de vídeos do YouTube! A turma da velha guarda, misturada aos mais jovens, como que trabalha para que o passado não se perca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam, por exemplo, o que acabo de receber de um amigo. Um link para rever Elis Regina e Adoniran Barbosa, juntos, inicialmente num boteco do Bixiga, reduto italiano e da boemia paulistana, comendo e cantando, e depois caminhando pelas ruas do bairro. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Iracema&lt;/span&gt;, a que morreu atropelada por atravessar a rua na contramão, as pizzas voando na briga generalizada em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um Samba no Bixiga&lt;/span&gt;, o genial verso, um dos mais lindos da música popular brasileira, ‘Deus dá o frio conforme o cobertô’, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saudosa Maloca&lt;/span&gt;, essas preciosidades podem ser ouvidas nos dois vídeos, em seqüência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoniran foi um cronista de sua época. Poucos compositores conseguiram, como ele, pintar em sua música retratos tão nítidos do ambiente em que viviam. É como escreve o mestre Antônio Cândido. “Esta cidade que está acabando, que já acabou com a garoa, os bondes, o trem da Cantareira, o Triângulo, as cantinas do Bixiga, Adoniran não a deixará acabar, porque graças a ele ela ficará misturada vivamente com a nova mas, como o quarto do poeta, também, “intacta, boiando no ar”, diz ele, no texto que também pode ser visto no link, junto com os vídeos. Cândido refere-se à contínua transformação da cidade que a sua geração conheceu – “São Paulo muda muito, e ninguém é capaz de dizer aonde irá” - e à força com que o grande compositor a retratava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há ainda Elis Regina, com seu riso solar, bebendo cerveja de garrafa em copo Americano, o cigarro aceso nos dedos e cantando como nunca nenhuma cantora brasileira, antes ou depois, cantou ou consegue cantar. Clique &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;&lt;a href="http://www.almacarioca.com.br/arte059.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e se transporte para esse passado luminoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-9194407891697510507?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/9194407891697510507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=9194407891697510507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/9194407891697510507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/9194407891697510507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/09/elis-e-adoniran-no-bixiga.html' title='Elis e Adoniran, no Bixiga'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-3261989169274127909</id><published>2007-09-26T11:22:00.002-03:00</published><updated>2008-08-10T19:19:21.882-03:00</updated><title type='text'>A lição boliviana</title><content type='html'>A paralisia que acomete a Assembléia Constituinte da Bolívia deve estar preocupando a cúpula e a militância petistas, que sonham em mudar o capítulo da organização dos poderes, na Constituição brasileira, para dar ao seu guia dos povos Lula um terceiro mandato consecutivo como presidente da República. O que a experiência boliviana indica é que num regime democrático normal não basta a vontade de um partido majoritário, mesmo reforçado por legendas acolitadas, para se travestir um Congresso em constituinte e, com isso, mudar a Constituição a seu bel-prazer. Ou seja, para desgosto dos petistas, a frustração do projeto autocrático de Evo Morales na Bolívia mostra, mais uma vez, que o socialismo democrático não passa de uma utopia, quando não de balela. Regimes democráticos trazem incubados, sem exceção, o gérmen do individualismo, e não há doutrinação que possa remover essa herança do pecado original. Portanto, ou se tem um regime de exceção e se outorga uma Carta, como aconteceu em 1824 e 1937 no Brasil, na primeira vez pelas mãos do recém-nomeado imperador Pedro I e na segunda pelas de Getúlio Vargas, impondo o Estado Novo, ou é necessário haver uma situação fora do comum na vida nacional para que o conjunto da sociedade avalize a ação política suprema, a mudança de uma Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, essas situações excepcionais precederam quase todas as cinco Cartas promulgadas. Em 1891, com a proclamação da República. Em 1934, no primeiro governo Vargas, com o estabelecimento do voto universal e secreto, extensivo às mulheres, e a criação das Justiças Eleitoral e do Trabalho. Em 1946, com o fim da Segunda Guerra após a derrota do nazi-fascismo no mundo e a queda do Estado Novo no Brasil. E em 1988, com a redemocratização do país após o fim do ciclo militar e o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. A única exceção ocorreu em 1967, quando a Carta foi promulgada por um Congresso subjugado pelos militares, para pretensamente coonestar o bipartidarismo e a eleição indireta para presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Assembléia Constituinte boliviana, prestes a encerrar seus trabalhos de forma inglória, sem elaborar a nova Carta, segundo o jornal O Estado de S. Paulo de hoje esbarra entre outros nos impasses gerados pela disputa entre La Paz e Sucre em torno da nomeação como capital do país, pela insistência da oposição em manter a maioria de dois terços do Congresso para a aprovação da nova Constituição e pelas reivindicações de maior autonomia por parte dos departamentos (estados) de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda a dificuldade quase insuperável de se consolidar num texto sintético todas as cerca de 3 000 sugestões de artigos feitas pela sociedade civil. Coisas da latinidad. Como se mudar uma Constituição fosse pouco, num Congresso dividido em várias facções políticas, os bolivianos – assim como os brasileiros, em qualquer situação – pagam o preço de sua verborragia e incontinência de atitudes, somadas à ingenuidade de achar que tudo pode ser previsto, disposto e resolvido pela Constituição. Assim, mesmo que a Assembléia Constituinte conseguisse alcançar o objetivo de promulgar a nova Carta, esta nasceria com um defeito semelhante ao da atual Constituição brasileira. De tanto querer regular, tornaria o país ingovernável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-3261989169274127909?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/3261989169274127909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=3261989169274127909' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3261989169274127909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3261989169274127909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/09/lio-boliviana.html' title='A lição boliviana'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2497832256128610706</id><published>2007-09-10T03:03:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T03:04:22.032-03:00</updated><title type='text'>Um dilema fiscal</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;A manchete deste domingo do jornal O Estado de S. Paulo, de que a sonegação de impostos no Brasil atinge o equivalente a 30% do PIB, é de deixar qualquer um embasbacado. Ou seja, de acordo com uma estimativa do professor de finanças André Franco Montoro Filho, como a carga tributária chega a 35% do PIB, se todos pagassem direito seus impostos o montante que o governo arrecadaria por ano seria de 65%. Que empresa poderia continuar produzindo e empregando se fosse obrigada a recolher quase 70% de seu faturamento para o fisco? Não é à-toa que haja tanta sonegação. Mais do que um ato ilegal e de má cidadania, é questão de sobrevivência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A informalidade, no Brasil um quase sinônimo de sonegação de tributos, só tende a crescer quando o governo gasta mais do que deveria e, com isso, sufoca o setor privado. Mas o problema não se restringe aos camelôs. Aumenta também o número de microempresários, muitas vezes sem vocação nem talento, mas forçados a tentar um negócio próprio pela demissão e o desemprego. Sobrevivendo a duras penas, eles pouco diferem dos camelôs no que se refere às perspectivas de receita e crescimento. Segundo um dado recente, surgem por ano cerca de 450 000 novas empresas no país, sendo a grande maioria do tipo micro, de um dono só. Mais de metade delas fecha as portas antes de completar três anos. Em outras palavras, é desemprego disfarçado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A fome arrecadatória do governo, ao sufocar quem produz, impede também a economia brasileira de deslanchar. Neste ano, segundo se estima, o PIB deve crescer 5%. É mais do que nos anos passados, mas muito menos do que outros países em desenvolvimento, sobretudo os asiáticos, estão crescendo. Mas será que o governo realmente se preocupa com isso? Quanto mais impostos forem cobrados, maior se torna o Estado, e isso é exatamente o que o PT quer, com seu projeto socialista. Dirigentes do partido vão à China ver como é que se faz para combinar regime autoritário com economia aberta e em rápido crescimento. Talvez se desapontem. Lá, pelo menos,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;as coisas são feitas às claras, ao contrário daqui. E ao que se saiba não existe nenhuma tentativa de estatizar ou reestatizar empresas privadas, porque os dirigentes do PC chinês se preocupam em não afugentar os capitalistas externos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Quem sabe o pessoal do PT volte da viagem convencido de que isso de reestatizar a Companhia Vale do Rio Doce não passa de uma idiotice.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2497832256128610706?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2497832256128610706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2497832256128610706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2497832256128610706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2497832256128610706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/09/um-dilema-fiscal.html' title='Um dilema fiscal'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7012006880032029482</id><published>2007-08-28T00:17:00.001-03:00</published><updated>2008-08-10T19:19:55.605-03:00</updated><title type='text'>Vá pegar o seu dinheiro</title><content type='html'>Se você declarava Imposto de Renda antes de 1983, preste atenção: pode ser que haja um dinheirinho no banco para resgatar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumidamente, a história é a seguinte. Em 1967, o governo militar criou um incentivo fiscal chamado Fundo 157. As pessoas podiam aplicar nesse fundo usando uma pequena parte do imposto devido, no banco de sua escolha. Durante vários anos não era possível resgatar, de modo que muitas pessoas até se esqueceram do assunto depois que o incentivo acabou, em 1983. É claro, também, que apareceu muita empresa aproveitadora, que embolsava o incentivo fiscal e depois quebrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia, a Receita Federal avisou que uma parte do fundo podia ser resgatada, desde que houvesse decorrido um certo número de anos a partir da aplicação. Algumas pessoas se deram o trabalho de ir ao banco pegar o dinheiro, outras não. O fato é que, hoje, segundo se diz, existem cerca de 500 milhões de reais nos bancos, à espera de resgate por parte dos antigos aplicadores no Fundo 157.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você pensa ter algo a ver com essa história toda, vá ao site da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, autarquia tida como o xerife do mercado financeiro brasileiro. Digite &lt;a href="http://www.cvm.gov.br/"&gt;http://www.cvm.gov.br/&lt;/a&gt;, e procure no canto direito inferior da home page o espaço Acesso Rápido. Nele, clique em Consulta Fundo 157. Vai abrir uma janelinha para você digitar seu CPF. Pronto: o site mostra os bancos que provavelmente estão com o seu dinheiro, se você ainda não o resgatou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto é com você e o seu gerente de banco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7012006880032029482?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7012006880032029482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7012006880032029482' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7012006880032029482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7012006880032029482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/08/v-pegar-o-seu-dinheiro.html' title='Vá pegar o seu dinheiro'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5552164885937208650</id><published>2007-08-24T14:07:00.000-03:00</published><updated>2007-08-24T14:08:47.204-03:00</updated><title type='text'>A desídia da Anac</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Quanto mais se desvendam os eventos antecedentes, no curso das audiências pela CPI instalada no Congresso, mais se conclui que o pavoroso acidente com o Airbus da TAM poderia ter sido evitado se a Anac, a agência reguladora do transporte aéreo, não atuasse de modo tão irresponsável e desidioso por culpa de seu aparelhamento partidário. Foi de estarrecer a revelação feita pela desembargadora Cecília Marcondes de que liberou a pista principal de Congonhas para aviões de grande porte porque recebera das mãos de Denise Abreu, a diretora da agência que na CPI declarou ser o documento apenas de uso interno, a norma posta em vigor para proibir o uso de aeronaves com reverso travado pelas companhias operadoras. Agora se fica sabendo que numa reunião com técnicos do setor em dezembro passado a Anac foi informada do risco iminente de um avião ‘varar’ a pista de Congonhas, ou seja, não conseguir frear a tempo até o fim da pista, em situações de decolagem abortada ou de aterrissagem com velocidade e altura superior às normais. O curioso é que a ata comprometedora da reunião foi revelada pela própria Denise, em novo depoimento dado à CPI, ontem. Candura ou manobra sorrateira para tentar afastar de si as suspeições? &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Como se não bastasse, pilotos de onze diferentes aviões contaram à polícia que na véspera do acidente, dia 16 de julho, quando chovia mas não tanto quanto no dia seguinte &lt;st1:personname productid="em São Paulo" st="on"&gt;em  São Paulo&lt;/st1:PersonName&gt;, enfrentaram dificuldades para pousar &lt;st1:personname productid="em Congonhas. Dois" st="on"&gt;em Congonhas. Dois&lt;/st1:PersonName&gt; disseram que por pouco não ‘vararam’ a pista, de acordo com reportagem publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um terceiro, que derrapou e foi parar na grama. E todos, que a pista parecia um sabonete de tão escorregadia, por falta do grooving, as ranhuras que só agora estão sendo colocadas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Mesmo assim o aeroporto estava liberado para pousos e decolagens de aviões de grande porte, porque a desembargadora Cecília, enganada pela diretora Denise, da Anac, derrubou em fevereiro a restrição decretada dias antes pelo juiz Ronald de Carvalho Filho. É evidente, diante de todos esses relatos, que a diretora da agência agiu para favorecer as companhias aéreas, ao invés de fiscalizá-las com rigor, como seria de seu dever. Por que ela o fez? Isso já é assunto de polícia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5552164885937208650?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5552164885937208650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5552164885937208650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5552164885937208650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5552164885937208650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/08/desdia-da-anac.html' title='A desídia da Anac'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-323715028788069574</id><published>2007-08-24T13:10:00.001-03:00</published><updated>2008-12-11T17:26:42.388-02:00</updated><title type='text'>A velocidade dos dinos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rs8DJYFjfBI/AAAAAAAAACk/FSWS0gmgTL4/s1600-h/m_dino_edited.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rs8DJYFjfBI/AAAAAAAAACk/FSWS0gmgTL4/s400/m_dino_edited.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102300362453515282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O malvado Velociraptor que aterrorizava criancinhas, no filme de Spielberg&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="Blog"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-size:100%;" &gt;Meu amigo Rodolfo Lucena, editor de Informática da Folha de S. Paulo, mantém um interessante blog no site do jornal a respeito de corridas, praticante que é dessa modalidade esportiva. Entre os posts mais recentes, Lucena falou de uma corrida de mulheres de salto alto em Berlim, na Alemanha, e de homens e mulheres vestidos de Elvis Presley pelas ruas de Minneapolis, nos Estados Unidos, além de publicar uma extensa entrevista com Monica Otero, uma brasileira de 51 anos, mãe de dois filhos e sobrevivente de um câncer do intestino que se tornou a primeira mulher sul-americana a completar a ultramaratona de Badwater, considerada a mais difícil do mundo. Para se ter uma idéia, os participantes dessa corrida percorrem ao todo &lt;st1:metricconverter productid="217 quilômetros" st="on"&gt;217 quilômetros&lt;/st1:metricconverter&gt; de extensão, ou seja, mais de cinco vezes uma maratona normal. Como se não bastasse, atravessam no caminho o deserto de Mojave, na Califórnia, a uma temperatura de mais de 50 graus centígrados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Agora o mais impagável mesmo dos posts recentes é o da velocidade dos dinossauros. Vale ler o texto abaixo, transcrito do blog de Lucena, que se chama +Corrida, e pode ser visitado por este &lt;u&gt;link&lt;/u&gt;. É injusto classificar informações desse tipo como de cultura inútil. Afinal, todos sabemos como pode faltar assunto quando menos se espera numa reunião social ou numa roda de amigos, não é mesmo?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;!--[if gte vml 1]&gt;&lt;v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"&gt;  &lt;v:stroke joinstyle="miter"&gt;  &lt;v:formulas&gt;   &lt;v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @0 1 0"&gt;   &lt;v:f eqn="sum 0 0 @1"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @2 1 2"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @0 0 1"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @6 1 2"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @8 21600 0"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @10 21600 0"&gt;  &lt;/v:formulas&gt;  &lt;v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"&gt;  &lt;o:lock ext="edit" aspectratio="t"&gt; &lt;/v:shapetype&gt;&lt;v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" alt="" style="'position:absolute;" allowoverlap="f"&gt;  &lt;v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\MRIO~1\CONFIG~1\Temp\msohtml1\03\clip_image001.jpg" title="dino"&gt;  &lt;w:wrap type="square"&gt; &lt;/v:shape&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !vml]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Meu caro amigo, vivesse você no tempo dos dinossauros e teria de ser um corredor muito, mas muito bom mesmo para conseguir escapar do brutamontes Tiranossauro Rex.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Apesar de seu tamanhão todo, o terrível carnívoro conseguia correr a quase &lt;st1:metricconverter productid="29 km/h" st="on"&gt;29 km/h&lt;/st1:metricconverter&gt;, o que dá pouquinha coisa a mais do que dois minutos por quilômetro, para usar uma medida mais palpável para nosso universo corredor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Essa foi a conclusão de um estudo realizado na Universidade de Manchester sob o comando do especialista &lt;st1:personname productid="em biomec￢nica Bill Sellers" st="on"&gt;em biomecânica Bill Sellers&lt;/st1:personname&gt; e do paleontologista Philip Manning.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Eles usaram um supercomputador para tentar determinar as velocidades de cinco tipos de dinossauros bípedes: Compsognathus, Velociraptor, Tyrannosaurus rex, Dilophosaurus e Allosaurus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;De acordo com o modelo desenvolvido, que foi calibrado com base em dados da velocidade de um atleta profissional de &lt;st1:metricconverter productid="71 kg" st="on"&gt;71 kg&lt;/st1:metricconverter&gt;, o mais rápido foi o Compsognathus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Pouco conhecido do grande público, esse pequeno ser que viveu há cerca de 1560 milhões de anos tinha apenas &lt;st1:metricconverter productid="3 kg" st="on"&gt;3  kg&lt;/st1:metricconverter&gt; e uma estrutura óssea semelhante à de um lagarto. Ele conseguia correr cem metros em pouco mais de seis segundos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Um espécime médio atingia velocidades de até &lt;st1:metricconverter productid="64 km/h" st="on"&gt;64 km/h&lt;/st1:metricconverter&gt;, segundo o estudo publicado em &lt;a href="http://www.journals.royalsoc.ac.uk/content/v032u7800u0l7u21/" target="_blank"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;color:#000000;" &gt;"Proceedings of the Royal Society"&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, o que o torna provavelmente o mais rápido bípede de todos os tempos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Deixaria no chinelo a superveloz avestruz, a campeã dos seres de duas pernas nos dias de hoje. Segundo o modelo, um exemplar de &lt;st1:metricconverter productid="65 kg" st="on"&gt;65 kg&lt;/st1:metricconverter&gt; corre a apenas &lt;st1:metricconverter productid="55,4 km/h" st="on"&gt;55,4 km/h&lt;/st1:metricconverter&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;O Comps (para os íntimos, é claro) também dava um banho no feroz Velociraptor (foto), que foi alçado ao estrelato da violência pelo filme "Parque Jurássico". O malvadão atingia no máximo meros &lt;st1:metricconverter productid="40 km/h" st="on"&gt;40 km/h&lt;/st1:metricconverter&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Claro que tudo isso é um modelo criado em computador, baseado em expectativas de desempenho de acordo com a estrutura óssea e a musculatura. Há registros de avestruzes de verdade, por exemplo, correndo a mais de &lt;st1:metricconverter productid="63 km/h" st="on"&gt;63 km/h&lt;/st1:metricconverter&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;span style="line-height: 200%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Ao que os pesquisadores respondem que provavelmente também haveria Comps capazes de desempenho melhor que o previsto pelo supercomputador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-323715028788069574?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/323715028788069574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=323715028788069574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/323715028788069574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/323715028788069574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/08/velocidade-dos-dinos.html' title='A velocidade dos dinos'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rs8DJYFjfBI/AAAAAAAAACk/FSWS0gmgTL4/s72-c/m_dino_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7287393482799364988</id><published>2007-08-10T19:18:00.001-03:00</published><updated>2008-08-10T19:20:38.607-03:00</updated><title type='text'>A queda da bolsa</title><content type='html'>Se você é investidor e tem parte do seu suado dinheirinho aplicada na bolsa, pode estar se perguntando, a propósito da atual queda: o comprador americano de casa própria resolve dar um calote e sou eu que pago a conta? Pois é disso mesmo que se trata, porque a crise do mercado imobiliário nos Estados Unidos lança uma sombra de incerteza sobre o futuro da economia daquele e de outros países ricos, e por extensão, de todo o planeta, com reflexos inevitáveis nas bolsas de valores. Mas o mais curioso neste momento, em que o mundo torce para que não sobrevenha o pior, é observar o motivo principal da queda no preço das ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer estapafúrdio, mas acontece o seguinte: assustados com a crise imobiliária americana, os grandes investidores procuram melhorar seu grau de proteção.  É natural que o façam, pois bancos internacionais já estão se negando a emprestar dinheiro para as companhias financiadoras de imóveis dos Estados Unidos, e sem crédito a crise nesse mercado só tende a aumentar. E como os grandes investidores se protegem? Vendendo suas posições em ativos no Terceiro Mundo, cujos países são eufemisticamente chamados de emergentes. Ou seja, tiram o dinheiro da bolsa do Brasil e de outros lugares assim e vão comprar o quê? Títulos do Tesouro americano, considerados os mais seguros do mundo. Entenda bem: o problema surgiu nos Estados Unidos, mas é justamente para lá que correm os grandes investidores em busca de proteção. Não é absurdo, é real. E o investidor brasileiro paga a conta, com a bolsa em queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donde se conclui que pobre nasceu mesmo é para financiar o consumismo dos ricos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7287393482799364988?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7287393482799364988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7287393482799364988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7287393482799364988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7287393482799364988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/08/queda-da-bolsa.html' title='A queda da bolsa'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5996902727524505459</id><published>2007-08-09T13:37:00.000-03:00</published><updated>2007-08-09T13:38:21.088-03:00</updated><title type='text'>Democracia de fachada</title><content type='html'>&lt;p class="Blog"&gt;Criminosos quase sempre alegam inocência de início, por mais que as evidências reunidas contra eles digam o contrário, e se houver uma brecha tentam lançar a suspeição sobre outros. Da mesma forma, algumas figuras políticas do país fazem pouco da inteligência média dos brasileiros e procuram passar versões conspiratórias nas quais assumem, invariavelmente, o papel de vítimas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, especialista na matéria, atribui à oposição um insopitável desejo golpista. O ainda presidente do Senado, Renan Calheiros, infringe o segundo mandamento ao invocar o nome de Deus em vão, ou seja, em favor de sua proclamada inocência. O ministro da Justiça, Tarso Genro, na condição de chefe supremo da Polícia Federal, busca impingir o conto da carochinha de que os dois boxeadores cubanos localizados, presos e deportados em tempo recorde quiseram voltar de moto próprio para a ilha de Fidel e o esperado garrote. E o presidente Lula, cujo apego à figura lingüística ‘nunca-antes-neste-país’ beira o paroxismo, depois de apresentar-se ontem, na capital da Nicarágua, onde pelo menos não enfrenta vaias, como o ‘único presidente’ que nunca se queixou do Congresso, soltou esta pérola, a propósito do Renangate: “Precisamos aprender a conviver com a democracia e com os percalços da democracia, que é boa, às vezes incomoda, mas ainda é o melhor regime para que a gente possa viver tranqüilamente”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A quem pensam que enganam? A que platéia se dirigem, formada toda ela por néscios e incautos? Pois Dirceu, portador do belo nome dos poemas líricos de Tomás Antônio Gonzaga – embora não ame Marília -, ao contrário do inconfidente mineiro, português de nascimento, longe de conspirar por uma boa causa nunca fez nada senão atentar contra a democracia. É o último, portanto, que pode falar &lt;st1:personname productid="em golpe. Renan" st="on"&gt;em golpe. Renan&lt;/st1:PersonName&gt;, se fosse tão temente a Deus, com certeza exibiria contas mais comprováveis e origens menos nebulosas sobre seus bens. E quanto a Tarso e a Lula, o mínimo que se pode cobrar deles é um pouco mais de seriedade na ocupação de suas funções públicas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Um afirmar que os cubanos pediram para retornar ao país do qual tentaram fugir, e outro exortar as liberdades democráticas quando na verdade trabalha para destruí-las, seja servindo de patrono a iniciativas petistas como as de montar um Conselho Federal de Jornalismo, reclassificar os cidadãos por critério de raça, acabar com as agências reguladoras&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e planejar uma Constituinte para moldar um poder virtualmente monopartidário e unipessoal para o futuro, seja ordenando, ou no mínimo admitindo, a deportação sumária de dois estrangeiros em condição regular no país - falta acima de tudo verossimilhança à encenação. Como numa peça de teatro de má qualidade, o espectador não se convence, muito menos se deixa cativar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;No caso dos cubanos, falta esclarecer o essencial. O governo precisa explicar à sociedade por que optou pela deportação sumária, ao arrepio da lei e da Justiça. Precisa ainda dizer por que manteve os dois presos incomunicáveis, longe da imprensa, quando nada havia naquele momento que pudesse prejudicar uma investigação policial. E precisa, por fim, definir em qual ou quais situações outras deportações desse tipo poderão ocorrer, por iniciativa do governo e contrariando convenções internacionais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Enquanto não se esclarecer a questão, o Brasil viverá em insegurança jurídica, própria de regimes ditatoriais. E exortações democráticas, venham de quem vier, soarão falsas e sem conteúdo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5996902727524505459?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5996902727524505459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5996902727524505459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5996902727524505459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5996902727524505459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/08/democracia-de-fachada.html' title='Democracia de fachada'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5258904900365636197</id><published>2007-08-05T00:45:00.002-03:00</published><updated>2008-12-11T17:26:42.861-02:00</updated><title type='text'>Lula, Hitchcock e Doris Day</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/RrVIDlHdleI/AAAAAAAAACc/Zf5K63WLtZA/s1600-h/m_cartaz_edited.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095057779779802594" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/RrVIDlHdleI/AAAAAAAAACc/Zf5K63WLtZA/s400/m_cartaz_edited.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Cartaz do filme de 1956, de Hitchcock&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;O editorial de ontem do Estadão, no qual o jornal critica a atitude do presidente Lula de sempre alegar desconhecimento para livrar-se de responsabilidades - &lt;em&gt;O homem que sabia de menos&lt;/em&gt; -, começa logo no título com uma feliz inversão do nome de um filme famoso de Alfred Hitchcock, &lt;em&gt;O Homem que Sabia Demais&lt;/em&gt; (The Man Who Knew Too Much, de 1956, refilmagem da versão original, de 1934, do mesmo diretor). A alusão é perfeita, porque se Lula diz nunca saber de nada para evitar complicações, o pacato turista interpretado por James Stewart no filme só enfrenta problemas, para ele e a família, depois de ouvir involuntariamente a confidência de um moribundo, esfaqueado por seus comparsas terroristas, no Marrocos, sobre um plano de assassinato de um figurão político em Londres, em meio a um concerto no Royal Albert Hall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com todas as suas qualidades, o filme de Hitchcock é mais lembrado hoje pela música cantada por Doris Day, &lt;em&gt;Que Sera, Sera&lt;/em&gt;, um clássico de Jay Livingston e Ray Evans, premiado com o Oscar de melhor canção em 1957. Doris celebrizou-se pelos papéis de loura ingênua nas comédias que fez com Rock Hudson em fins dos anos 50, a ponto de Grouxo Marx afirmar que a conhecera ‘quando ela ainda não era virgem’. Pura maldade, porque mais do que ótima atriz ela era excepcional cantora, uma das artistas mais luminosas da constelação de talentos que imortalizou uma época de ouro da grande canção americana – e que, como tal, merecia um pouco mais de respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando menina, Doris Mary Ann von Kappelhoff, filha de pais alemães divorciados, nascida em 3 de abril de 1924 em Cincinatti, Ohio, queria ser bailarina. Aos 14, no entanto, sofreu um grave acidente automobilístico que a obrigou a abandonar o sonho. O mundo perdeu uma bailarina, talvez com talento, mas ganhou uma cantora soberba. Aos 16 anos Doris já estreava como crooner na banda de Les Brown, e nas três décadas que se seguiram gravou um extenso repertório de clássicos, trafegando entre o jazz e o pop tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rápido apanhado dá uma idéia da riqueza de sua discografia. Além de &lt;em&gt;Que Sera, Sera&lt;/em&gt; e de &lt;em&gt;Secret Love&lt;/em&gt;, de Sammy Fain e Paul Francis Webster, outra canção premiada com o Oscar, do filme em que ela interpretou a pistoleira, no bom sentido, Jane Calamidade, em &lt;em&gt;Ardida como Pimenta&lt;/em&gt; (Calamity Jane, de 1953), Doris gravou ao longo de sua carreira musical as seguintes, entre outras obras-primas da canção americana legítima e peças importadas: &lt;em&gt;Autumn Leaves&lt;/em&gt; (de Joseph Kosma), &lt;em&gt;Night and Day&lt;/em&gt; (de Cole Porter), &lt;em&gt;April in Paris, I Love Paris&lt;/em&gt; (também de Porter), &lt;em&gt;Bewitched, Blue Moon, By the Light of the Silvery Moon, Domino, Dream a Little Dream of Me, Fascination, I’m in the Mood for Love, It Had to be You, It’s Magic, My Blue Heaven, Sentimental Journey, Serenade in Blue, Stardust&lt;/em&gt; (de Hoagy Carmichael e Mitchell Parish), &lt;em&gt;You’ll Never Know, September Song&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Summertime&lt;/em&gt;. Não há como não se emocionar com a sensibilidade demonstrada por Doris na sublime &lt;em&gt;Domino&lt;/em&gt;, de Louis Ferrari e Jacques Plante, vertida para o inglês por Don Raye, ou com sua técnica impecável no dueto histórico com Bing Crosby em &lt;em&gt;Baby, It’s Cold Outside&lt;/em&gt;. Outro grande dueto seu foi com Frankie Laine, em &lt;em&gt;Sugarbush&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é jovem demais para ter visto ou ouvido Doris Day, ou se tem idade para querer apreciá-la de novo, clique aqui para ver os vídeos postados no YouTube, &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kwDWNKgD_rM"&gt;Que Sera, Sera&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, com cenas do filme, e um clipe caseiro com &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2ystiu3CLms"&gt;Baby, It’s Cold Outside&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; ao fundo. E em tempo: como diz a legenda do cartaz antigo de &lt;em&gt;O Homem que Sabia Demais&lt;/em&gt;, às vezes conhecer algo, mesmo que pouco, pode trazer um grande perigo. É o que deve pensar Lula.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5258904900365636197?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5258904900365636197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5258904900365636197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5258904900365636197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5258904900365636197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/08/lula-hitchcock-e-doris-day.html' title='Lula, Hitchcock e Doris Day'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/RrVIDlHdleI/AAAAAAAAACc/Zf5K63WLtZA/s72-c/m_cartaz_edited.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5651033474690855104</id><published>2007-08-04T20:13:00.003-03:00</published><updated>2008-08-10T19:05:09.150-03:00</updated><title type='text'>Negócio bilionário</title><content type='html'>Com a compra, inesperada pelo mercado, da Suzano Petroquímica por 2,7 bilhões de reais, em seqüência à participação adquirida no grupo Ipiranga, em conjunto com a Braskem e a Unipar, num negócio de 4 bilhões de dólares, a Petrobrás se recoloca como um dos protagonistas da indústria petroquímica no país. Ela, que liderou a implantação dessa indústria no Brasil por meio de sua ex-subsidiária Petroquisa, criada 40 anos atrás, praticamente se afastou da área na década de 90, por decisão governamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final dos 80, para se ter uma idéia, a Petroquisa, incorporada à Petrobrás em 2006, participava de 36 empresas, que no conjunto respondiam por mais de 70% da produção de petroquímicos no país. A Petroquisa atuou também como o elemento catalisador na criação dos três pólos petroquímicos regionais, em São Paulo, na Bahia e no Rio Grande do Sul. Entre 1992 e 1997, com o Programa Nacional de Desestatização, a companhia se desfez da maioria de suas participações em outras empresas. Mas agora, com a aquisição da Suzano Petroquímica, fabricante de polipropileno, matéria-prima plástica, a Petrobrás volta a controlar quase um terço da indústria petroquímica no Brasil, segundo O Estado de S. Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom para a Petrobrás e para seus acionistas, embora, segundo alguns especialistas, a estatal tenha pago 2,7 bilhões por uma empresa que valia, no máximo, 1,5 bilhão de reais. “A precificação de mercado é uma coisa momentânea e, para nós, essa aquisição é uma estratégia de longo prazo”, explicou Flávio Valadão, representante do banco ABN Amro, instituição intermediária na transação, em nome da Petrobrás. O que é péssimo é que, novamente, segundo noticia o Estadão, houve vazamento de informação privilegiada, assim como no caso Ipiranga. A Comissão de Valores Mobiliários, CVM, já está à caça das pessoas que se valeram da antecipação interna da notícia da compra da Suzano Petroquímica para investirem em suas ações na bolsa. A prática do crime de &lt;em&gt;inside information&lt;/em&gt;  dá cadeia nos Estados Unidos. Aqui, no máximo, resulta em multa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5651033474690855104?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5651033474690855104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5651033474690855104' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5651033474690855104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5651033474690855104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/08/negcio-bilionrio.html' title='Negócio bilionário'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2952194178341240856</id><published>2007-07-31T17:05:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:26:43.132-02:00</updated><title type='text'>O governo volta atrás</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rq-WeVHdldI/AAAAAAAAACU/mm3803xQvFo/s1600-h/mapa_aeroporto_edited.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rq-WeVHdldI/AAAAAAAAACU/mm3803xQvFo/s400/mapa_aeroporto_edited.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093455151388005842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p style="font-family: arial;" class="Blog"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mapa do percurso do Expresso Aeroporto e de outros trens entre São Paulo e Guarulhos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="Blog"&gt;Dez dias depois de o presidente Lula ter anunciado a construção de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo, o governo voltou atrás e decidiu optar pela ampliação do aeroporto de Cumbica, para este receber os vôos transferidos de Congonhas. Prevaleceu na reunião de ontem no Palácio do Planalto, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a posição do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que numa conversa com o governador paulista José Serra teria sido convencido a adotar essa solução, mais ‘sensata’ do que a do novo aeroporto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Trata-se de uma boa notícia, porque se governos – este, em especial – erram, é melhor consertar o erro a tempo do que persistir nele só para não dar o braço a torcer. E também porque, se um governador da oposição mostrou desprendimento para sugerir uma solução mais viável, o governo federal revelou humildade para aceitá-la. Não se poderia esperar outra atitude, tanto da oposição quanto da situação, quando o interesse do país está em jogo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;A construção de uma segunda pista principal em Cumbica permitirá praticamente dobrar a capacidade instalada para pousos e decolagens de jatos de grande porte no aeroporto, porque a pista auxiliar, já em uso, serve mais para os aviões menores. O obstáculo apontado pelo brigadeiro José &lt;st1:personname productid="Carlos Pereira" st="on"&gt;Carlos Pereira&lt;/st1:PersonName&gt;, que está sendo substituído na presidência da Infraero por Jobim, a desapropriação de cerca de 5 000 imóveis para liberar uma área de escape para a nova pista, não representa nenhum grande problema. A um valor estimado de 50 000 reais por imóvel, naquela região de baixa renda, a desapropriação não custaria mais do que 250 milhões de reais, uma bagatela diante do que se gastaria com a construção de um aeroporto completo para vôos nacionais e internacionais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Serra, segundo a reportagem de Vera Rosa e Leonencio Nossa, da sucursal de Brasília do jornal, quer também construir uma ferrovia entre Cumbica e o centro de São Paulo, com ajuda financeira do governo federal. Teria ainda falado a Jobim da conveniência de se ampliar o terminal de passageiros de Viracopos e construir uma nova pista rodoviária expressa entre Campinas e São Paulo, para melhorar a vazão dos usuários daquele aeroporto, o qual funciona como regra três de Cumbica, em dias de neblina intensa na região de Guarulhos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Das palavras aos atos, hoje mesmo o governo paulista divulgou oficialmente a notícia de que a ferrovia começará a ser construída no início do próximo ano, e estará pronta em 2010. O custo total estimado é de 3,4 bilhões de reais, mas o erário deverá arcar com apenas uma parte dele, porque o principal ficará com o consórcio privado vencedor da licitação pública, no regime das parcerias público-privadas, PPP, que na área federal não saem do papel.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De acordo com o projeto de referência desenvolvido pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, CPTM, o Expresso Aeroporto – nome do trem expresso – percorrerá os &lt;st1:metricconverter productid="31 quilômetros" st="on"&gt;31 quilômetros&lt;/st1:metricconverter&gt; do trajeto em apenas 20 minutos, andando a &lt;st1:metricconverter productid="100 quilômetros" st="on"&gt;100 quilômetros&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;por hora. O intervalo de saída dos trens será de 12 minutos, e 20 000 passageiros poderão ser transportados por dia. Haverá dois tipos de transporte. Um, o Expresso Aeroporto, ligará a capital ao aeroporto de Cumbica com poucas paradas. O outro, chamado Trem de Guarulhos, destina-se a usuários que moram naquela região, parando em várias estações até chegar ao Parque Cecap, &lt;st1:personname productid="em Guarulhos. De" st="on"&gt;em Guarulhos. De&lt;/st1:PersonName&gt; acordo com um mapa divulgado na ocasião do anúncio pelo governo paulista, o Expresso Aeroporto sairá da estação metro-ferroviária do bairro da Barra Funda, e passará pelas estações da Luz e do Brás, antes de deixar a capital com destino a Guarulhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="Blog"&gt;Deve existir algum impedimento topográfico para a extensão da ferrovia de São Paulo até Campinas, passando por Guarulhos, para Serra ter pensado nessa alternativa. Porque, pela lógica, seria muito mais prático aos passageiros se locomoverem usando um único meio de transporte, no caso um trem expresso, do que dois ou mais. De qualquer forma, a solução apresentada pelo governador permite vislumbrar, mais cedo que se imaginava, a possibilidade de desativar para sempre o fatídico aeroporto de Congonhas para aviões de grande porte.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2952194178341240856?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2952194178341240856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2952194178341240856' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2952194178341240856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2952194178341240856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/07/o-governo-volta-atrs.html' title='O governo volta atrás'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rq-WeVHdldI/AAAAAAAAACU/mm3803xQvFo/s72-c/mapa_aeroporto_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-5297352033403768217</id><published>2007-07-26T16:20:00.000-03:00</published><updated>2007-07-26T16:21:17.224-03:00</updated><title type='text'>Erro de origem</title><content type='html'>As agências reguladoras nacionais foram concebidas, à época do governo Fernando Henrique Cardoso, como entidades autônomas e suprapartidárias, que atuassem principalmente com o objetivo de dar segurança aos investidores privados e assegurar serviços de boa qualidade aos consumidores, atendendo sempre ao interesse nacional. Destinavam-se, portanto, a trabalhar a serviço do Estado, ou seja, da Nação, e não do governo.&lt;br /&gt;O governo do PT nunca se contentou com esse figurino das agências. Desde o primeiro momento quis subordiná-las ao poder central, tanto é que já em 2003 constituiu uma comissão interministerial para redefinir suas atribuições. Em seguida, dando de ombros para a insegurança institucional que essa atitude trazia ao setor privado, passou também a nomear apaniguados e correligionários para a direção das agências.&lt;br /&gt;A Anac, do transporte aéreo, foi criada já neste governo, tendo passado a operar em 2006. Seu aparelhamento com quadros partidários e sua atuação para lá de suspeita no trato com as companhias aéreas, a quem deveria fiscalizar para coibir abusos contra os consumidores, não são portanto de surpreender, no ambiente de cosa nostra em que também as agências foram colocadas.&lt;br /&gt;O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, assumiu o cargo prometendo mais comando para combater a crise do transporte aéreo, além de admitir a possibilidade de haver demissões na diretoria da Anac. Para ele, o mandato fixo e a estabilidade no cargo dos diretores, garantidos na lei de criação da agência, constituem um “problema legal”, que deve ser debatido para uma eventual mudança. “Precisamos trabalhar em cima de resultados”, afirma o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal - notabilizado naquele cargo pelos sistemáticos votos favoráveis que deu ao governo Lula -, em reportagem publicada hoje no jornal Valor. “Se houver necessidade, haverá um debate. Essas estruturas (as agências reguladoras) foram feitas para dar resultados, não para ser mantidas.”&lt;br /&gt;Jobim não falou mais do que o óbvio. O problema é que uma intervenção na Anac aumentaria ainda mais a insegurança sentida pelo setor privado em relação ao chamado marco regulatório. Nesse caso, a emenda poderia sair pior que o soneto. Donde se conclui que o melhor, mesmo, era não ter errado na origem. Com uma direção mais técnica e menos aparelhada, a Anac não precisaria agora do conserto que Jobim pensa em fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-5297352033403768217?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/5297352033403768217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=5297352033403768217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5297352033403768217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/5297352033403768217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/07/erro-de-origem.html' title='Erro de origem'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7171310941421954179</id><published>2007-07-24T17:29:00.000-03:00</published><updated>2007-07-24T18:18:41.361-03:00</updated><title type='text'>A tragédia do Airbus</title><content type='html'>Marcos Villares identifica-se como sobrinho-bisneto de Santos-Dumont. Leiam a carta que ele mandou para a seção de leitores do jornal O Estado de S. Paulo de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Prezada leitora sra. Elza Ramirez (Pobre Santos-Dumont, 23/7), os familiares e descendentes de Alberto Santos-Dumont se sentem muito honrados e gratificados com a existência da Medalha “Mérito Santos Dumont”, que visa a lembrar nosso grande pioneiro da aviação, patrimônio de todos os brasileiros. Entretanto, a família não exerce nenhuma influência sobre os critérios de escolha e concessão da medalha. Em 20/7, vi no &lt;em&gt;Jornal Nacional&lt;/em&gt; que os diretores da Anac foram agraciados com a referida medalha. Na ocasião eu me encontrava na cidade de Santos-Dumont (MG), na residência de Mônica Castello Branco, diretora da Fundação Casa Natal de Santos-Dumont. Comentei com Mônica que, na minha opinião, quem deveria receber a medalha, &lt;em&gt;in memoriam&lt;/em&gt;, eram as vítimas dos acidentes do vôo 1907 da Gol e do vôo 3054 da TAM. Na manhã do dia 20 eu havia participado da cerimônia em comemoração aos 134 anos de nascimento de Santos-Dumont, na casa onde ele nasceu, em Cabangu. Ao lado da pequena casa caiada de branco, que foi construída por seu pai, Henrique, a Bandeira Nacional foi içada ao toque de corneta. Depois, a Bandeira baixou a meio-pau e se fez um minuto de silêncio. Todos nós externamos nosso pesar pela perda de tantas vidas, assim como fez toda a Nação (quase toda, a julgar pelos gestos grosseiros e desrespeitosos dos srs. Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar). Espero, sinceramente, que os responsáveis pelo transporte aéreo em nosso país resolvam imediatamente os gravíssimos problemas por que o setor atravessa, para que não tenhamos de chorar por novas vítimas e para que a morte de tantos brasileiros não tenha sido em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bela carta. Mas Villares alimenta uma esperança infundada. A tragédia do Airbus da TAM foi fruto do somatório de incompetências, leniências e covardias do governo federal, junto com seus órgãos controladores e operadores da aviação civil, e da ganância das companhias aéreas. Por isso, não há solução à vista para a crise no setor. Rezemos apenas para não prantear novas mortes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não se pode esperar por nada melhor quando há uma ministra que manda ‘relaxar e gozar’ diante do caos nos aeroportos, a passageiros que dormem sobre bancos e têm o vôo adiado por até uma semana. Ou com um ministro que faz aquele gesto obsceno para comemorar a notícia de que o Airbus voava com um reverso desativado. Ou ainda com um presidente da Anac que, escandalosamente condecorado pelo governo quando ainda chamas ardiam nos escombros do prédio atingido pelo avião, ousa afirmar que o órgão ‘não tem nenhuma responsabilidade’ pela crise. Se a Anac, a agência reguladora do transporte aéreo no país, não tem, quem teria?&lt;br /&gt;Em comum, todos esses pilatos do setor público procuram em primeiro lugar livrar a própria cara e, em segundo, a do governo que lhes dá a boquinha e de seus cupinchas. Os passageiros desamparados e os familiares das vítimas que se danem.&lt;br /&gt;O Pan está aí para provar. Com um pouco de apoio, o brasileiro vai longe. Ele merece um governo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oooooooooooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse mais competente, o governo não teria anunciado a construção de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo. Trata-se da pior das soluções, a mais demorada e a mais cara. A escolha só pode ter se dado pela possibilidade de beneficiar os cupinchas com o superfaturamento das obras e as contribuições ao partido do governo.&lt;br /&gt;Custaria muito menos dinheiro construir uma segunda pista em Guarulhos e ligar o aeroporto ao centro de São Paulo por trem expresso. Parte da infra-estrutura necessária até já existe, porque esse trem poderia interligar-se ao sistema metro-ferroviário da capital paulista, com o aproveitamento de estações já prontas. A nova ferrovia passaria por Guarulhos e se estenderia até Campinas, onde fica o aeroporto de Viracopos, também mais moderno que Congonhas. Diante do congestionamento nas principais avenidas de São Paulo, pode-se apostar cem contra um que o embarque por Guarulhos ou Viracopos seria mais rápido que por Congonhas, nos horários de pico, com o trem expresso.&lt;br /&gt;O maior ônus financeiro pela construção da ferrovia poderia ficar com a iniciativa privada, por meio de uma concessão para a exploração do serviço. A rentabilidade do negócio poderia ser assegurada com a lotação dos trens com passageiros sem bilhete aéreo, que pagariam a tarifa normal pelo transporte, e pelos passageiros das companhias aéreas que viajariam de graça por já ter pago um aumento na taxa de embarque do aeroporto. O aumento dessa taxa ocorreria em Guarulhos, Viracopos e mesmo Congonhas, caso este não seja interditado, e nos demais aeroportos do país para passageiros com destino a São Paulo.&lt;br /&gt;É uma solução simples, barata e definitiva. E é de espantar que ninguém no governo tenha pensado nela.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7171310941421954179?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7171310941421954179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7171310941421954179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7171310941421954179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7171310941421954179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/07/tragdia-do-airbus.html' title='A tragédia do Airbus'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2914974976539944517</id><published>2007-07-13T21:36:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T21:37:43.516-03:00</updated><title type='text'>E começou o Pan</title><content type='html'>Quando o feito é muito grande, as palavras se tornam inúteis. Mas falar da abertura oficial do Pan, a 15ª. edição dos Jogos Pan-Americanos, realizada neste início de noite no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, é um imperativo de consciência.&lt;br /&gt;Poucas vezes se terá visto, mesmo no evento maior que são os Jogos Olímpicos, tanta beleza,  emoção e nacionalidade na cerimônia de abertura.  A festa de cores, sons e ritmo foi, na falta de outra palavra, maravilhosa.&lt;br /&gt;No mais, dois registros para a posteridade. Um, a sonora vaia que tomou o presidente Lula, tanto quando se anunciou sua presença no estádio quanto no momento de ele declarar abertos os Jogos. Então, talvez por constrangimento, Lula abdicou da prerrogativa, quebrando o protocolo – cabe aos chefes de Estado fazer o anúncio oficial, como vem acontecendo desde o primeiro Pan, realizado em Buenos Aires, em 1951. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e da organização do evento, Carlos Arthur Nuzman, precisou tomar o seu lugar. O outro, a delicadeza que Adriana Calcanhoto imprimiu ao interpretar a canção de ninar de Dorival Caymmi, uma obra-prima comparável à Lullaby de Brahms. Sentada naquela enorme cadeira, Adriana protagonizou um dos momentos mais tocantes da festa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2914974976539944517?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2914974976539944517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2914974976539944517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2914974976539944517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2914974976539944517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/07/e-comeou-o-pan.html' title='E começou o Pan'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7145577469748546477</id><published>2007-06-21T12:00:00.000-03:00</published><updated>2007-06-21T12:01:15.396-03:00</updated><title type='text'>Uma nação de cínicos?</title><content type='html'>O leitor Adolfo Zatz e o colunista Luis Fernando Veríssimo, cada qual a seu modo, expressam no Estadão de hoje essa estranha sensação, que parece dominar o país, de que nenhuma corrupção mais nos espanta ou indigna. Depois de lembrar a declaração do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), de que “o Senado está sangrando muito mais do que o Renan”, Zatz escreve: “Eu acrescentaria: o Brasil está sangrando muito mais que os dois. O povo não agüenta mais tanta corrupção e impunidade, tudo sob as barbas do nosso presidente, que teima em se fingir de surdo, mudo e cego. Lula oficializou a corrupção no Brasil, que se tornou regra, não exceção”.  E Verissimo, com sua capacidade incomum de abordar assuntos cabeludos com leveza, diz: “A própria indignação acumulada acaba tendo efeito anestesiante – o que mais há para sentir e dizer, depois da conclusão de que todo o mundo é corrupto fora o Jefferson Peres? (...) Como os banqueiros estão contentes e o povão reelegeria o Lula, seus improvisos e seus parentes num minuto, resta à política a fofoca e o concurso de oratória e à oposição a tênue esperança de um escândalo tão escandaloso que anule a anestesia”.&lt;br /&gt;Há algo de muito grave acontecendo, de fato, ao sul do Equador e que nada tem a ver com a pane nos aeroportos. Há um país que nunca como agora mereceu ser chamado de gigante adormecido. Há uma população inteira sem saber o que fazer diante da sucessão de escândalos de corrupção nos altos escalões da República que acabam dando em nada. A anestesia geral, diante disso, é antes um bem que um mal, porque raiva em excesso mata. Mas e as conseqüências para o futuro?, pode-se perguntar. O que será feito das gerações que nos sucederão, privadas de noções mínimas de cidadania como resultado da impunidade reinante? Estamos condenados a ser uma nação de cínicos, afora os corruptos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7145577469748546477?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7145577469748546477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7145577469748546477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7145577469748546477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7145577469748546477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/06/uma-nao-de-cnicos.html' title='Uma nação de cínicos?'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-1501020931539454484</id><published>2007-06-19T00:42:00.000-03:00</published><updated>2007-06-19T00:44:14.189-03:00</updated><title type='text'>Um olhar de repórter</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Maria cresceu e virou dona. Pariu nove rebentos em seqüência. E quando os dois primeiros ficaram no ponto, avisou ao marido Gomercindo: eles vão estudar. Gomercindo não quis saber do assunto, desde quando filhos de analfabetos precisavam de vogais e consoantes. Dona Maria cerrou os dentes e diz que apanhava, mas os filhos seguiriam para o colégio tão certo quanto o sol nascia. Era 12 de março de 1964, ela lembra muito bem. O barrigão de nove meses estalava de dores quando caminhou arrastando Edir e Marlene pelos seis quilômetros de chão que os separavam da escola da Vila Rosa. Matriculou os dois filhos de manhã, comprou pata de rês para arrancar o mocotó, juntou lenha no mato, lavou roupa no rio Jacuí e ao anoitecer se deitou para parir Juraci.&lt;br /&gt;Trabalhando dobrado para compensar a falta dos filhos na lida, voando com os bofetões do marido, cumpriu seu juramento. João Edir, Paulo César, Juraci, Larri e Toninho, o filho de criação, ela formou na quarta série. Ieda Marlene, Marli Ledi, Marisa Laureci e Marleci Rosane foram até a quinta. Gomercindo Júnior cursa o ensino médio. Tudo à luz de vela, que da outra não havia. Há 15 anos morreu o marido. Há dez, dona Maria encontrou o amor debaixo de um chapéu de barbicacho. Todos acharam que o destino havia se cumprido. Porque não conheciam bem dona Maria. Um belo dia, pouco mais de um ano atrás, ela cravou o olho no amado e sentenciou: Eu vou pra perto da capital procurar as letras. Se tu quiser vir comigo, tu vem porque eu te amo. Se não quiser, eu vou sozinha. Meu sonho é maior que tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..........................................&lt;br /&gt;Este texto, excepcional, é de Eliane Brum, um dos mais fulgurantes talentos da nova geração de jornalistas do país.  Gaúcha, revelada na grande imprensa pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e hoje em São Paulo como repórter especial da revista Época, em 1999 ela publicou uma série de crônicas-reportagens naquele jornal sob o título A Vida que Ninguém Vê.  Uma coletânea desse trabalho foi transformada em livro e publicada no ano passado (A Vida que Ninguém Vê, Arquipélago Editorial, Porto Alegre, RS, &lt;a href="http://www.arquipelagoeditorial.com.br/"&gt;www.arquipelagoeditorial.com.br&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;Ao debruçar-se sobre o cotidiano e as histórias de vida de anônimos moradores da grande cidade, a maioria deles pobres e iletrados, para extrair do que à primeira vista poderia parecer desinteressante relatos preciosos, quase épicos na descrição da resistência a adversidades, e de grande densidade humana, Eliane emociona sem deixar de fazer jornalismo.&lt;br /&gt;Nesse sentido, ela se filia à diminuta corrente dos que praticam o chamado new jornalism no país, mas sua técnica difere da utilizada, por exemplo, por Gay Talese ou Joseph Mitchell, dois dos maiores cultores desse estilo de narrativa que aproxima reportagens de peças de literatura. Enquanto os dois americanos procuram valorizar o entorno para dar vida aos personagens, a brasileira consegue o mesmo efeito pelo caminho oposto, o de valorizar os personagens para iluminar os ambientes.&lt;br /&gt;Num jornalismo escrito como o nosso, em que prevalecem o texto apenas correto e a informação burocrática, Eliane Brum representa uma saudável exceção à regra. Merece ser lida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-1501020931539454484?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/1501020931539454484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=1501020931539454484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1501020931539454484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1501020931539454484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/06/um-olhar-de-reprter.html' title='Um olhar de repórter'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7773179956727726769</id><published>2007-05-11T03:02:00.000-03:00</published><updated>2007-05-11T03:03:21.908-03:00</updated><title type='text'>Temporão e o papa</title><content type='html'>Coincidências curiosas, que podem ser engraçadas, ocorrem às vezes entre o nome do cargo ou função exercidos profissionalmente e o nome da pessoa. Agora mesmo vê-se o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a criticar o papa Bento XVI – em plena visita do Sumo Pontífice ao Brasil – por defender a excomunhão de políticos favoráveis ao aborto em seres humanos. A manifestação papal contra o aborto, cujo sentido o próprio Bento XVI transformou em mensagem prioritária aos povos da América Latina no seu atual périplo pela região, junto com a condenação também da eutanásia, foi feita a propósito da posição tomada há alguns dias por autoridades eclesiásticas católicas da Cidade do México, em favor da punição religiosa dos deputados da Assembléia Legislativa que aprovaram uma lei segundo a qual deixa de ser crime a interrupção da gravidez durante as 12 semanas iniciais de gestação.&lt;br /&gt;Ora, como se sabe, na linguagem popular temporão é o filho que vem ao mundo fora de hora, muito tempo depois do irmão precedente ou de o casal estar junto, mas nem por isso menos amado pelos pais. O ministro que traz essa condição no nome pode ter deitado falação sem levar em conta o detalhe, ou se o fez deve pensar que uma coisa não se liga à outra. Só que errou três vezes. Uma, pela falta de diplomacia (ou seria de educação?) de, como membro do governo, contestar com tanta veemência um visitante que o Estado brasileiro deveria receber com toda a hospitalidade, não só por ser o papa a autoridade máxima de uma religião abraçada por mais de 60% da população do país como por estar investido, ele também, do cargo de chefe de Estado. Outra, por afirmar que o aborto é um problema de saúde pública, um total disparate. No mínimo, o ministro revelou uma confusão mental, pois se muitas mulheres abortarem, aí, sim, haverá um problema para a rede pública de saúde, e não na situação contrária. Se quis posar de mocinho, como aliás faz quase todo o governo Lula, a começar do chefe, com raras exceções, defendendo um suposto direito das mulheres de decidir sobre o destino da vida que carregam no ventre, não poderia ter circunscrito a questão no âmbito das que são afetas ao Ministério da Saúde. E o terceiro erro, talvez o maior de todos, foi o de avocar para o governo um papel que não lhe cabe, sobretudo como Poder Executivo. Como lembra o professor José Reinaldo de Lima Lopes, titular da cadeira de Teoria e História do Direito na USP, em entrevista ao jornalista Gabriel Manzano Filho, no jornal O Estado de S. Paulo de hoje, o aborto é um assunto da sociedade e não do governo, até porque o Estado brasileiro, por ser declaradamente laico, não deve arbitrar disputas entre grupos sociais motivadas por interesses religiosos. Alguém precisa explicar isso para o ministro Temporão, apesar de seu nome.&lt;br /&gt;Mas, retomando o tema das coincidências, muitos devem tê-las constatadas no próprio local de trabalho. Dois colegas de profissão deste blogueiro servem de exemplo. Um, ex-editor de assuntos agrícolas num grande jornal, e portanto envolvido com gente que extrai frutos da terra de plantas ou árvores fincadas no solo, assina Raíces no sobrenome. Outro, também da mesma área, que assim escreve sobre uma atividade desenvolvida distante dos centros urbanos, traz um Cafundó no sobrenome. Quando queriam falar de algo situado ou ocorrido muito longe, os antigos diziam 'lá onde Judas perdeu as botas', ou 'lá no cafundó do Judas'.&lt;br /&gt;Imbatível no gênero é, porém, um ex-diretor da antiga Sunab, a Superintendência Nacional de Abastecimento, órgão encarregado de fiscalizar os preços cobrados da população pelos supermercados e outros estabelecimentos comerciais dedicados à venda de alimentos no varejo. Sempre que se avizinhava a Semana Santa era a mesma história, naqueles idos de 70, se não falha a memória. Impedidos de comer carne vermelha, os católicos corriam atrás de peixes, e os comerciantes aproveitavam a demanda aquecida para aumentar os preços dos diversos tipos de pescado. Então, o ex-superintendente, entrevistado obrigatório dos grandes jornais da época, nas reportagens sobre a Semana Santa, fazia suas recomendações sobre o que comprar, entre as alternativas menos onerosas para os consumidores. Falava de peixes e mais peixes. E qual era seu nome? Mário Robalo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7773179956727726769?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7773179956727726769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7773179956727726769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7773179956727726769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7773179956727726769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/05/temporo-e-o-papa.html' title='Temporão e o papa'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8000009096684270278</id><published>2007-04-25T13:53:00.000-03:00</published><updated>2007-04-25T13:54:04.686-03:00</updated><title type='text'>Oposição sem vértebras</title><content type='html'>"No estrito plano político, Lula se beneficia de uma conjunção única: não há candidato natural à sua sucessão; os presidenciáveis do outro lado, Serra e Aécio, sabem que seria suicídio eleitoral - e administrativo - se começassem a construir as suas candidaturas com a argamassa do antilulismo; e a oposição, ou o que resta dela, definha por ser incapaz de refazer as bandeiras que a sua própria incompetência permitiu que Lula esfarrapasse na reta final da campanha. Por fim, jogam a favor da hegemonia do presidente dois poderosos fatores estruturais: o Executivo é o centro de gravidade natural da política brasileira, e a ideologia há muito que deixou de contar no sistema partidário - com a eventual exceção do PT e do ex-PFL."&lt;br /&gt;O fecho do primeiro editorial de hoje do jornal O Estado de S. Paulo, &lt;em&gt;O paraíso astral do presidente&lt;/em&gt;, resume com perfeição a geléia geral em que se transformou o centro da política nesta república ao sul do equador. Pensando bem, nem haveria surpresa pela triste situação a que chegamos. O fato de o principal partido da oposição, o PSDB, por meio dos governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, em nome de supostas necessidades administrativas, ceder ao canto de sereia lançado melifluamente pelo atual ocupante do Palácio do Planalto – o qual, diga-se de passagem, revela como pássaro com cabeça de mulher, segundo a mitologia grega, um insuspeitado talento -, constitui uma prova cabal de que a nobre arte da política é exercida, nesta parte dos trópicos, por uma grande maioria de gente desprovida de vértebras e caráter. De cozinheiros assim não se poderia esperar, portanto, outras aptidões além de levar ao forno uma pizza tamanho família.&lt;br /&gt;Leia-se, a propósito, o seguinte texto:&lt;br /&gt;"Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. (...)&lt;br /&gt;Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas.&lt;br /&gt;Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.&lt;br /&gt;Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério. (...)&lt;br /&gt;Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros, ao radicalizar o projeto com que foi eleito (...). Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.&lt;br /&gt;Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou."&lt;br /&gt;Quem o escreveu, em novembro de 2005, um ano antes das últimas eleições? Roberto Mangabeira Unger, brasileiro, professor de Direito em Harvard. Pois Mangabeira Unger, guru do ex-ministro Ciro Gomes, ultimamente meio ressabiado com Lula por não ter sido seu partido, o PSB, bem aquinhoado na distribuição de cargos no governo, vai assumir no próximo dia 4 o cargo de ministro (o 36.o) da Secretaria de Ações a Longo Prazo. E, segundo o repórter Leonencio Nossa, do jornal O Estado, fará na data um discurso de desculpas por suas ofensas ao presidente no passado.&lt;br /&gt;Diz-se que um homem inteligente não fica a vida inteira montado sobre uma idéia. De fato, ninguém está livre de equívocos, e quando estes se evidenciam é o caso de mudar de opinião. Mas se a mudança de posição é feita não por uma evidência em contrário, e sim apenas por interesse pessoal, isso ganha outro nome. É desonestidade.&lt;br /&gt;Por essas e outras, cabe aplaudir a atitude tomada pela ex-deputada Zulaiê Cobra Ribeiro. Cria política do falecido ex-governador Mário Covas, Zulaiê ficou sem mandato por ter concorrido nas últimas eleições como suplente do candidato a senador pela coligação PSDB-PFL, Guilherme Afif Domingos, derrotado por Eduardo Suplicy, do PT. Mas com seu estilo estridente nunca deixou de dizer umas verdades. Como agora, ao se desfiliar do PSDB. "Estou decepcionada", declarou ontem, ao anunciar a decisão. "O partido não corresponde mais aos meus ideais. Está subserviente ao Lula, longe das ruas, do povo. Em 2005 e 2006 não fez uma oposição séria. E este ano elegemos o Arlindo Chinaglia (como presidente da Câmara do Deputados). O PSDB vota no PT."&lt;br /&gt;Que fizeram de ti, PSDB?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8000009096684270278?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8000009096684270278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8000009096684270278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8000009096684270278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8000009096684270278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/04/oposio-sem-vrtebras.html' title='Oposição sem vértebras'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-1772508614020690004</id><published>2007-04-14T13:44:00.000-03:00</published><updated>2007-04-14T13:45:06.113-03:00</updated><title type='text'>Voz no deserto</title><content type='html'>O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua a ser a voz mais iluminada e consciente da oposição. Deu novamente uma mostra disso, ao ser procurado por repórteres ao final da palestra que proferiu ontem na Associação Comercial do Rio, sob o tema &lt;em&gt;A reinvenção do futuro das grandes metrópoles e a nova agenda de desenvolvimento econômico e social da América Latina&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Fernando Henrique não só repudiou a forma como o governo atual tenta abrir um canal de diálogo com a oposição – "Qualquer discussão fora do Congresso tem um certo cheiro de cooptação, de chamar para amortecer. E aí eu não gosto", afirmou – como fez uma dura crítica ao seu próprio partido, o PSDB, por este ter abandonado bandeiras programáticas na última campanha presidencial. "Não houve uma proposta nítida que dissesse que nós somos diferentes, defendemos isso e isso, queremos tais coisas", declarou, segundo a reportagem de Wilson Tosta no jornal O Estado de S. Paulo de hoje. "Nem a privatização fomos capazes de defender. Privatizamos o que precisava ser privatizado, foi um êxito e nós não dissemos isso. A culpa é muito mais nossa do que da população."&lt;br /&gt;De fato, durante a campanha o PSDB reagiu como o otário da anedota à malandragem petista de transformar as privatizações numa espécie de maracutaia montada para enriquecer uns poucos à custa da nação. Além de não mostrar que se tratava de uma torpe mentira, destinada tão-somente a angariar votos junto aos incautos e desinformados, não apresentou um número sequer, dos muitos que há, a respeito dos benefícios trazidos ao país pela privatização de empresas estatais ineficientes e onerosas. Pior: tentou convencer o eleitorado de que um futuro governo Alckmin não venderia ao setor privado o Banco do Brasil, a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal, quando o correto, de acordo com o programa do partido, teria sido dizer que qualquer estatal, dependendo das circunstâncias, poderia ser privatizada. Em outras palavras, vestiu a carapuça e permitiu ao adversário meter-lhe um gol pelo meio das pernas.&lt;br /&gt;O PSDB foi castigado por desprezar o primeiro ensinamento de qualquer manual de estratégia: nunca fazer o jogo do inimigo. Mas não parece ter aprendido a lição. Vários de seu integrantes, como o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, substituíram o discurso oposicionista por tapinhas no traseiro, na relação com o Planalto. Agem como se Lula se tivesse transformado numa entidade com poderes sobrenaturais, merecedora de vassalagem por todos que pensem em sucedê-la no poder.&lt;br /&gt;Como o eleitor poderá escolher, se a oposição se confunde com a situação numa massa amorfa, sem propostas alternativas? Com a falta de caráter e compostura que é sua maior marca, o atual governo já montou uma base de apoio de tamanho suficiente para atuar como rolo compressor nas votações do Congresso. Não precisa da leniência da oposição.&lt;br /&gt;A eleição acabou há quase cinco meses, é hora de despertar da letargia. Os partidos da oposição, e o PSDB em particular, não podem deixar que Fernando Henrique continue a clamar solitário no deserto. Não podem permitir que seu sucessor, o presidente-camaleão, como o definiu o jornal O Estado de S. Paulo em referência ao vergonhoso rapapé de Lula enaltecendo políticos do PMDB como Jader Barbalho e Orestes Quércia, que ele próprio vituperava com os piores nomes em passado não muito distante, continue nadando de braçada, impune, senão pelos desmandos, ao menos por suas agressões à verdade dos fatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-1772508614020690004?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/1772508614020690004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=1772508614020690004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1772508614020690004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1772508614020690004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/04/voz-no-deserto.html' title='Voz no deserto'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-4572226744254258180</id><published>2007-04-12T21:59:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T22:00:21.943-03:00</updated><title type='text'>Navegar é preciso</title><content type='html'>Políticos do PSDB, entre eles os deputados José Aníbal e Arnaldo Madeira, ambos de São Paulo e ex-líderes de governo durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, mostram-se desanimados diante das pesquisas de opinião - na terça-feira passada do instituto Sensus e agora do Ibope - que mostram um alto índice de aprovação popular do presidente Lula, em torno de 50%, apesar das crises do setor aéreo e da segurança. "Estamos aniquilados", teria desabafado Aníbal, segundo um despacho da Reuteurs assinado pelos jornalistas Ricardo Amaral e Natuza Nery. "A Câmara se transformou numa extensão do Executivo. Aqui se vota o que o governo quer", teria afirmado por sua vez Madeira.&lt;br /&gt;O desânimo dos políticos oposicionistas contrasta com a indignação que parte da opinião pública continua a demonstrar diante da inoperância, ou de coisas piores, do governo Lula. No jornal O Estado de S. Paulo de hoje, uma leitora, Maria Helena M. Borges Martins, manifesta-se assim: "Trabalho como voluntária num hospital infantil do Estado e em 10/4 presenciei o caso de uma criança de 2 anos que foi atacada por ratos em razão da precariedade da moradia em que vive com mais cinco irmãos. Agora vejo nos jornais que os deputados aumentaram seus salários, diminuíram a carga horária da jornada de trabalho e que o presidente tem seu índice de popularidade em alta. Quero vomitar mas não consigo! Que brasileiros são esses que elegeram essa quadrilha?"&lt;br /&gt;Por maior que seja o desalento causado pelas pesquisas de opinião à parcela da população e aos políticos que se opõem ao atual governo, no entanto, como cidadãos eles têm o dever de não abandonar sua crença no futuro do país. Ou seja, apesar da tormenta é preciso navegar, como dizia o grande Ulysses Guimarães. E isso requer a manutenção da racionalidade acima da paixão, algo como o que se vê neste trecho do artigo do jornalista e filósofo Gilberto de Mello Kujawski, no mesmo Estadão de hoje. "Lula não pega nem no tranco. Então, sem governo, sem oposição, como é que o país continua de pé?", indaga ele, para depois concluir: "No Brasil, escreve-se certo por linhas tortas. O método é confuso, mas o conjunto da obra nos redime. Talvez seja esta a verdadeira originalidade brasileira".&lt;br /&gt;No fundo, não há nada de errado no fato de um presidente desfrutar de aprovação popular. Como a Presidência da República é a maior das instituições de nossa democracia, uma crise de confiança ligada a ela produziria turbulências capazes de conduzir a um retrocesso político que poucos hão de querer, num país ainda não refeito dos vinte anos que amargou de restrição das liberdades.&lt;br /&gt;Desse ponto de vista, portanto, é até desejável que Lula continue no seu pedestal, mesmo que de barro, porque isso faz parte da normalidade democrática. Mas isso também não significa que devamos abdicar da capacidade de nos indignar perante acontecimentos afrontosos às nossas consciências como homens e cidadãos.&lt;br /&gt;A sinceridade, irmã da honestidade, deve ser cobrada de todos, do mais simples cidadão ao mais poderoso ou influente. É por isso que os políticos da oposição se fazem hoje merecedores de um bom puxão de orelhas. A política praticada com decência não pode visar apenas aos resultados de eleições. Ela deve estar voltada para algo bem maior, o futuro do país. E, nesse sentido, antes de se lamentar a popularidade de um presidente é preciso que cada um assuma as suas responsabilidades. A começar pela definição clara do papel que se propõe a desempenhar, sem medo de ser rotulado como de direita pelos idiotas que posam de bons samaritanos. Subterfúgios e meias-palavras são recursos próprios de quem apenas quer enganar o eleitorado. Usá-los é igualar-se àqueles a quem dirigem seus anátemas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-4572226744254258180?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/4572226744254258180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=4572226744254258180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4572226744254258180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4572226744254258180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/04/navegar-preciso.html' title='Navegar é preciso'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-4988126108586418356</id><published>2007-04-04T06:37:00.000-03:00</published><updated>2007-04-04T06:59:26.092-03:00</updated><title type='text'>Apagão com crise militar</title><content type='html'>Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo de hoje, o jornalista Elio Gaspari usa seus pendores de historiador e agudo analista para lembrar do perigo de ocorrer uma crise militar junto com o apagão aéreo, por culpa da irresponsabilidade com que o presidente Lula tem agido frente ao caso.&lt;br /&gt;"Evitando enfrentar com as leis militares a insubordinação dos sargentos da FAB que operam o sistema de controle de vôos do país", escreve Gaspari, "Nosso Guia amarelou em pelo menos duas ocasiões. A primeira, em novembro, quando a FAB recuou da decisão de aquartelar os militares. Semanas depois, havia brigadeiros negociando com sargentos. Era o início da pane hierárquica. A segunda, na última sexta-feira, quando mandou o ministro do Planejamento para uma reunião sindical com amotinados que haviam posado para fotografias, refestelados e coloridos. Pior: desautorizou o comandante da Aeronáutica, que determinara a prisão dos insubordinados."&lt;br /&gt;Depois de lembrar que apesar de ter havido outras crises militares no passado por quebra de hierarquia, superadas com anistias concedidas pelo Congresso, Gaspari diz que o risco atual é especialmente grave porque conta, no nascedouro, com a interferência direta do presidente da República, ao contrário das anteriores. "Já apareceram comissários que conhecem 'brigadeiros progressistas' e parlamentares que recebem acenos de oficiais indignados. Essas duas espécies estão por aí, ciscando nos conciliábulos de Brasília", relata. E finaliza: "São nefandas figuras, retratadas em 1965 pelo marechal Castello Branco: 'Eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar'. Desde 1981, o Brasil não vê extravagâncias do poder militar. O que menos se precisa é do ressurgimento das vivandeiras". &lt;em&gt;(Explicação: vivandeira, na definição do Dicionário Aurélio, é mulher que vende mantimentos, ou que os leva, acompanhando tropas em marcha. Evidentemente, aqui Gaspari emprega a palavra em sentido mais amplo.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Os militares, em qualquer lugar do mundo, têm suas normas de disciplina, sem as quais nenhum exército, marinha ou força aeronáutica funcionaria. E a base da disciplina militar é a hierarquia, necessariamente mais rígida do que em organizações civis. Imagine-se uma oficial subordinada, tipo uma capitã, querendo discutir sua relação com o chefe, amante ou eventualmente marido, ao receber uma ordem no fragor do combate. Seria algo tão impensável quanto um sargento que se amotina e pede a desmilitarização do serviço de controle aéreo, mancomunado com os colegas civis, como na atual baderna que se instalou nos aeroportos brasileiros. Para manter a disciplina, o superior hierárquico só pode mandar prender, ou no caso de guerra até submetê-los à corte marcial para um fuzilamento, os subordinados que não cumpram uma ordem explícita. Alguns segundos perdidos no disparo de um canhão podem custar a perda de um navio ou de parte de um destacamento de infantaria. Uma batalha pode terminar em derrota, talvez a própria guerra.&lt;br /&gt;Mesmo assim, o Brasil tem um presidente que desautoriza o comandante da Aeronáutica e manda em seu lugar um ministro civil para negociar com os grevistas, muitos deles militares. E a Folha também publica hoje que Lula recuou da posição anterior para autorizar a prisão dos sargentos no caso de uma nova greve. Ou seja, além de tudo, parece tão perdido quanto o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, que prometeu aos grevistas patrocinar uma futura anistia, além da desmilitarização do serviço, um processo de condução complicada e finalização incerta. Lula tem muito a aprender, nessa área, com o colega americano George W. Bush. Uma iminente crise no setor foi resolvida antes de acontecer porque Bush não impediu o comando militar de prender os insubordinados. Mais: havia controladores civis reservas, treinados com antecedência, e que assumiram o serviço para não causar transtornos aos passageiros.&lt;br /&gt;Já no Brasil de Lula, bem, como se não bastasse o inferno vivido pelos passageiros nos aeroportos, na semana passada, avizinha-se uma Páscoa em que filhos e netos deixarão de ver pais e avós, além de sofrerem horas, talvez madrugadas inteiras, com filas, tumultos e a falta de respeito de vôos cancelados sem prévio aviso. Há muito o transporte aéreo deixou de ser um luxo para tornar-se uma necessidade cotidiana dos cidadãos. Alguém precisa avisar o presidente sindicalista sobre isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-4988126108586418356?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/4988126108586418356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=4988126108586418356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4988126108586418356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4988126108586418356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/04/apago-com-crise-militar.html' title='Apagão com crise militar'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-487882509949773859</id><published>2007-04-04T04:32:00.000-03:00</published><updated>2007-04-04T04:33:24.246-03:00</updated><title type='text'>Em busca das cadeiras perdidas</title><content type='html'>O PSDB deu início ontem ao movimento oposicionista de recuperação de cadeiras na Câmara dos Deputados, conquistadas nas eleições de outubro do ano passado mas depois perdidas para o bloco governista, ao protocolar na Mesa Diretora da casa pedido de declaração de vacância de mandato para sete parlamentares que trocaram o partido por outro nos últimos meses.&lt;br /&gt;O PSDB pede ainda que a Mesa, no prazo de 48 horas após a declaração de vacância, convoque os suplentes do partido eleitos, por ordem decrescente de votos recebidos, para ocupar os cargos assim abertos. A principal legenda da oposição quer cassar o mandato de sete vira-casacas, hoje em outras pousadas: Armando Abílio (agora no PTB-PB), Atila Lira (no PSB-PI), Djalma Berger (no PSB-SC), Leo Alcântara (no PR-CE), Marcelo Teixeira (no PR-CE), Vicente Arrruda (no PR-CE) e Vicentinho Alves (no PR-TO). Os três deputados cearenses seguiram os passos de Lúcio Alcântara, ex-governador do estado, que saiu do PSDB depois de desentender-se com o presidente do partido e conterrâneo, senador Tasso Jereissati.&lt;br /&gt;O DEM (ex-PFL), o PPS e o PDT também querem reaver o espaço perdido na Câmara, num total de 24 assentos contando-se os sete do PSDB. Desde as eleições de outubro, 37 deputados mudaram de legenda, seja da oposição para a situação, seja dentro do bloco governista. E o contra-ataque dos oposicionistas se faz com respaldo na declaração da semana passada do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, de que o mandato pertence em primeiro lugar ao partido ou à coligação, e não ao parlamentar eleito, no sistema proporcional.&lt;br /&gt;Em nome da moralização dos costumes políticos no país, espera-se que mesmo com os eventuais cassados recorrendo ao Supremo Tribunal Federal, STF, este mantenha a decisão tomada pelo TSE no sentido de punir a infidelidade partidária. E se agir assim a corte o fará coberta de razão, pois mais da metade (58%) da atual Câmara dos Deputados, segundo um levantamento do jornal Folha de S. Paulo, já trocou de legenda pelo menos uma vez ao longo da carreira política. O mais infiel de todos é Airton Roveda, do PR do Paraná, com sete trocas. Mas mesmo o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar, do PTB de São Paulo, não pode posar de modelo nesse quesito. Ele já mudou de partido cinco vezes.&lt;br /&gt;Tecnicamente, o STF terá grande dificuldade em atender aos recursos dos eventuais cassados para a recuperação do mandato, não só porque em geral não se imiscui na seara do TSE, onde três de seus ministros mantêm assento, como também porque o Código Eleitoral de 1965, que legislou sobre o polêmico quociente eleitoral nos pleitos proporcionais, está em plena vigência, acolhido pela Constituição de 1988.&lt;br /&gt;Em dezembro do ano passado, o pequeno PSL – Partido Social Liberal, que não conseguiu eleger ninguém para o Congresso Nacional, encaminhou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, por meio do secretário geral da Executiva Nacional, o advogado Ronaldo Nóbrega Medeiros, pedido oficial de ajuizamento de uma ação direta de inconstitucionalidade no STF, em relação aos artigos do Código Eleitoral que tratam do quociente. Como essas coisas costumam demorar para andar, mesmo que o procurador-geral acate a solicitação do PSL, não é por aí que os deputados vira-casacas deverão encontrar uma saída para o seu caso.&lt;br /&gt;Resta, então, a alternativa de tentar acabar com o quociente eleitoral por meio de uma emenda constitucional, que exige uma maioria de três quintos do Senado e da Câmara. Mas aqui existe um outro problema, e dos grandes. Além de a própria base de apoio do governo não saber se já está com essa bola toda, a ponto de mudar a Constituição, mais de 90% dos atuais deputados foram eleitos graças à aplicação do quociente. Segundo o ministro Cesar Asfor Rocha, do TSE, relator da declaração sobre a titularidade dos mandatos em eleições proporcionais, apenas 31 dos 513 deputados (ou seja, míseros 6,04%) obtiveram seus cargos com os próprios votos, pernas e recursos. Todos os demais não estariam na Câmara não fosse o quociente. Como justificar, assim, a tentativa de derrubar um instituto que os elegeu, mesmo com toda a caradura que caracteriza a maioria dos políticos brasileiros?&lt;br /&gt;O irônico nessa história é que o tal quociente representa de verdade uma aberração jurídica, por contrariar o espírito da democracia representativa. O dispositivo permite a partidos pequenos eleger deputados federais com ínfima expressão, como o coronel Paes de Lira, do PTC de São Paulo, que obteve 6 673 votos nas últimas eleições, ao mesmo tempo em que pune as legendas maiores ao deixar de fora gente com mais de 100 000 votos. É que se chega ao resultado final da aplicação do quociente por meio de sucessivas operações matemáticas, primeiro pela divisão do total de votos válidos, sem os brancos e nulos, pelo número de cadeiras da Câmara, depois pela divisão do total de votos válidos de cada partido pelo quociente obtido na operação anterior e em seguida pela distribuição das sobras (vagas não preenchidas porque os candidatos ficaram abaixo do quociente definido para cada partido) uma a uma, por ordem de resultado das legendas. Pelas contas do relator do TSE, portanto, apenas 31 dos atuais deputados não precisaram das sobras, que são dos partidos e não de cada candidato em particular, para se eleger.&lt;br /&gt;Em resumo, a lei pode estar errada, mas se mais de 90% dos atuais deputados federais chegaram aonde estão graças a ela, esses mais de 90% não têm como argumentar contra ela para defender seus mandatos. A lei pode ser mudada? Pode, mas o efeito dessa mudança só pode valer para a próxima legislatura, não para a atual. Qualquer saída que se encontre fora disso não passará de grossa maracutaia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-487882509949773859?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/487882509949773859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=487882509949773859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/487882509949773859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/487882509949773859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/04/em-busca-das-cadeiras-perdidas.html' title='Em busca das cadeiras perdidas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-3435813676306782838</id><published>2007-04-03T23:54:00.000-03:00</published><updated>2007-04-03T23:56:27.142-03:00</updated><title type='text'>Imite o caracol</title><content type='html'>O texto seguinte foi escrito por um brasileiro que vive na Europa e trabalha para uma empresa sueca. O que se publica é um trecho do original do autor não identificado que circula por e-mail, aqui com ligeira edição por parte do blog.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Há um grande movimento na Europa hoje, chamado 'slow food'. A Slow Food International Association, cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália (o site &lt;a href="http://www.slowfood.com/"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;http://www.slowfood.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; é muito interessante. Veja-o!).&lt;br /&gt;O que o movimento prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, 'curtindo' seu preparo, no convívio com a família, com os amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do 'fast food' e o que ele representa como estilo de vida que o americano endeusou.&lt;br /&gt;O 'slow food' está servindo de base para um movimento mais amplo chamado 'slow Europa'. Como salientou a revista Business Week numa edição européia, a base de tudo está no questionamento da pressa e da loucura geradas pela globalização, pelo apelo à 'quantidade do ter' em contraposição à qualidade de vida ou à qualidade do ser. Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%.&lt;br /&gt;Essa chamada atitude 'slow' está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do 'fast' (rápido) e do 'do it now' (faça já). Portanto, essa atitude sem pressa não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, isso sim, fazer as coisas e trabalhar com mais qualidade e produtividade, com maior perfeição, atenção aos detalhes, e com menos stress. Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do 'local', presente e concreto,  em contraposição ao 'global', indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver, e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais 'leve' e, portanto, mais produtivo, onde seres humanos, felizes, fazem com prazer o que sabem fazer de melhor.&lt;br /&gt;Gostaria que você pensasse um pouco sobre isso. Será que os velhos ditados 'Devagar se vai ao longe', ou ainda 'A pressa é inimiga da perfeição', não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura? Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de 'qualidade sem pressa', até para aumentar a produtividade no trabalho e a qualidade de nossos produtos e serviços sem necessariamente prejudicar a 'qualidade do ser'?&lt;br /&gt;No filme &lt;em&gt;Perfume de Mulher&lt;/em&gt; há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar embora ela diga: "Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos". Ao que ele responde: "Mas em um momento se vive uma vida", e passa a conduzi-la nos passos de um tango. Esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.&lt;br /&gt;Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só o alcançam quando morrem enfartadas, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar: ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe.&lt;br /&gt;Tempo todo mundo tem, e por igual. Ninguém tem mais nem menos do que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, 'A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro'... "&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-3435813676306782838?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/3435813676306782838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=3435813676306782838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3435813676306782838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3435813676306782838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/04/imite-o-caracol.html' title='Imite o caracol'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2130054659031113463</id><published>2007-03-29T16:51:00.001-03:00</published><updated>2007-03-29T16:51:52.064-03:00</updated><title type='text'>A infidelidade castigada</title><content type='html'>Os deputados que trocaram a oposição pela situação seduzidos por promessas de vantagens e cargos devem agora estar, para usar uma expressão antiga, com a pulga atrás da orelha. O motivo é que o Tribunal Superior Eleitoral, TSE, em resposta a uma consulta formulada pelo até ontem Partido da Frente Liberal (PFL), agora simplesmente Democratas (DEM), entendeu pertencer o mandato parlamentar à legenda e não ao eleito, nas eleições proporcionais para deputado federal ou estadual e para vereador. O TSE abriu caminho, assim, para os partidos requererem de volta as vagas perdidas na Câmara dos Deputados com o troca-troca de seus eleitos infiéis. E estes, caso as legendas obtenham sucesso no pedido, o que parece certo diante do parecer dado anteontem pelo TSE, perderiam o mandato para os suplentes.&lt;br /&gt;A manifestação da corte, integrada entre outros por três ministros do Supremo Tribunal Federal, STF, um dos quais, Marco Aurélio Mello, é o próprio presidente do TSE, colheu de surpresa as hostes governistas na Câmara. Em alegre confraria, festejando a recente filiação de 36 deputados que tinham sido eleitos em outubro do ano passado por outros partidos, ao saber da decisão do tribunal passaram do riso aos protestos e lamentações. Afinal, como se sabe, não é fácil manter unida uma base de apoio ao governo, hoje no Brasil. Custa mensalões, ambulâncias superfaturadas e distribuição de milhares de cargos de confiança bem remunerados junto com a titularidade de alguns ministérios.&lt;br /&gt;Mas um recurso ao STF como o aventado ontem pelo presidente da Câmara, o petista Arlindo Chinaglia, deverá ter pouca serventia, porque tudo indica que a corte suprema manterá a palavra do TSE, até pelo fato de ministros seus integrarem o tribunal eleitoral. Outra saída para os governistas seria editar uma nova lei para consagrar a prática escandalosa da infidelidade partidária, na contramão de tudo o que se preconiza para a reforma política, mantido em banho-maria no Congresso por falta de interesse dos parlamentares governistas em moralizar o que quer que seja em sua seara. A iniciativa também tem duvidosas chances de êxito, pela grita que despertará na opinião pública.&lt;br /&gt;Assim, os governistas vêem-se numa sinuca de bico, e a menos que encontrem uma forma de sair dela a aprovação de medidas do Executivo tende a tornar-se mais difícil do que esperavam. Depois de atrair as ratazanas de partidos de fora da base, o governo conta hoje com uma folgada maioria de 376 deputados num total de 513 da Câmara. Mas se os partidos da oposição, PSDB, DEM, PPS e também o PDT, que pelo menos na prática ainda não mostrou ser da situação, embora tenha anunciado a mudança de lado, recuperarem as vagas perdidas, o quadro muda de figura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2130054659031113463?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2130054659031113463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2130054659031113463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2130054659031113463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2130054659031113463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/03/infidelidade-castigada.html' title='A infidelidade castigada'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2639955315500740678</id><published>2007-03-28T02:54:00.000-03:00</published><updated>2007-03-28T02:56:39.486-03:00</updated><title type='text'>Um novo confisco</title><content type='html'>Poucas vezes há de ter ocorrido na história da República, afora o grande assalto ao bolso da população com o confisco da poupança por ordem do então presidente Fernando Collor, um episódio como o atual em que um governo democraticamente eleito faça de forma tão descarada o jogo de uma categoria empresarial, no caso, a dos banqueiros, contra os interesses maiores da coletividade. O governo Lula, assim, falta com seu dever primordial, que é o de proteger o povo, a maioria, contra os atentados à sua segurança, de ordem pessoal ou econômica, que possam ser cometidos por uma minoria.&lt;br /&gt;O que está em curso é uma espécie de segundo confisco da poupança da população. Para se ter uma idéia do tamanho da maroteira, calcula-se, segundo alguns especialistas consultados pela repórter Márcia De Chiara, do jornal O Estado de S. Paulo, que os bancos públicos e privados estão devendo cerca de 1,9 trilhão de reais em indenizações aos poupadores, por conta de correções monetárias a menor feitas nos planos heterodoxos de combate à inflação Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991). Esse valor corresponde a cerca de um ano todo de PIB brasileiro, ou seja, algo como 900 bilhões de dólares em moeda atual. E o direito a ter esse ressarcimento é líquido e certo para os poupadores em geral, porque resulta de muitas ações judiciais já transitadas em julgado, com ganho de causa dado aos impetrantes contra os bancos.&lt;br /&gt; Em tal circunstância, como um governo digno desse nome deveria agir? Obviamente, em primeiro lugar alertando a população sobre o fato. Em segundo, instruindo-a sobre os procedimentos necessários. Em terceiro, assumindo a ação coletiva, como defensor da população, colocando em jornais, revistas e sites um formulário a ser preenchido e entregue a algum órgão público para que este o encaminhe aos bancos. E, em quarto, mandando os bancos pagarem o que devem.&lt;br /&gt;Mas alguém viu ou ouviu alguma declaração de um ministro do governo sobre isso? Leu algum anúncio colocado em site, jornal ou revista? Recebeu alguma instrução a respeito? Certamente que não. O governo se omite e cala, o que é sinônimo de proteger os banqueiros, em vez da população. E os banqueiros, para defender seus régios lucros, hoje maiores do que em qualquer outra época no país, também ficam mudinhos, com cara de santo. Nenhum comunicado aos clientes, de quem tomam tanto dinheiro. Só se mexem quando o poupador vai a uma agência reclamar seus direitos, pedindo uma cópia da microfilmagem dos extratos de contas de poupança mantidas em determinados períodos dos planos heterodoxos. Mas não de graça, claro. Cobram 7 reais por folha de extrato.&lt;br /&gt;O titular das contas de caderneta ainda tem de munir-se de muita paciência para obter o ressarcimento. Com as cópias dos extratos na mão, precisa contratar um advogado especializado e esperar durante cerca de longos três anos até a ação ser julgada. O dinheiro também não lhe chega por inteiro. Os honorários de um bom advogado estão na faixa de 20 a 25% do valor total da indenização. Alguns bancos oferecem um acordo para que o cliente possa ter abreviado o tempo de espera. Mas aí, além dos honorários advocatícios, o cliente paga mais 10% para o banco.&lt;br /&gt;De toda forma, como pouco é melhor que nenhum, vale a pena ir atrás. Afinal, se você possuía caderneta de poupança naqueles períodos, o dinheiro é seu.&lt;br /&gt;Aliás, não só a caderneta de poupança. O problema da correção monetária a menor afetou igualmente o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS dos trabalhadores assalariados, porque o indexador utilizado para ambos sempre foi o mesmo, antigamente a ORTN, e depois a TR. Mas sobre isso o mutismo é ainda maior, já que a obrigação pelo pagamento passa a ser diretamente do governo.&lt;br /&gt;Não custa lembrar, mais uma vez. Esse governo que aí está foi eleito por um partido que se diz dos trabalhadores. Imaginem o que faria se outro nome o partido tivesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passo-a-passo a seguir, de instruções para os poupadores, foi copiado da reportagem de Márcia De Chiara, publicada no caderno de Economia do Estadão do dia 20 de março último:&lt;br /&gt;"Agência – Procurar a agência bancária na qual tinha poupança em 1987, 1989, 1990 e 1991.&lt;br /&gt;Documentos – Munido de CPF e RG redigir um requerimento para o banco solicitando a microfilmagem do extrato da poupança para os seguintes períodos: junho e julho de 1987; janeiro e fevereiro de 1989; abril e maio de 1990; janeiro, fevereiro e março de 1991. &lt;em&gt;(Comentário do blog: se você conhece o gerente do banco, peça a ele, não precisa redigir o requerimento.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Comprovante – Exigir o protocolo da solicitação. O banco não pode cobrar mais do que 7 reais por folha de extrato. &lt;em&gt;(Comentário: este procedimento também não é necessário se você conhece o gerente. Só não dá para evitar a tarifa.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Profissional – De posse dos extratos, o poupador deve procurar um advogado especializado para entrar com o processo.&lt;br /&gt;Cálculo – Se o saldo da poupança na época for de até 14 000 reais (40 salários mínimos), ou de até 21 000 reais (60 salários), o processo poderá correr no juizado especial estadual e federal, respectivamente, sem advogado. Nesse caso, o poupador tem de saber fazer o cálculo da correção a que tem direito. &lt;em&gt;(Comentário: o cálculo é praticamente impossível para os leigos. De 1987 para cá, não só a moeda nacional mudou três vezes de nome como os índices de inflação adotados oficialmente, e que deram base à correção monetária, variaram entre INPC, IPC, de novo INPC e depois IPCA. Para se fazer a correção é preciso montar um número-índice com mudanças para os diferentes índices de inflação no mês exato de sua adoção. Outro complicador para se chegar às cifras em real é que, em 1990, no Plano Collor 1, o valor da moeda foi dividido por 1 000 uma segunda vez. A primeira tinha sido em 1986, com o Plano Cruzado.)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Valor – Em caso de processo comum, as custas ficam em torno de 1% do valor da causa, com pagamento na entrada do processo.&lt;br /&gt;Honorários – Os honorários advocatícios variam de 20% a 25% do valor da causa, pagos quando o poupador recebe o dinheiro."&lt;br /&gt;Enfim, vá ao banco e boa sorte. Neste caso, como em outros, você estará sozinho, porque esse governo que aí está prefere ficar do lado dos poderosos. Povo, para ele, só serve para apertar os botões da maquininha eletrônica nas eleições.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2639955315500740678?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2639955315500740678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2639955315500740678' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2639955315500740678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2639955315500740678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/03/um-novo-confisco.html' title='Um novo confisco'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8575550464864233942</id><published>2007-03-22T16:01:00.000-03:00</published><updated>2007-03-22T16:02:46.613-03:00</updated><title type='text'>O cérebro dos políticos</title><content type='html'>Instigante reportagem publicada hoje na versão on-line do jornal Folha de S. Paulo, de autoria de Rafael Garcia, diz que um estudo divulgado nos Estados Unidos concluiu que o cérebro humano é dotado de uma espécie de órgão universal da ética, livre de influências culturais, no córtex frontal ventromedial, área de onde se originam as reações de cunho emocional.&lt;br /&gt;Para realizar o estudo, o psicólogo americano Marc Hauser, da Universidade Harvard, e o neurologista português António Damásio, da Universidade do Sul da Califórnia, lideraram uma equipe que submeteu diversos voluntários a um teste de perguntas morais relacionadas, algumas delas, a situações extremas, com a participação no grupo de seis portadores de lesão no córtex frontal ventromedial. O resultado do teste mostrou que estes últimos tendem a pensar de modo mais 'utilitário' que os demais, ou seja, enquanto os outros manifestam uma evidente dificuldade de escolha entre, por exemplo, o sacrifício de um filho e a salvação de várias pessoas, os portadores de lesão optam com frieza pela decisão que pouparia mais vidas.&lt;br /&gt;Uma das perguntas feitas aos voluntários referia-se a uma situação imaginária na qual famílias estão escondidas num porão, com soldados inimigos em sua caça próximos delas, e um bebê começa a chorar. O que fazer? Permitir a descoberta do esconderijo ou tapar a respiração da criança por tempo suficiente para matá-la, para evitar que chorasse? Os portadores de lesão no córtex responderam que o correto seria matar a criança.&lt;br /&gt;"Como os pacientes com a lesão que estudamos presumivelmente carecem de emoções sociais ou morais apropriadas, seus julgamentos são mais baseados em considerações utilitárias do que em fatores emocionais", explicou Michael Koenigs, um dos colaboradores de Hauser e Damásio, ao repórter da Folha. Isso não significa, segundo Koenigs, que essas pessoas se tornaram más ou cruéis. Apenas tendem a tomar suas decisões de modo mais calculista e frio, porque para perguntas situadas em contextos normais, não limítrofes, suas respostas foram semelhantes às dos demais participantes da pesquisa.&lt;br /&gt;Os professores Hauser e Damásio cometeram apenas uma falha em seu estudo, talvez de propósito: não incluíram entre os voluntários pesquisados alguns representantes dos políticos brasileiros. Se o tivessem feito, provavelmente concluiriam que há um grupo de pessoas com problema congênito no córtex frontal ventromedial, e que em qualquer situação age somente de acordo com seus próprios interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos políticos brasileiros, talvez a maioria, pautam suas ações pelo fisiologismo mais rasteiro, dando uma banana aos pruridos éticos e à coerência ideológica. Basta ver o que acontece na atual reforma ministerial. Na melhor tradição de mensaleiros e sanguessugas, consciências se vendem por trinta dinheiros, inimigos de ontem se tornam comensais hoje e ex-aliados tidos como fiéis mudam de banda por interesses contrariados. Um personagem emblemático, embora não ministeriável, pelo menos por ora, é o ex-presidente Collor. Chamado de ladrão por Lula não há muito tempo e, depois de devolver-lhe a ofensa qualificando-o de chefe de quadrilha no primeiro mandato do presidente petista, Collor ontem declarou-se emocionado por ser recebido por Lula no Planalto, com outros parlamentares de seu partido, o PTB. Desculparam-se ambos pelo respectivo destempero no passado? Não se sabe, porque se o fizeram isso não veio a público. Mas, se não o fizeram, é muito feio, porque agem com uma caradura de deixar enrubescido um monge de pedra.&lt;br /&gt;Após ter votado em peso contra o governo na véspera, na tentativa de instalação da CPI do Apagão Aéreo pela oposição, o PDT ontem apoiou o recurso do PT que sepultou a iniciativa. O PT na oposição, como se lembra, sempre foi um campeão em pedidos de CPI. Só durante a gestão do tucano Geraldo Alckmin no governo de São Paulo quis instalar mais de 60. Motivo da transmutação do PDT: um emissário do Planalto fez saber ao partido que perderia o prometido Ministério da Previdência, caso mantivesse sua posição.&lt;br /&gt;No outro extremo, o adesista de carteirinha Ciro Gomes, do PSB, votou contra a CPI de novo, juntamente com a colega Luiza Erundina. Motivo: seu partido perdeu a pasta da Integração Nacional, ocupada pelo próprio Ciro durante o primeiro mandato de Lula. E o afilhado político de Ciro, Pedro Brito, que vinha ocupando o Ministério, ficou a ver navios, porque Lula já escolheu Geddel Vieira Lima, do PMDB, como novo ministro. Geddel, como todos sabem, foi um dos mais contundentes críticos do petismo quando o presidente do país era Fernando Henrique Cardoso.&lt;br /&gt;Para não deixar o PSB ao relento, Lula pensa em retirar do Ministério dos Transportes o setor de portos e aeroportos, para abrigá-lo numa Secretaria com status de Ministério. Seria a 35.a pasta ministerial do governo, número que dá uma idéia do apetite dos políticos brasileiros por cargos e benesses usufruídos com o dinheiro público. Mas aqui Lula encontra a resistência do PR, o ex-PL de Valdemar Costa Neto, aquele que vendeu o partido ao governo por 10 milhões de reais, conforme ele próprio confessou antes de renunciar ao mandato para não ser cassado. O PR, a quem o Ministério dos Transportes está prometido, não admite receber uma pasta com menos cargos do que no figurino original.&lt;br /&gt;E assim la nave va. A maioria dos políticos cuida primeiro de si, como prova a votação do nababesco aumento salarial de 91% para os parlamentares federais, a ser realizada possivelmente ainda hoje. Quanto aos interesses dos eleitores, bem, mas isso é hora de lembrar-se deles quando o assunto em pauta é encher o próprio bolso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8575550464864233942?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8575550464864233942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8575550464864233942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8575550464864233942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8575550464864233942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/03/o-crebro-dos-polticos.html' title='O cérebro dos políticos'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7603464257544316993</id><published>2007-03-19T16:44:00.000-03:00</published><updated>2007-03-19T16:45:35.732-03:00</updated><title type='text'>Miopia no marketing</title><content type='html'>Das cerca de 6,6 bilhões de pessoas existentes no mundo, hoje, 4 bilhões estão na chamada base da pirâmide social, com uma renda per capita anual inferior a 3 000 dólares, de acordo com um estudo divulgado nesta segunda-feira pela IFC – International Finance Corporation, braço de investimentos do Banco Mundial. Esses 60% da população mundial classificados como os mais pobres formam, no entanto, um enorme mercado de 5 trilhões de dólares por ano, merecendo, portanto, maior atenção por parte das empresas produtoras de bens de consumo e serviços, como diz o vice-presidente da IFC, Michael Klein. "O relatório dá força aos pedidos de maior engajamento dos negócios com a base da pirâmide econômica, ressaltando a necessidade do setor privado de desempenhar um papel maior no desenvolvimento", afirmou Klein no lançamento do estudo.&lt;br /&gt;A concentração excessiva das empresas nos estratos de consumo suntuário, sobretudo em países pobres como o Brasil, constitui de fato um dos maiores casos de miopia no marketing industrial. Ajudadas pela força de penetração da TV, as indústrias bombardeiam diariamente as donas-de-casa com o anúncio de seus produtos voltados mais para as classes A e B, de alimentos a artigos de higiene doméstica e pessoal. Ou seja, dirigem-se a 100% do público quando, na verdade, apenas 20% ou 30% dele tem poder aquisitivo para consumir produtos desse tipo.&lt;br /&gt;A propaganda massiva causa prejuízos evidentes à administração de orçamentos familiares modestos. Quando uma dona-de-casa, influenciada pela TV, adquire um produto de limpeza ao dobro ou mais do preço de um similar de caráter popular, ela está, obviamente, reduzindo a verba doméstica reservada para os gêneros básicos que alimentam a família, bem como para os transportes e a educação.&lt;br /&gt;As próprias empresas também acabam pagando o preço pela insensibilidade diante da realidade social. Um exemplo clássico, ocorrido no Brasil, foi o da indústria automobilística. Quando tinha o Fusca como seu carro-chefe, a Volkswagen chegou a dominar 70% do mercado brasileiro. Algum executivo de opacas luzes, no entanto, decidiu que o foco da empresa seria dirigido aos segmentos de maior poder aquisitivo, e a fabricação do popular carrinho foi abandonada. Não contente, a Volkswagen ainda associou-se à Ford em busca de economias de escala, numa fusão que tinha tudo para dar errado, pela diferença de cultura entre as fabricantes alemã e americana. Resultado: acabou com os burros na água, perdendo a liderança de mercado e os lucros, e precisou voltar atrás na associação com a Ford. Enquanto isso, a esperta Fiat italiana lançou seu carro popular, o Uno, na brecha aberta com a saída do Fusca, e passou a ocupar o lugar que antes era da Volks.&lt;br /&gt;O alerta feito pelo vice-presidente da IFC, portanto, merece ser ouvido por todas as empresas produtoras de bens de consumo. Na América Latina, onde 70% da população se situa na faixa dos mais pobres do mundo, não faz sentido um marketing concentrado em consumo suntuário. Os fabricantes, evidentemente, não precisam renunciar aos lançamentos mais elaborados, que dão maior lucro por unidade. Mas seria mais inteligente ampliar as opções para o mercado, com a oferta simultânea de produtos populares. Tal estratégia contribuiria não só para reforçar o conhecimento do nome da empresa, detalhe essencial na disputa pelos consumidores, como também para tornar mais estável no tempo o fluxo de receitas e lucros.&lt;br /&gt;Nesse sentido, a indústria de celulares tem tido um comportamento exemplar, no Brasil como no resto do mundo. A ampla gama de seus produtos atende a praticamente todos os gostos e necessidades. Quem só quer telefonar tem os seus modelos, assim como aquele que também quer ouvir música, ver vídeos ou tirar fotografias. Para tornar completo o leque, falta um aparelho que permita sintonizar estações de TV, como já existe em outros países. Mas o serviço só terá sucesso com tarifa reduzida, porque ao atual custo por minuto ninguém quererá assistir por inteiro a um jogo de futebol ou a um capítulo de novela.&lt;br /&gt;Nada se pode fazer, enfim, sem levar em conta o alcance do poder aquisitivo dos consumidores, se o objetivo dos fabricantes for o de ter uma ampla participação no mercado. Qualquer tentativa em contrário corre o risco de ser catalogada como de miopia no marketing.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7603464257544316993?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7603464257544316993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7603464257544316993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7603464257544316993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7603464257544316993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/03/miopia-no-marketing.html' title='Miopia no marketing'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2554945869535557051</id><published>2007-03-17T04:38:00.000-03:00</published><updated>2007-03-17T04:39:28.478-03:00</updated><title type='text'>Crimes hediondos</title><content type='html'>Diante de um crime bárbaro como aquele cometido contra o menino João Hélio, tomados de indignação muitos torcem para que aconteça com os algozes algo igual ou pior. Depois, com os criminosos encarcerados, se eles se tornam vítimas de alguma justiça feita por conta própria, aplaudem esse fato com entusiasmo, como se o sistema repressor numa sociedade moderna pudesse mover-se com base apenas em instintos primitivos, como no tempo das cavernas.&lt;br /&gt;A justiça civilizada nunca pode rebaixar-se à barbárie dos transgressores, por mais que julgue crimes hediondos. É por isso que, mesmo admitindo a pena de morte, repudia a tortura. Não faz parte de seus desígnios a crueldade, ela tem de procurar apenas ser justa. Mesmo porque existe sempre o risco do erro, de reparação tão mais difícil quanto maior for o castigo imposto à vítima.&lt;br /&gt;O justiçamento popular é condenável exatamente por não atentar para o princípio elementar que rege a justiça legal, o de punir somente depois de comprovado o delito. Se ele erra em sua avaliação apressada, quem há de reparar o prejuízo causado? Advogados sequiosos por dinheiro costumam inculpar o Estado, mas num caso como o de Daniele Toledo do Prado se torna evidente a soma da ganância à má-fé nessa atitude.&lt;br /&gt;Mãe de uma menina de 1 ano e 8 meses, Victória Maria do Prado Iori Carvalho, pobre, Daniele passou por um calvário no Hospital Universitário de Taubaté, interior de São Paulo. Segundo o relato da repórter Simone Menocchi, do jornal O Estado de S. Paulo, entre uma internação e outra da filha no hospital ela foi violentada sexualmente por um estudante de medicina. Depois, quando a menina morreu, em outubro do ano passado, uma médica da equipe do hospital apontou como causa a existência de cocaína na mamadeira. A Polícia Civil comprovou os indícios da droga e Daniele foi presa, mandada para a penitenciária feminina de Pindamonhangaba, cidade vizinha a Taubaté. Lá, sofreu um justiçamento por parte das outras detentas. Além de apanhar, teve uma caneta tipo Bic enfiada na orelha e o tímpano rompido, mas só no dia seguinte foi transferida para um hospital e, depois, para outro presídio, em Tremembé, onde ficou por mais 36 dias até que um novo exame, feito nas vísceras da criança morta e na mamadeira, mostrou que não havia cocaína.&lt;br /&gt;Estuprada, surda de um ouvido e ainda sem a filha, por quem tanto lutou, Daniele era afinal inocente do crime que lhe atribuíram. Ela hoje tem apenas 22 anos. Como você reagiria ao saber do que lhe aconteceu, se ela fosse sua filha, ou sua irmã? O golpe nela desferido pelo sistema repressor não foi tão cruel e hediondo quanto o arrastamento do menino João Hélio pelas ruas do Rio de Janeiro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2554945869535557051?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2554945869535557051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2554945869535557051' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2554945869535557051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2554945869535557051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/03/crimes-hediondos.html' title='Crimes hediondos'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8800366374368589615</id><published>2007-03-02T01:21:00.001-03:00</published><updated>2007-03-02T01:21:47.187-03:00</updated><title type='text'>Lente cor-de-rosa</title><content type='html'>O Produto Interno Bruto, PIB, indicador das riquezas produzidas num país ao longo de um ano, cresceu em 2006 apenas 2,9% no Brasil, enquanto a média mundial atingiu 5,1% e a das nações emergentes, 6,5%. Também em 2005 o resultado tinha sido pífio: só 2,3% de crescimento. Assim, o governo Lula cumpriu seu primeiro mandato com uma taxa anual média no PIB de apenas 2,6%, praticamente igual à da primeira metade do governo antecessor, mesmo sem ter enfrentado, como aquele, crises internacionais e o desafio de promover profundas reformas na economia.&lt;br /&gt;Há onze anos, desde 1996, o Brasil vem crescendo abaixo da média mundial. Num ranking de 177 países elaborado pelo Fundo Monetário Internacional, FMI, com base no crescimento econômico obtido nos últimos dez anos, o Brasil ocupa apenas a 142.a posição. Ou seja, estamos na rabeira, no meio daquela turma que na corrida de São Silvestre só entra para fazer figuração.&lt;br /&gt;Por que crescemos tão pouco? Há várias razões, mas uma das principais é a enormidade da carga tributária que sufoca a sociedade brasileira. No ano passado, o peso dos impostos alcançou o equivalente a 38,8% do PIB, um recorde, depois de aumentar de novo cerca de 1 ponto percentual, como nos anos anteriores. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, IBPT, cada brasileiro pagou em média pouco mais de 4 400 reais durante o ano para sustentar o governo, aqui incluídos o federal, os estaduais e os municipais. "O excesso de tributação", disse o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, ao divulgar os dados ontem, "retira poder de compra dos salários, ao mesmo tempo em que aumenta o preço final de mercadorias e serviços, fazendo retrair o consumo, afastando investimentos produtivos e dificultando a geração de empregos formais".&lt;br /&gt;Vivemos, enfim, uma situação deplorável por todos. Menos pelo presidente Lula, que ri e dança como a fazer troça da tristeza em volta. Em conversa com jornalistas durante o café da manhã de ontem no Planalto, segundo a colunista da Folha de S. Paulo, Eliane Cantanhêde, ele deu a seguinte declaração de boca cheia: "A área econômica está blindada pelo sucesso". Sucesso onde, cara-pálida? Será que ele pensa ser presidente de algum outro país?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8800366374368589615?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8800366374368589615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8800366374368589615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8800366374368589615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8800366374368589615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/03/lente-cor-de-rosa.html' title='Lente cor-de-rosa'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-1564923606583063219</id><published>2007-02-27T06:16:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T17:26:43.511-02:00</updated><title type='text'>O 79.o Oscar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReP3T2TKKyI/AAAAAAAAACE/r8n3YS1aGyY/s1600-h/m_Oscar_edited.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036140728695794466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReP3T2TKKyI/AAAAAAAAACE/r8n3YS1aGyY/s200/m_Oscar_edited.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A escolha como melhor filme de &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt;, em lugar do superior &lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt;, pode ter desapontado a muitos, mas para quem conhece a história do prêmio a 79a. cerimônia do Oscar, realizada na noite de domingo no Kodak Theatre, de Los Angeles, não ofereceu surpresas. O colégio eleitoral da Academia de Hollywood, hoje de mais de 6 000 membros espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil, boa parte deles constituída de ex-ganhadores e finalistas do prêmio, tem por tradição unir o conceito de arte ao de entretenimento para chegar ao seu veredito. Para um filme tornar-se o vencedor não basta ser bem feito. É preciso que também renda uma boa bilheteria, sinônimo de aprovação pelo grande público. E, no segundo aspecto, &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; tem ido melhor que &lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Isso explica a série de injustiças cometidas ao longo da história do prêmio, que no entanto não chega a desmerecê-lo. Também nos festivais de cinema europeus mais importantes, Cannes, Veneza e Berlim, em que o júri é formado por um pequeno número de cineastas e artistas convidados, já houve decisões criticáveis. Além disso, o democrático colégio eleitoral do Oscar não se viu obrigado, nem neste ano, nem nos últimos vinte ou trinta, a fazer suas escolhas diante de uma safra de obras-primas. Ou seja, como os concorrentes ao prêmio de certa forma se equivaliam em torno de uma média elevada, a proclamação do resultado final, qualquer que fosse, não traduziria uma injustiça clamorosa.&lt;br /&gt;Bem diferente foi o que aconteceu, por exemplo, em 1939. Naquele ano desfilaram diante dos membros da Academia, além do vencedor &lt;em&gt;E o Vento Levou&lt;/em&gt;, de Victor Fleming, com Clark Gable e Vivien Leigh, clássicos absolutos como &lt;em&gt;No Tempo das Diligências&lt;/em&gt;, um dos maiores westerns de John Ford, o número 1 do gênero, com John Wayne, &lt;em&gt;O Mágico de Oz&lt;/em&gt;, a maravilhosa fábula com Judy Garland, dirigida também por Fleming, o inesquecível &lt;em&gt;Ninotchka&lt;/em&gt;, com Greta Garbo, do mestre Ernst Lubitsch, &lt;em&gt;A Mulher Faz o Homem&lt;/em&gt;, de Frank Capra, com um vibrante James Stewart, e sobretudo &lt;em&gt;O Morro dos Ventos Uivantes&lt;/em&gt;, de William Wyler, com Laurence Olivier e Merle Oberon. Presença obrigatória em qualquer lista dos maiores filmes da história, &lt;em&gt;O Morro&lt;/em&gt; (Wuthering Heights), conseguiu ser na condensação da linguagem cinematográfica até melhor do que o livro de Emily Bronté, no qual se baseou, num caso raro. Mesmo assim, perdeu o Oscar para o melodrama épico &lt;em&gt;E o Vento Levou&lt;/em&gt;, bastante inferior a ele como obra de arte mas de grande sucesso nas bilheterias.&lt;br /&gt;Onde talvez a 79a. premiação do Oscar tenha exagerado é no tom politicamente correto. Pela primeira vez houve uma mestre de cerimônias mulher, a apresentadora de TV Ellen De Generes, que não bastasse o gênero é ainda lésbica assumida. Simpática mas nada brilhante, as piadinhas sem graça de Ellen só parecem ter agradado mesmo é a Jack Nicholson, o cara que mais se diverte nas festas do Oscar. Ele ri por qualquer coisa. Riu até quando Ellen, em desespero de causa, começou a passar um aspirador de pó diante da primeira fila da platéia, para tentar parecer engraçada. A bola mais cantada do evento, a premiação de Martin Scorsese como melhor diretor, em sua sexta indicação, muito menos por &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; e muito mais pelo conjunto da obra (ainda que seus melhores filmes sejam os de vinte ou trinta anos atrás), foi confirmada, assim como a do documentário ecológico &lt;em&gt;Uma Verdade Inconveniente&lt;/em&gt;, produzido pelo ex-vice-presidente e candidato presidencial democrata derrotado pelo republicano Bush, Al Gore. A canção-tema do documentário, &lt;em&gt;I Need to Wake Up&lt;/em&gt; (Preciso Acordar), que não é lá essas coisas, também foi premiada, dando à compositora e intérprete, Melissa Etheridge, outra lésbica assumida, a oportunidade de se referir à sua companheira como 'minha mulher' durante o agradecimento pela estatueta. Para completar, a escolhida para o prêmio humanitário Jean Hersholt foi Sherry Lansing, uma ex-atriz e ex-executiva da Paramount conhecida por suas ações em campanhas da Cruz Vermelha e de combate ao câncer.&lt;br /&gt;Faz parte do espetáculo hollywoodiano, e também da concepção americana de vida, inserir em qualquer festa um chamado às massas para as causas nobres. Nada contra, mas o exagero incomoda. Um Oscar pelo conjunto da obra só faz sentido quando é concedido de forma honorária, e não por um filme qualquer. Charles Chaplin, Stanley Donen e o ator Peter O'Toole ganharam os seus dessa forma. No domingo foi a vez do compositor Ennio Morricone, que teve o discurso despojado e comovente, em italiano, traduzido por Clint Eastwood. A Academia faz com freqüência essa espécie de pedido de desculpas em público por erros cometidos no passado. Que, às vezes, são cabeludos. O'Toole, por exemplo, de novo candidato este ano, teve sua interpretação como o major T. E. Lawrence, em &lt;em&gt;Lawrence da Arábia&lt;/em&gt;, clássico dirigido por David Lean, escolhida por críticos e colaboradores da prestigiosa revista americana Premiere, no ano passado, como a melhor de toda a história do cinema. No entanto, perdeu a estatueta de 1962 para Gregory Peck, de &lt;em&gt;O Sol é para Todos&lt;/em&gt; (To Kill a Mockingbird), de Robert Mulligan. Além de galã um ótimo ator, Peck havia sido indicado antes quatro vezes sem levar o prêmio. Assim, levou o de 1962 pelo conjunto da obra, mesmo que seu trabalho como o advogado Atticus Finch não pudesse ser comparado à genial recriação de O'Toole para o torturado guerreiro inglês de terras árabes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-1564923606583063219?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/1564923606583063219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=1564923606583063219' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1564923606583063219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1564923606583063219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/o-79o-oscar.html' title='O 79.o Oscar'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReP3T2TKKyI/AAAAAAAAACE/r8n3YS1aGyY/s72-c/m_Oscar_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-4850680434799049861</id><published>2007-02-24T17:25:00.000-02:00</published><updated>2008-12-11T17:26:44.021-02:00</updated><title type='text'>As casas mais caras</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReCRo2Sts7I/AAAAAAAAABw/6MFKMyTuqTk/s1600-h/m_Updown.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035184514355016626" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReCRo2Sts7I/AAAAAAAAABw/6MFKMyTuqTk/s400/m_Updown.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReCRgWSts6I/AAAAAAAAABo/5_1k1gQzGaU/s1600-h/m_HalaRanch.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035184368326128546" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReCRgWSts6I/AAAAAAAAABo/5_1k1gQzGaU/s400/m_HalaRanch.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReCRU2Sts5I/AAAAAAAAABg/F8D1ajFhjnc/s1600-h/m_HalaRanch1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035184170757632914" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReCRU2Sts5I/AAAAAAAAABg/F8D1ajFhjnc/s400/m_HalaRanch1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O castelo de Updown Court e fachada e sala do Hala Ranch&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A revista americana Forbes, famosa pela lista dos homens mais ricos do mundo, é uma publicação de negócios que, além de elaborar primorosos perfis sobre empresários e bilionários, ultimamente tem diversificado a área de cobertura em seu assunto predileto, o do bem-viver propiciado pelo dinheiro de sobra. Em sua mais recente edição, a revista faz um apanhado das casas mais caras do mundo.&lt;br /&gt;A primeira da lista é o castelo de Updown Court, em Windlesham, Surrey, na Inglaterra. Com o exagero de 103 quartos e outras acomodações, cercados por 58 acres de jardins e uma floresta nativa, a propriedade consegue ser maior que o Palácio de Buckingham, residência da rainha, e vale 70,3 milhões de libras, ou 138 milhões de dólares.&lt;br /&gt;A segunda é a mansão construída, em estilo rancho, pelo príncipe Bandar bin Sultan bin Abdul Aziz, ex-embaixador da Arábia Saudita nos Estados Unidos, no alto de uma montanha em Aspen, no Colorado. Com 15 quartos e 16 banheiros, num imenso terreno de 95 acres, o Starwood Ranch, ou Hala Ranch, está avaliado em 135 milhões de dólares.&lt;br /&gt;Ambas logo serão rebaixadas no ranking porque o magnata americano do ramo de construções, Tim Blixseth, dono de uma fortuna pessoal avaliada em 1,2 bilhão de dólares, está erguendo uma mansão em madeira e pedra dentro do parque nacional de Yellowstone, no Colorado, para passar seus fins-de-semana. E aos possíveis interessados ele já avisa que poderá vendê-la por 155 milhões de dólares.&lt;br /&gt;Haja dinheiro para comprar casas assim. E também para mantê-las, com seus numerosos empregados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-4850680434799049861?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/4850680434799049861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=4850680434799049861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4850680434799049861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4850680434799049861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/as-casas-mais-caras.html' title='As casas mais caras'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/ReCRo2Sts7I/AAAAAAAAABw/6MFKMyTuqTk/s72-c/m_Updown.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-4633777650294237802</id><published>2007-02-13T23:49:00.000-02:00</published><updated>2007-02-14T00:16:34.372-02:00</updated><title type='text'>Na zona do agrião</title><content type='html'>O excelente crítico de cinema Luiz Zanin Oricchio, desde há alguns meses também titular de uma coluna sobre futebol no jornal O Estado de S. Paulo, lança a seguinte dúvida, a propósito da proximidade dos 1 000 gols do veterano atacante Romário: "Será que Romário foi melhor que Pagão, ídolo do Chico Buarque de Hollanda? Ou Coutinho, que até Pelé, talvez por gentileza (mas não estou muito certo disso), dizia ser o bambambã na área?"&lt;br /&gt;O virtuose Pagão foi, de fato, um centro-avante de fina estirpe. Perseguido por seguidas contusões com suas canelas de vidro, foi mandado embora do Santos mas se vingou do ex-time jogando pelo São Paulo. Infernizou de tal modo a defesa adversária que o Santos precisou fugir da raia para não sofrer um vexame histórico. Quando o placar já estava em 4 a 1 para os inimigos, Pelé e companhia aproveitaram o fato de ter dois jogadores expulsos para simular contusões até reduzir o time a 7, obrigando o juiz a encerrar a partida antes do tempo. Não se permitiam substituições naquela época.&lt;br /&gt;O sucessor do branquelo Pagão no Santos, um negrinho endiabrado que estreou ao lado de Pelé com apenas 15 anos de idade, foi no entanto melhor do que ele. Antônio Wilson Vieira Honório, o Coutinho, começou logo em sua primeira partida oficial com dois gols na vitória do Santos por 3 a 0 sobre o Vasco da Gama, no torneio Rio-São Paulo de 1958, para dizer a que viera. Ficaram famosas no mundo todo suas tabelinhas com o Rei, sempre em sentido vertical e com conclusões letais, ora dele, ora do companheiro. Ali, dentro da área, ou da zona do agrião, como dizia o cronista e técnico João Saldanha, este blogueiro nunca viu ninguém mais perfeito. Como não conheci o jogo de Heleno, Friedenreich, Feitiço, Teleco, Servílio e Leônidas da Silva, não posso afirmar que Coutinho foi o maior de todos. Mas certamente mais do que Romário ele foi, apesar de o baixinho ter sido considerado um gênio na área até por Johan Cruyff, o comandante de ataque da seleção holandesa, a Laranja Mecânica que encantou o mundo na década de 70.&lt;br /&gt;Em meados dos anos 60, o Corinthians montou um time de respeito, com o mestre Dino Sani, que se projetara no São Paulo, como volante, e o então novato Rivelino, o maior jogador que já defendeu as cores do clube, como meia-armador. A torcida compareceu em peso aquela noite ao Pacaembu, confiante em que seu time acabaria com o tabu contra o Santos, que vinha desde 1957.&lt;br /&gt;Iniciado o jogo, Pelé quase não conseguia andar no gramado, tal a marcação exercida sobre ele. Dino dava as cartas no meio-de-campo, secundado por Rivelino. Houve um lance magnífico, desses de ficarem registrados para a história. A bola caiu entre Pelé e Dino. O Rei investiu como um touro, bem ao seu feitio. Só que Dino chegou antes, e com um leve toque tentou dar um chapéu no adversário. Ao ver a bola cruzando sobre sua cabeça, Pelé ergueu as duas mãos, apanhou-a e ofereceu-a a Dino. Não foi só um gesto cavalheiresco. Houve majestade nele, de um rei que se recusava a ser humilhado. Quem imaginaria um lance com essa qualidade, hoje em dia?&lt;br /&gt;Pois bem, mas o jogo seguia quente, com muita marcação de parte a parte. Sem espaço, Pelé esticou três passes para dentro da área. E Coutinho fez os três gols. Sentado no cimento ao fim da partida, enrolado na bandeira e a expressão perdida, o corintiano desolado com os 3 a 0 era a imagem da torcida derrotada mais uma vez pelo quase invencível Santos daquela época.&lt;br /&gt;Coutinho era de uma frieza irritante diante do gol. Nunca dava um chutão, apenas colocava a bola com sutileza, longe do alcance do goleiro. Parecia enxergar brechas na defesa que ninguém mais via.&lt;br /&gt;Uma contusão séria e malcurada no joelho, mais a tendência precoce para engordar, abreviaram sua carreira. Por isso, jogou pouco também na Seleção brasileira. Pelo Santos, disputou 457 partidas e marcou 370 gols. Encerrou a carreira com apenas 27 anos, no Saad, de São Caetano do Sul, município do ABC paulista, depois de sair do Santos e ter uma rápida passagem por outros times, como o Vitória, da Bahia, o Bangu, do Rio, e o Atlas, do México.&lt;br /&gt;Salve, Coutinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-4633777650294237802?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/4633777650294237802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=4633777650294237802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4633777650294237802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/4633777650294237802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/na-zona-do-agrio.html' title='Na zona do agrião'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-485337453340289901</id><published>2007-02-13T22:04:00.001-02:00</published><updated>2007-02-13T08:33:20.255-02:00</updated><title type='text'>Reparação moral</title><content type='html'>No Fórum de Leitores do jornal O Estado de S. Paulo de hoje, o leitor Romano Fabris escreve: "É por se levar a sério palavras como as da presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, no sentido de evitar a discussão da segurança sob o impacto de tragédias como a do assassinato do menino João Hélio, que nada se faz no Brasil, onde as tragédias são diárias e cada vez mais bestiais e aviltantes. Assim, estando sempre sob a influência de desgraças cada vez maiores, nada se discute, nada se decide, à espera de ocasião mais tranqüila, que, é óbvio, nunca virá. E os responsáveis, como a ministra, se perdem em tecnicalidades e discussões abstratas e acacianas sobre a idade ideal para se condenar alguém. Enquanto isso, nos países mais civilizados do mundo, se condenam menores de até 12 anos a longas penas por delitos até menos trágicos, ao passo que, aqui, assassinos brutais cumprem apenas um sexto de penas ridiculamente pequenas. Será que os bárbaros são eles?"&lt;br /&gt;Está coberto de razão o leitor. A corte suprema e o Parlamento não devem, de fato, tomar decisões de afogadilho, pressionados por uma opinião pública que se mostra chocada pela bárbara execução de uma criança, arrastada do lado de fora de um carro por 14 ruas e 7 quilômetros no Rio de Janeiro. Um motorista que emparelhou seu automóvel com o dos assassinos, um deles menor de idade, para avisar que havia um corpo do lado de fora, ouviu do condutor do veículo roubado, de acordo com evidências Diego Nascimento da Silva, de 18 anos: "É um boneco de Judas". João Hélio Fernandes, o garoto trucidado, tinha 6 anos, idade da inocência até para futuros assaltantes, estupradores e homicidas.&lt;br /&gt;Mas se a feitura de leis e a aplicação deles requerem equilíbrio, o argumento usado contra a redução da maioridade penal no Brasil é pífio. Todos, da ministra Ellen Gracie ao presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior ao presidente da OAB, Cezar Britto, passando pelo advogado Ricardo Cabezón, presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da mesma entidade, afirmam que a diminuição de 18 para 16 anos da idade-limite para a condenação por crimes "não resolve o problema". E cada qual acrescenta, a seu juízo, o que seria preciso mudar nas condições sociais, econômicas e educacionais do país para ajudar as leis a se tornarem mais eficientes.&lt;br /&gt;Podem até estar certos, de um ponto de vista global e humanista. Mas diante de um crime como o cometido contra João Hélio o que a família quer, e também a sociedade, é muito mais uma reparação moral do que a resolução do problema para evitar a morte de outras crianças. Além do mais, uma melhora substancial nas condições sócio-econômicas no Brasil somente ocorrerá, e com otimismo, décadas adiante. Até lá, como agiremos: faremos algo ou manteremos os braços cruzados, porque a simples mudança da lei não resolve?  &lt;br /&gt;Atualmente, um menor infrator permanece no máximo três anos recluso na Febem, não importa o tipo de crime, se um roubo, um latrocínio ou uma execução cruel, como a de João Hélio e da adolescente Liana Friedenbach, de 16 anos, estuprada e degolada a golpes de facão em Embu-Guaçu, São Paulo, pelo menor 'Champinha'. Como paliativo, a Justiça tem decretado a permanência do menor em manicômios judiciários após os três anos prescritos na lei. Agora, a OAB e o Congresso se mostram dispostos a aumentar o prazo máximo para cinco anos, o que também não passa de um paliativo.&lt;br /&gt;Na Inglaterra e nos Estados Unidos, meninos de 12 anos já foram condenados à morte por assassinato. A pena capital continua em pleno vigor em vários estados americanos, e em certos países muçulmanos ela é aplicada, legalmente, pelos próprios familiares da vítima, de acordo com a Lei de Talião, 'olho por olho, dente por dente'. Seriam todos esses países bárbaros, e o Brasil o único civilizado? Por aqui, um assassino serial pode ser condenado a centenas de anos de prisão na soma dos crimes, mas a consolidação das penas reduz o tempo máximo de carceragem a 30 anos. E presos de boa conduta passam para o regime semi-aberto após cumprir apenas 1/6 da sentença condenatória. Nada de cadeira elétrica, injeção letal ou prisão perpétua. É o respeito servil aos direitos humanos – dos criminosos, não das vítimas.&lt;br /&gt;A ambigüidade campeia. A população elege do presidente da República ao último dos vereadores, mesmo parte sendo analfabeta, e há gente do PT querendo eternizar Lula no Planalto por meio de um plebiscito com força constitucional. Mas ninguém leva adiante a idéia de convocar um referendo popular sobre a pena de morte. Obviamente, porque ela passará, contra toda a tradição católica do Brasil, a oposição da CNBB e da OAB e demais entidades e partidos políticos, a maioria de esquerda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-485337453340289901?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/485337453340289901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=485337453340289901' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/485337453340289901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/485337453340289901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/reparao-moral.html' title='Reparação moral'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-1362308689055974304</id><published>2007-02-13T08:31:00.000-02:00</published><updated>2008-12-11T17:26:44.246-02:00</updated><title type='text'>O azarão Obama</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/RdGTqWSts4I/AAAAAAAAABU/G0tWgq43Vn8/s1600-h/m_superman.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030964614497416066" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/RdGTqWSts4I/AAAAAAAAABU/G0tWgq43Vn8/s400/m_superman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Obama em frente a uma estátua do Super-Homem: ele tem a força&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a popularidade do atual presidente George W. Bush no fundo do poço, sobretudo por conta da desastrada intervenção militar no Iraque, o Partido Democrata tem grandes chances de voltar a ocupar a Casa Branca após as eleições do próximo ano. E com uma mulher, a primeira da história americana nesse cargo, a senadora Hillary Clinton, favorita disparada nas pesquisas.&lt;br /&gt;Por tudo que precisou agüentar, sem perder a classe, durante e após o rumoroso caso de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, com a estagiária Monica Lewinski, e também por sua experiência, conhecimentos e simpatia, Hillary merece o favoritismo. Só que agora, no meio do caminho de uma futura indicação por seu partido, que parecia tranqüila, existe uma pedra. E ela se chama Barack Obama, o jovem senador negro, de 45 anos, pelo estado de Illinois. É extraordinário que na maior democracia do mundo o próximo presidente possa ser uma mulher ou um negro.&lt;br /&gt; Há outros pré-candidatos pelo Partido Democrata, menos cotados: os veteranos senadores Joseph R. Biden, Jr., do Delaware, e Christopher John Dodd, de Connecticut; John Edwards, também senador, da Carolina do Norte, e candidato a vice na chapa democrata derrotada por Bush em 2004; o deputado federal Dennis Kucinich; os governadores de Iowa, Tom Vilsack, e do Novo México, Bill Richardson, este, um ex-secretário de Energia no governo Bill Clinton; e o ex-senador Mike (Maurice Robert) Gravel, o mais velho, de 77 anos. Nenhum deles deverá ser páreo para Hillary e Obama.&lt;br /&gt;Carismático e articulado, Obama – que, por sinal, tem um 'Hussein' no seu nome completo, Barack Hussein Obama, Jr., para tormento de Bush – não é um militante das causas da raça. Já recebeu por isso não poucas críticas, tanto do movimento negro quanto de adversários brancos. Em 2000, quando concorria a uma cadeira na Câmara dos Representantes (Deputados), seu oponente, o republicano Bobby Rush, disse que ele "não era suficientemente negro" para merecer os votos de sua gente. Obama parece não dar importância a essas acusações, assim como para as mais recentes pesquisas, que indicam maciça preferência dos negros por Hillary, e não por ele.&lt;br /&gt;Filho de pai africano, do Quênia, e mãe americana branca, do Kansas, que se conheceram num curso de extensão universitária em Honolulu, capital da ilha do Havaí, lá se casaram, geraram a criança e depois se divorciaram, o menino Obama foi criado pelos avós maternos e fez seus primeiros estudos na mesma ilha. O pai Obama foi para os Estados Unidos, onde se doutorou por Harvard, voltou para o Quênia e morreu num acidente de carro quando o filho tinha 21 anos. A mãe, Ann Dunham, morreu mais tarde, de câncer. Tinha-se casado de novo, agora com um indonésio, mantendo sua predileção pelas minorias.&lt;br /&gt;Levado pelos avós para os Estados Unidos, Obama passou a adolescência em Chicago. Graduou-se em Ciência Política pela Universidade de Columbia, e depois em Direito, com louvor, por Harvard. Foi o primeiro presidente negro da prestigiosa Harvard Law Review, a revista de assuntos jurídicos da quase quadricentenária universidade. Abriu um escritório de advocacia para defender direitos civis e sempre trabalhou para os mais humildes, brancos ou negros. Eleito para o Senado estadual do Illinois, em 1996, e reeleito em 2002, elaborou leis que beneficiaram trabalhadores pobres com a devolução do Imposto de Renda, a ampliação do acesso ao sistema de seguro-saúde e a realização de campanhas preventivas contra a AIDS e o aumento da rede de assistência aos soropositivos. O único de seus projetos voltados especificamente para os negros foi o que fez instalar câmeras de vídeo nas salas de interrogatório policiais, para coibir a perseguição racial. Dá para ver, por esse currículo, que Obama é feito de outra extração, comparado ao atual presidente americano.&lt;br /&gt;Casado com Michelle Robinson desde 1992, e pai de Malia, nascida em 1999, e Sasha, nascida em 2001, Obama se tornou conhecido no país ao ser eleito para o Senado americano em 2004, proferir um célebre discurso na convenção nacional de seu partido naquele ano e criticar seguidamente o governo, seja pela demora no atendimento das vítimas do furacão Katrina, seja pela campanha militar no Iraque. Sua pré-candidatura à Presidência dos Estados Unidos foi lançada no último sábado, no mesmo local (a antiga sede legislativa de Springfield, capital do estado de Illinois) em que Abraham Lincoln lançou a dele, em 1858. Obama, por enquanto, não passa de um azarão, mas que impõe respeito. Hillary que se cuide.&lt;br /&gt;O cinema já mostrou um presidente americano negro, interpretado pelo grande ator Morgan Freeman, no filme &lt;em&gt;Impacto Profundo&lt;/em&gt; (Deep Impact, de 1998). O que era mera ficção pode transformar-se em realidade, mais cedo do que se imaginava. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-1362308689055974304?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/1362308689055974304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=1362308689055974304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1362308689055974304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/1362308689055974304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/o-azaro-obama.html' title='O azarão Obama'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/RdGTqWSts4I/AAAAAAAAABU/G0tWgq43Vn8/s72-c/m_superman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7934475207804552189</id><published>2007-02-09T16:19:00.000-02:00</published><updated>2008-12-11T17:26:44.369-02:00</updated><title type='text'>Os números do Enem</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcy7WmSts3I/AAAAAAAAABI/3TMbNQlxguU/s1600-h/m_60anos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5029600880776557426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcy7WmSts3I/AAAAAAAAABI/3TMbNQlxguU/s200/m_60anos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É lamentável que o Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, revele ano após ano a progressiva deterioração da qualidade de nosso ensino. Não foi diferente em 2006. Os números do provão, realizado pelo Ministério da Educação, MEC, em 27 de agosto, com uma participação recorde de cerca de 2,7 milhões de estudantes (de cerca de 3,7 milhões inscritos), mostram que de zero a 100 a média em redação caiu de 55,96 pontos no ano anterior para 52,08, e a média nas questões objetivas, de 39,41 para 36,90. Em termos relativos, isso significa que o grau de aprendizado escolar no país, englobados os ensinos fundamental e médio, piorou em apenas um ano 6,9% em redação e 6,4% nas questões objetivas. Diante da uniformidade dos critérios de avaliação adotados, mesmo que possa ter havido alguma diferença de interpretação por parte dos julgadores, trata-se de um dado preocupante. Que futuro se pode esperar de um país quando suas crianças dos cursos básico e secundário são reprovadas em massa num teste de conhecimentos objetivos e passam raspando num de manifestação escrita, ambos realizados em caráter oficial? E, se o provão fosse restrito às escolas públicas, o resultado seria ainda mais desastroso, porque todas as melhores notas ficaram com as instituições particulares.&lt;br /&gt;À divulgação dos números na quarta-feira pelo MEC seguiu-se uma onda previsível de críticas à atual qualidade do ensino no país, formuladas por respeitáveis analistas. Um deles, o jornalista Rolf Kuntz, de O Estado de S. Paulo, compara com grande lucidez a superficialidade das prioridades econômicas adotadas no Brasil, ao largo de uma maior atenção para com a educação, e a política de longo prazo praticada pelos países emergentes da Ásia, inclusive a China, que tratam de formar capital humano para incorporar tecnologias e assim dar qualidade ao seu crescimento econômico. Sobre o nosso sistema de ensino, em particular, diz Kuntz: "Mas nenhum plano ou programa de aceleração do crescimento (referindo-se ao PAC) será completo sem uma boa estratégia de reforma educacional. O governo federal, no entanto, continua a agitar bandeiras muito mais vistosas do que eficazes. Promete a democratização do ensino superior, sem cuidar seriamente da formação básica dos estudantes e do fortalecimento do ensino médio. Mantém na pauta a distribuição de computadores baratos a escolas públicas, quando deveria cuidar muito mais de objetivos elementares, como o ensino de português, matemática e rudimentos de ciências. Enquanto essas tarefas continuam negligenciadas, o presidente anuncia triunfalmente a inclusão da história da África no currículo. É o terceiro-mundismo extravasando da política externa para a educação. O rumo é o Terceiro Mundo, não o terceiro milênio".&lt;br /&gt;Nada haveria a acrescentar a essa brilhante análise, a não ser, talvez, uma pitada de sugestões sobre como melhorar os ensinos fundamental e médio no país. Quanto mais os brasileiros de boa cabeça e conhecedores do assunto, como Kuntz, que além de jornalista é professor universitário, e o senador Cristovam Buarque, que fez toda uma campanha presidencial pregando uma revolução pelo ensino, aliarem as críticas às sugestões, mais poderão ajudar a transformar a agenda da educação em questão prioritária no Brasil.&lt;br /&gt;Os dados sócio-econômicos do Enem 2006 indicam que o desafio principal para melhorar a qualidade do ensino está em escapar de alguma forma ao cerco da pobreza. A renda familiar de 84,9% dos participantes do provão do ano passado que responderam a uma pesquisa feita pelo MEC é de apenas um a cinco salários mínimos. Isso significa que quase nove entre dez estudantes pertencem a famílias cujos ganhos somados de seus membros atingem, no máximo, 1 750 reais por mês. Mais 8,8% situam-se na faixa de cinco a dez mínimos e 1,6% declararam não ter rendimento nenhum.&lt;br /&gt;Quando a batalha diuturna pela sobrevivência se impõe a todas as outras necessidades, não se pode esperar que o ensino dado na escola seja complementado nos lares, entre outros fatores pela falta de tempo dos pais. Ainda hoje, na zona rural, muitos deles só concordam em manter os estudos dos filhos se estes puderem ajudar na roça ao menos por meio período. E, nas cidades, a maioria dos pais consegue falar com os filhos apenas nos fins de semana, porque em dia de batente saem para o trabalho antes da luz do sol e voltam para casa noite alta. Assim, o escasso complemento de ensino, se há, é dado pelas mães, quando não trabalham fora ou não têm prole excessivamente numerosa. Por falar nisso, até entre os próprios estudantes revela-se o hábito de cedo procriar. Quase 16% (15,8%), casados ou não, já têm filhos, alguns (1%), até quatro ou mais.&lt;br /&gt;Em tais condições, obviamente, o primeiro requisito para se poder melhorar a qualidade do ensino no Brasil, nos níveis fundamental e médio, está em aumentar o tempo de permanência na escola, e aí entra o papel do governo. Se a família não tem como sustentar, o remédio é subsidiar. É preciso gastar muito mais dinheiro também com a formação dos professores e a melhora das instalações do estabelecimento de ensino. E completar o processo com a atualização do currículo e a modernização pedagógica, porque está provado que a criança aprende mais quando participa da aula, ao invés de limitar-se a ouvir e copiar.&lt;br /&gt;Para surpresa de muitos, a escola classificada em primeiro lugar no Enem 2006 fica no Piauí, o mais pobre estado brasileiro. Trata-se do Instituto Dom Barreto (brasão acima, no início do texto), de Teresina, que obteve a média geral de 74,17 pontos, a melhor do país, e deixou em segundo plano os afamados colégios Vértice (segundo colocado, com 74,12) e Bandeirantes (sexto, com 70,84), de São Paulo, e os dois Santo Agostinho do Rio de Janeiro, o do centro da cidade (terceiro lugar, com 72,31) e o da Barra da Tijuca (quinto, com 71,71). O Dom Barreto é um colégio particular fundado em novembro de 1943 por oito missionárias católicas e até hoje se mantém como uma entidade filantrópica, sem objetivo de lucro. Como ele, na lista das 20 melhores escolas do Enem 2006 há várias outras de cunho ou origem religiosos, nas quais as aulas são ministradas por mais horas do que as regulamentares. O tempo de permanência e o ensino levado a sério, portanto, fazem diferença. E os piauienses estão de parabéns, porque um povo que cuida da educação jamais se condena ao atraso e à pobreza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7934475207804552189?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7934475207804552189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7934475207804552189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7934475207804552189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7934475207804552189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/os-nmeros-do-enem.html' title='Os números do Enem'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcy7WmSts3I/AAAAAAAAABI/3TMbNQlxguU/s72-c/m_60anos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-3869715761703378297</id><published>2007-02-08T01:32:00.001-02:00</published><updated>2007-02-08T01:32:55.079-02:00</updated><title type='text'>Futebol sem ídolos</title><content type='html'>Os garotos colecionavam figurinhas de seus times, encontradas em balas, e trocavam as sobras com os amigos em disputas de pife-pafe. Os dicionários registram esse nome como o de um jogo de baralho semelhante ao buraco e à cacheta, mas nas calçadas daquele tempo os meninos desafiavam "Pife!", e os colegas respondiam "Pafe!", batendo com a palma da mão no monte de figurinhas e ganhando as que conseguiam virar do avesso.&lt;br /&gt;Muitos sabiam de cor a escalação completa do time para o qual torciam. Paixões clubísticas se formavam entre os pequenos e depois se consolidavam na adolescência por causa dos ídolos. Boa parte da atual torcida do Santos nasceu na era Pelé, que começou em meados dos anos 50, atravessou os 60 e invadiu os 70. No Corinthians, o goleiro Gilmar, o meia Luizinho e o centro-avante Baltazar, campeões do quarto centenário da cidade de São Paulo em 1954, o meia Rivelino (na época seu nome era grafado com um 'l'), de meados da década de 60 até 1974, o fatídico ano em que o time perdeu uma decisão de campeonato para o arqui-rival Palmeiras, e o atacante Sócrates, entre fins de 70 e parte dos anos 80, também formaram legiões de torcedores.&lt;br /&gt;Bons tempos, enterrados para sempre pela Lei Pelé e seu complemento, a extinção da antiga Lei do Passe. Muito antes de ser ministro de governo e assim poder bancar a mudança na legislação, o rei do futebol já havia dito: "O jogador é um escravo". Referia-se às dificuldades dos profissionais da bola de se livrarem do vínculo com o clube. Com o passe na mão este impunha sua vontade, seja nas condições de trabalho, seja na renovação dos contratos.&lt;br /&gt;Hoje os jogadores, os mais famosos principalmente, deixaram de ser escravos para se tornar mercenários. Correm atrás mais do dinheiro do que da bola. Amor à camisa virou papo para boi dormir, com raras exceções. Duas delas são os goleiros Marcos, do Palmeiras, e Rogério Ceni, do São Paulo. Estes, pode-se afirmar, merecem busto à entrada do estádio. Já os demais... bem, esses não têm sequer como fazer parte de álbuns de figurinhas, se os meninos ainda tivessem o hábito de colecioná-los.&lt;br /&gt;O veterano centro-avante Cristian ficou só um mês no Corinthians. O novato lateral direito Fagner, ainda outro dia na categoria juvenil, nem se apresentou ao clube depois do Sub-20 disputado pela seleção brasileira. Foi para o PSV holandês, com um contrato de cinco anos, e não deu satisfações. O lateral esquerdo Gustavo Nery foi outro que sumiu: simplesmente abandonou o emprego por não gostar do técnico, Leão. E vai por aí afora. Todos cuidam dos próprios interesses, com seus empresários e advogados. Não estão nem aí para os marmanjos e garotinhos das arquibancadas.&lt;br /&gt;Existe hoje um divórcio irremediável nos campos de futebol, entre a paixão dos torcedores e o pragmatismo dos jogadores. Assim, os ídolos vão desaparecendo, alguns porque se transferem para o exterior em busca dos dólares, a maioria porque troca de clube como político que muda de partido, à cata de migalhas. Jovens promessas não se firmam porque bastam alguns jogos bem disputados para ter a praga dos empresários, na verdade agenciadores baratos atrás de dinheiro fácil, batendo à porta, prometendo-lhes mundos e fundos em algum clube estrangeiro, qualquer que seja. Por falar nisso, os argentinos Tevez e Mascherano não devem estar muito felizes por terem trocado o calor da nação corintiana pela frieza do país e do clube inglês cujo nome, traduzido literalmente, é 'Presunto do Oeste'. Mas eles que se danem, já que também mandaram uma banana para o glorioso alvinegro do Parque São Jorge.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-3869715761703378297?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/3869715761703378297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=3869715761703378297' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3869715761703378297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/3869715761703378297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/futebol-sem-dolos.html' title='Futebol sem ídolos'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-2803146823151887390</id><published>2007-02-06T19:53:00.000-02:00</published><updated>2008-12-11T17:26:44.898-02:00</updated><title type='text'>Desenhos que são pinturas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcj6dravJRI/AAAAAAAAAAs/LyGxEvyL5H0/s1600-h/m_bible1_edited.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028544371737175314" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcj6dravJRI/AAAAAAAAAAs/LyGxEvyL5H0/s400/m_bible1_edited.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcj6P7avJQI/AAAAAAAAAAk/X--leyuppBw/s1600-h/m_Dore_London_edited.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028544135513974018" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcj6P7avJQI/AAAAAAAAAAk/X--leyuppBw/s400/m_Dore_London_edited.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A morte de Abel por Caim e cena de Londres&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gustave Doré, nascido em Estrasburgo, na fronteira da França com a Alemanha, em 6 de janeiro de 1832, filho de um engenheiro construtor de pontes, e morto em Paris em 23 de janeiro de 1883, aos 51 anos, foi talvez o mais extraordinário dos ilustradores de qualquer tempo e qualquer lugar. Dono de prodigioso talento, a ponto de publicar quatro litogravuras aos 13 anos e de ser contratado como chargista por um jornal parisiense aos 15, produziu grande quantidade de desenhos, gravuras, pinturas e esculturas, tendo ilustrado mais de 200 obras literárias em sua curta vida.&lt;br /&gt;Escritores e poetas como Rabelais (&lt;em&gt;O Gigante Gargântua&lt;/em&gt;), Ariosto (&lt;em&gt;Orlando, o Furioso&lt;/em&gt;), Balzac (&lt;em&gt;Contos&lt;/em&gt;), Dante (&lt;em&gt;A Divina Comédia&lt;/em&gt;), Cervantes (&lt;em&gt;Dom Quixote&lt;/em&gt;), Milton (&lt;em&gt;O Paraíso Perdido&lt;/em&gt;), e Poe (&lt;em&gt;O Corvo&lt;/em&gt;) tiveram seus textos enriquecidos pelo traço magistral de Doré, que ora desenhava as imagens a bico de pena, ora as gravava em madeira para reproduzi-las nas edições. Freqüentemente citado pelas ilustrações do paraíso, do inferno e do purgatório que fez para &lt;em&gt;A Divina Comédia&lt;/em&gt;, a obra de Dante lhe exigiu trabalho mais pelas minúcias contidas em cada imagem do que, propriamente, pela quantidade de desenhos. No total, foram 136 as ilustrações feitas por ele para os poemas do genial italiano, lidos em tradução por não conhecer a língua original do livro. Bem menos que as 377 de &lt;em&gt;Dom Quixote&lt;/em&gt; ou as 248 das &lt;em&gt;Fábulas de La Fontaine&lt;/em&gt;, portanto.&lt;br /&gt;Uma edição inglesa de luxo da Bíblia, de 1865, também lhe exigiu ilustrações de elaboração detalhada, como se pode ver pelo exemplo acima, criação do artista para reproduzir a morte de Abel pelas mãos de seu irmão, Caim. Já o desenho de baixo mostra as impressões de viagem para uma Londres de muitas fábricas, em plena revolução industrial. O desenho &lt;em&gt;Sobre Londres, por Trilho&lt;/em&gt;, é de 1870.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-2803146823151887390?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/2803146823151887390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=2803146823151887390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2803146823151887390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/2803146823151887390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/desenhos-que-so-pinturas.html' title='Desenhos que são pinturas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vo7H_MFbFxU/Rcj6dravJRI/AAAAAAAAAAs/LyGxEvyL5H0/s72-c/m_bible1_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8298632411140738766</id><published>2007-02-06T17:38:00.000-02:00</published><updated>2007-02-06T17:39:34.110-02:00</updated><title type='text'>De barriga cheia</title><content type='html'>Há muito de desfaçatez na polêmica entre parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal acerca de seus salários. O ministro Marco Aurélio Mello reagiu a críticas do novo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), aos ganhos dos membros da corte com um desafio: propôs trocar o seu salário pelo dos parlamentares, acrescido das mordomias que estes recebem.&lt;br /&gt;Entre salário e vantagens como verbas de gabinete e auxílio-moradia cada parlamentar recebe hoje, segundo o ministro, em torno de 70 000 reais por mês. "Eu ganho 24 500 reais", declarou Mello, de acordo com uma reportagem de hoje do jornal O Estado de S. Paulo. "Mas tenho um sócio que é o próprio Estado e aí o meu líquido está em torno de 17 000 reais." Propôs ainda trocar sua carga de trabalho pela dos deputados e senadores. "Que eles assumam os 12 000 processos que conduzo no Supremo e eu assumo o trabalho deles, de três dias da semana, de terça a quinta-feira."&lt;br /&gt;Ao saber das afirmações feitas por Mello, parlamentares da situação e da oposição saíram em defesa da própria categoria. Um deles, o líder do PR, Luciano Castro (RR), alegou que a verba de gabinete, de 50 000 reais por mês, é recebida para pagar funcionários. E lembrou que seu cargo não é vitalício, ao contrário do que ocorre no STF. Outro, o senador Gilvan Borges (PMDB-AP), choramingou que vive no vermelho por ter um salário líquido reduzido a 11 000 reais. Nenhum deles, contudo, respondeu à proposta de Mello de trocar a carga de trabalho.&lt;br /&gt;O ministro Marco Aurélio Mello, que já presidiu o STF, é normalmente um homem sensato, mas desta vez esqueceu-se de fazer uma ressalva. Poderia ter dito que ganha muito em comparação com a grande maioria dos brasileiros, mas não em relação aos parlamentares, em vez de simplesmente revelar o seu salário e lamentar os descontos no contracheque, que também atingem trabalhadores cujos holerites não passam de uma fração do dele. Nunca é demais lembrar que o salário mínimo no Brasil, hoje, é de 350 reais. O ministro ganha 70 vezes isso todo mês, ou, para dramatizar um pouco, o que é pago, em troca de muito suor, a 70 chefes de família no país. Quanto aos parlamentares, empenhados em forçar o STF a aprovar o absurdo aumento por eles pretendido, de 91% nos salários, em nome da isonomia entre os poderes – esquecidos de que na Constituição os ganhos no Supremo estão dispostos como um teto, e não como um piso -, não merecem ter seus argumentos comentados com isenção de espírito. Não só porque, de fato, ganham muito mais que os ministros do STF, com suas verbas variadas, como também porque não trabalham.&lt;br /&gt;No clamor da refrega ouviu-se uma solitária voz da razão, a do senador Jefferson Péres, do PDT do Amazonas. "Temos regalias e privilégios que os ministros do Supremo não têm", reconheceu o senador, citando como exemplo a verba indenizatória de 15 000 reais recebida por deputados e senadores para custear as despesas do cargo em seus estados. Um político exemplar, assim como seu colega de partido Cristovam Buarque, do Distrito Federal, Péres caracterizou-se como um oposicionista combativo. Ele parece, assim, um estranho no ninho num PDT que acaba de aderir, de mala e cuia, às hostes do governo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8298632411140738766?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8298632411140738766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8298632411140738766' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8298632411140738766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8298632411140738766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/de-barriga-cheia.html' title='De barriga cheia'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-85751086369732028</id><published>2007-02-06T16:20:00.000-02:00</published><updated>2007-02-06T16:21:57.754-02:00</updated><title type='text'>O Estado é o problema</title><content type='html'>"Por que não avançamos do atraso para uma modernização que não chega nunca? Quando nossos dias melhores virão? Durante o governo de FHC, estávamos às portas de uma modernização político-econômica, prontos para uma revolução administrativa e conceitual, mas chegaram populistas boçais e bolchevistas tardios que, numa aliança louca com a velha direita patrimonialista, seguraram a transformação e voltaram a adorar o bezerro de ouro do Estado.&lt;br /&gt;E assim vamos. Acabamos de ver, perplexos, o rabo da lagartixa do atraso se recompondo, a volta de todos os canalhas denunciados nos escândalos, a retomada de todos os vícios da legislatura passada, sob a arrogância populista do presidente negando o óbvio - que a Previdência não tem déficit e poderá gastar sem cortes. Como disse Dora Kramer, 'Lula será elogiado pelos acertos que não fez (Plano Real) e não será cobrado pelos erros que vai fazer agora, que serão empurrados para seu sucessor. Não adianta: povo ignorante e intelectuais idiotas não entendem que o Estado não é a solução; é o problema. Ninguém entende que o Estado não é a cura, mas a doença. Um país clamando por modernidade vive dramaticamente preso a um imaginário político arcaico e ridículo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Arnaldo Jabor, em sua crônica de hoje nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-85751086369732028?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/85751086369732028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=85751086369732028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/85751086369732028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/85751086369732028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/o-estado-o-problema.html' title='O Estado é o problema'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-6845050805645883720</id><published>2007-02-02T04:19:00.000-02:00</published><updated>2007-02-02T04:20:31.337-02:00</updated><title type='text'>Com o pé esquerdo</title><content type='html'>"Arlindo Chinaglia condensa o que há de pior no PT", afirma no seu artigo de ontem do jornal O Estado de S. Paulo o escritor e jornalista Gilberto de Mello Kujawski, membro do Instituto Brasileiro de Filosofia. E o que seria esse pior? Segundo Kujawski, "o anacronismo político econômico e social fantasiado de progressismo; a prepotência da opinião, arrogante e massacrante; a mistificação de que os fins justificam os meios; a ambição cega do poder pelo poder, sem nenhuma proposta consistente e construtiva em benefício do país; o aparelhamento geral e irrestrito do governo como 'cosa nostra' do partido; a manipulação inescrupulosa da opinião pública mediante a mentira, a invencionice, a demagogia deslavada; a condescendência injustificável com a corrupção e os escândalos de mensaleiros e sanguessugas, os quais pretende inocentar e trazer de volta ao poder".&lt;br /&gt;"Caviloso, maquiavélico, arrogante", prossegue Kujawski, "se eleito, a primeira coisa que vai fazer será preparar a anistia de José Dirceu, sem sombra de dúvida o homem mais perigoso do Brasil. Suas companhias são de assustar: além de Dirceu, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor, Valdemar Costa Neto, Severino Cavalcanti, Bruno Maranhão (o invasor da Câmara) e Paulo Maluf."&lt;br /&gt;Ao irrefutável artigo de Kujawski caberia acrescentar, talvez, a informação de que Arlindo Chinaglia fez da promessa de lutar pelo ignominioso aumento de 91% proposto para os parlamentares a principal bandeira de sua campanha.&lt;br /&gt;Pois bem. Com tudo isso, Chinaglia foi eleito ontem o novo presidente da Câmara de Deputados do Brasil, ao derrotar em segundo turno o outro candidato governista, o então presidente da casa Aldo Rebelo, do PCdoB, por 261 votos contra 243. No primeiro turno, quando concorreu também com o oposicionista Gustavo Fruet, do PSDB, obteve 236 votos, contra 175 dados a Rebelo e 98 ao deputado paranaense da oposição. Um pouco antes, no Senado Federal, a disputa já se definira em favor do também aliado incondicional do governo Renan Calheiros, do PMDB alagoano, reeleito por 51 votos a 28, ao derrotar o oposicionista José Agripino, do PFL do Rio Grande do Norte.&lt;br /&gt;O Congresso Nacional, já se ouviu dizer várias vezes, é uma caixa de ressonância da opinião pública prevalecente em questões políticas no país. O resultado das eleições para as presidências da Câmara e do Senado só confirma essa afirmação. Assim como ocorreu na escolha do presidente da República, os piores candidatos venceram. Pelé, afinal, estava certo quando disse que os brasileiros não sabiam votar. Os interesses corporativistas que amesquinham nosso Congresso e o populismo barato que condena nosso povo ao atraso passam como rolos compressores sobre qualquer discurso pelo resgate da ética e da dignidade na política nacional, e o resultado é apresentado como a manifestação da voz das ruas em nossa democracia. Seria ridículo se não fosse trágico, mas é assim mesmo que a maioria dos brasileiros decide sobre o seu futuro. As urnas não mentem.&lt;br /&gt;E lá vamos nós para mais quatro anos do mesmo na nova legislatura da Câmara, iniciada ontem com a posse dos deputados eleitos ou reeleitos, vários deles da turma dos sanguessugas e dos mensaleiros. Se havia alguma esperança de recuperação da desgastada imagem da casa ela se desvaneceu logo no primeiro dia, porque a maioria dos empossados já começou votando no bilioso deputado petista de São Paulo para seu presidente.&lt;br /&gt;Com o blocão de oito partidos formado para apoiar Chinaglia (PT, PMDB, PP, PR, PTB, PSC, PTC e PTdoB), mais o bloquinho de cinco que fechou com Rebelo (PSB, PDT e PCdoB, além dos minúsculos PAN e PMN), o governo Lula conta hoje com nada menos de 341 deputados para aprovar o que quiser na Câmara, de simples decretos e medidas provisórias a emendas constitucionais. A oposição, pobre dela, e também do país, está reduzida a apenas três partidos: PSDB, PFL e PSP. Assim como Hugo Chávez na Venezuela, portanto, Lula pode até governar por decretos, já que o Congresso no Brasil não serve para mais nada a não ser dizer amém ao Executivo. Sendo assim, por que não concordar logo com os 91% de aumento para os deputados e senadores, para torná-los os mais bem pagos do mundo? Afinal, não faz bem ao nosso ego sermos os maiorais, pelo menos em alguma coisa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-6845050805645883720?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/6845050805645883720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=6845050805645883720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/6845050805645883720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/6845050805645883720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/02/com-o-p-esquerdo.html' title='Com o pé esquerdo'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-7867811811026492596</id><published>2007-01-27T10:14:00.000-02:00</published><updated>2007-01-27T10:15:26.108-02:00</updated><title type='text'>Almoço grátis</title><content type='html'>Sobra jogo de cena e falta objetividade nesse debate público sobre o PAC entre o governador paulista José Serra e o ministro Guido Mantega, da Fazenda. Serra está certo quando diz que o pacote de medidas é vago no que se refere à origem dos recursos, mas erra ao não explicar como o governo poderia sair da atual armadilha de juros altos e câmbio desvalorizado para obter o ambicionado crescimento econômico. E Mantega, que apesar de ser um dos pais do pacote não encontra argumentos técnicos para defendê-lo, refugia-se em ironias de palanque para mascarar a própria incompetência. "É capaz de ela (a oposição) ficar sem discurso se o PAC for um programa coerente, consistente e eficaz", disse ele ontem, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em resposta às críticas feitas por Serra. O emprego do condicional mostra que nem ele tem certeza do acerto das medidas.&lt;br /&gt;Por ironia, a voz da razão em meio ao tiroteio entre o governo e a oposição em torno do assim chamado Programa de Aceleração do Crescimento tem sido a do presidente Lula, que não possui diploma de economista como Serra e Mantega. Em Davos, na Suíça, onde foi participar do Fórum Econômico Mundial, Lula disse ontem, dois dias depois de o Banco Central reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, para 13% ao ano – e não em 0,5 ponto, como esperavam parte do mercado e o próprio Mantega -, que os juros não podem cair por mágica. "Todos nós gostaríamos de uma taxa mais baixa no Brasil, mas você não pode reduzi-la por mágica", afirmou.&lt;br /&gt;De fato, nas atuais condições do país, mesmo com a melhora dos fundamentos econômicos nos últimos anos, mérito sobretudo de Lula, que se não fosse pelo escândalo da quebra de sigilo do caseiro Francenildo teria mantido Antonio Palocci na Fazenda até hoje, só um governante totalmente irresponsável mandaria baixar a taxa Selic a toque de caixa, jogando para a platéia.&lt;br /&gt;Para começar, a dívida mobiliária da União, em termos líquidos, ainda se mantém na ordem de 50% do PIB. Junto com a carga tributária, de escorchantes 38% do PIB, essa dívida sufoca o setor privado, porque drena para os títulos do governo recursos que poderiam estar aplicados na produção. Mesmo assim, a Previdência oficial fechou o ano passado com um déficit de 42 bilhões de reais, e que só tende a crescer. E, para completar, o aumento de renda das famílias com a queda da inflação e os reajustes salariais reais tem impulsionado o consumo.&lt;br /&gt;Diminuir os juros reais para um nível 'civilizado' de 2 a 3% ao ano da noite para o dia, embora isso possa ser desejável por todos, equivaleria assim a dinamitar o precário equilíbrio macroeconômico que permite obter as atuais baixas taxas de inflação. E, se os juros não podem ser reduzidos com celeridade, também não se pode querer que o dólar suba com rapidez, porque as exportações vão bem apesar do real supervalorizado e a remuneração paga pelos títulos públicos continua a atrair recursos estrangeiros para o país.&lt;br /&gt;Trata-se, realmente, de uma armadilha, porque a conjunção desses fatores impede um maior crescimento econômico, por falta de investimentos. Existe poupança suficiente, mas esta não se transforma em investimento porque no meio do caminho uma grande parte é capturada pelo financiamento da dívida pública. Hoje, a taxa de formação de capital em relação ao PIB é da ordem de 19%, quando o Brasil precisaria elevá-la acima dos 25% a cada ano para pensar um crescimento econômico sustentável de 5%.&lt;br /&gt;Como se faz para sair dessa armadilha? Só existe um caminho: a redução do tamanho do Estado, para diminuir a carga tributária e a concorrência pelos recursos de financiamento. O problema é que esse processo também demora. Para não haver rupturas desastrosas, em primeiro lugar se deve diminuir a dívida, com a manutenção dos superávits primários em 4,25% do PIB ou até mais, em segundo economizar onde for possível no orçamento público e, em terceiro, retomar o processo de privatizações interrompido no atual governo. Para completar, deve-se reformar a Previdência e o sistema tributário.&lt;br /&gt;Isso, sim, seria uma verdadeira agenda para o crescimento sustentável. Pode demorar, pode doer, mas não existe almoço grátis em economia, ao contrário do que o governo tenta fazer crer com esse PAC, cuja única medida de contenção de despesas é a limitação da folha salarial do funcionalismo a um teto de crescimento de 1,5% real a cada ano, mas que deverá ser derrubada com facilidade no Judiciário, assim como a utilização do Fundo de Garantia dos trabalhadores para financiar projetos de infraestrutura.&lt;br /&gt;O PAC nasce condenado porque se trata de um programa mais inflacionário do que de crescimento. O Banco Central, certamente, levou esse aspecto em conta quando decidiu cortar a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual. Lula, portanto, faz bem em apoiar Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, contra seu ministro da Fazenda, Mantega.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-7867811811026492596?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/7867811811026492596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=7867811811026492596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7867811811026492596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/7867811811026492596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/almoo-grtis.html' title='Almoço grátis'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-8208152529251177985</id><published>2007-01-24T14:20:00.000-02:00</published><updated>2007-01-24T14:24:56.407-02:00</updated><title type='text'>Osso bom, esse</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;Parece brincadeira, e de muito mau gosto, a notícia de que o lulo-petismo já se movimenta nos bastidores para viabilizar um terceiro mandato consecutivo do atual presidente, mas não é. Haveria uma brecha legal para tanto. Com o fim do instituto da reeleição, caso ele ocorra por instâncias da própria oposição, todos os possíveis candidatos ao cargo estariam zerados em relação ao passado, de acordo com o conceito de nova lei, nova vida. Como a legislação não pode retroagir, Lula teria então assegurado o seu direito de concorrer, tanto quanto os outros.&lt;br /&gt;A possibilidade de um terceiro mandato foi aventada pelo cientista político Leôncio Martins Rodrigues, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, e também vem sendo discutida como uma ameaça real pelos cardeais do PSDB. O candidato tucano à Presidência nas últimas eleições, Geraldo Alckmin, tinha como uma de suas bandeiras de campanha, como se recorda, o fim da reeleição.&lt;br /&gt;O engraçado é que ninguém no ano passado se lembrou da brecha legal. Nenhum jurista veio a público para alertar os tucanos, nem estes se preocuparam em consultar os especialistas. Resultado: ou se muda o discurso agora, o que ficaria feio, ou se faz o jogo do lulo-petismo. O PSDB vê-se numa sinuca de bico por seu descuido, com perdão do trocadilho.&lt;br /&gt;Já o PT, que antes de chegar ao poder sempre combateu a reeleição, equiparando-a a um crime de lesa-pátria nos tempos do governo Fernando Henrique, igualmente teria de mudar seu discurso, mas isso lhe custa muito pouco. Para quem patrocinou o Mensalão e outras formas de compra de apoio parlamentar, fez vista grossa para a ação dos sanguessugas, arranjou dólares para rechear cuecas, dispôs-se a pagar uma pequena fortuna por um dossiê falso, e ainda despreza como simples 'erros' os crimes cometidos, dar o dito pelo não dito é a menor das dificuldades.&lt;br /&gt;Existe também o exemplo, bem-sucedido na opinião dos petistas, do companheiro Hugo Chávez pelas bandas da Venezuela. Com a ausência da oposição nas últimas eleições formou-se um Congresso maciçamente situacionista, o qual acaba de conferir a Chávez poderes para governar por decreto e concorrer a quantas reeleições quiser. O caudilho já havia revelado sua intenção de não largar o ossinho por pelo menos 30 anos. O Congresso brasileiro não é muito diferente do venezuelano. Até um partido como o PDT, que ontem se destacava na oposição, hoje adere ao governo, seduzido pelas benesses prometidas em troca da venda de sua consciência. E mesmo o Brasil, constatemos a contragosto porque é verdade, não difere em essência das republiquetas de banana coirmãs da América Latina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-8208152529251177985?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/8208152529251177985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=8208152529251177985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8208152529251177985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/8208152529251177985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/osso-bom-esse.html' title='Osso bom, esse'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116961824505188818</id><published>2007-01-24T03:56:00.000-02:00</published><updated>2007-01-24T03:57:25.066-02:00</updated><title type='text'>Lá e aqui</title><content type='html'>"Para o ano de 2007, a recomendação do presidente George W. Bush é de um aumento de 2%, sabendo-se que a inflação americana em 2006 foi cerca de 3,5%. No Brasil, para um IPCA de 3,14%, os deputados federais aprovaram um aumento superior a 90%."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(José Pastore, professor da FEA-USP, em artigo publicado ontem no jornal O Estado de S. Paulo, sobre o reajuste salarial aprovado pelos congressistas brasileiros, matéria atualmente sub judice. Detalhe notado pelo professor: o PIB brasileiro está em torno de 650 bilhões de dólares, enquanto o dos EUA ultrapassa os 12 trilhões)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116961824505188818?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116961824505188818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116961824505188818' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116961824505188818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116961824505188818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/l-e-aqui.html' title='Lá e aqui'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116961630866625521</id><published>2007-01-24T03:24:00.000-02:00</published><updated>2007-01-24T03:25:08.690-02:00</updated><title type='text'>Ênfase e correção</title><content type='html'>"Um homem de personalidade", dizia um antigo professor meu de português, "está sempre atrasado 15 anos em relação à moda. Ou adiantado." Vem talvez desse ensinamento minha ojeriza para com os modismos, não só no vestuário como também na língua.&lt;br /&gt;O modismo é uma praga no jornalismo. Não me refiro aos neologismos importados, alguns dos quais acabam se consagrando no vernáculo pelo uso popular. Até porque, todos hão de concordar, futebol é preferível a ludopédio, e motorista a sinesíforo. Também não está em discussão o emprego de certos verbos adaptados de termos ingleses, como ocorre com freqüência em textos sobre informática, porque quem escreve 'disponibilizar' não merece sequer comentário. &lt;br /&gt;Refiro-me à utilização do recurso de ênfase. O recurso é justificável para realçar uma idéia ou informação no texto. Os melhores autores clássicos se valeram dele. Mas precisa ser bem usado para cumprir sua finalidade.&lt;br /&gt;Não é o que acontece com o modismo 'exato', um adjetivo associado, no caso, à noção de tempo. Uma repórter escreveu que o presidente Lula falou durante exatos 15 minutos no discurso de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento, PAC. Como não estava com um cronômetro na mão, ela fez no mínimo uma afirmação temerária. Não poderiam ter sido 14 minutos e 50 segundos, ou 15 minutos e 10 segundos? Mesmo que a diferença fosse de apenas 1 segundo, não seriam 'exatos 15 minutos'. &lt;br /&gt;A correção é o primeiro requisito da informação jornalística. Se a repórter escrevesse apenas "falou durante 15 minutos" ou, num assomo de honestidade, "falou durante cerca de 15 minutos", prestaria uma informação de melhor qualidade. A ênfase, nesse caso, não apenas foi desnecessária como contraproducente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116961630866625521?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116961630866625521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116961630866625521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116961630866625521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116961630866625521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/nfase-e-correo.html' title='Ênfase e correção'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116953343177055921</id><published>2007-01-23T04:23:00.000-02:00</published><updated>2007-01-23T04:23:51.790-02:00</updated><title type='text'>Muito barulho por pouco</title><content type='html'>Crescimento econômico não se obtém por decreto. Essa verdade simples parece ter sido desprezada pelos formuladores palacianos do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, anunciado ontem pelo presidente Lula como o grande projeto do segundo mandato de seu governo para a área econômica.&lt;br /&gt;Algumas das decisões tomadas – que ainda precisam passar pelo Congresso – podem de fato estimular as atividades em segmentos localizados da produção econômica, por reduzir a incidência da carga tributária. Outras não terão resultado prático nenhum a curto prazo, por constituírem providências burocráticas, como a de extinguir a Rede Ferroviária Federal e a Companhia de Navegação do São Francisco, já em processo de liquidação, ou meras intenções, como as de disciplinar a gestão, organização e controle social das agências reguladoras e continuar diminuindo a TJLP, a taxa de juro cobrada pelo BNDES das empresas. E outras, ainda, tendem a despertar muita resistência para sair do papel. As centrais sindicais, por exemplo, estarão em pé de guerra contra a utilização do Fundo de Garantia dos trabalhadores para financiar projetos de infraestrutura. Já os governadores não aceitarão tão facilmente a renúncia fiscal do IPI e do Imposto de Renda, prevista para algumas áreas, por prejudicar suas receitas estaduais. &lt;br /&gt;Para aumentar ainda mais as desconfianças em relação à eficácia do pacote, a única medida de austeridade fiscal anunciada é a limitação da folha de pessoal, inclusive de inativos, por 10 anos - ué, mas o atual governo não acaba em 2010? -, ao crescimento anual de 1,5% mais a variação do IPCA, o índice oficial de inflação. As decisões de sentido inverso, ao contrário, abundam. Além da promessa de reduzir a TJLP e das isenções de impostos propostas, há uma que é, francamente, estapafúrdia. Se ela foi negociada com as centrais sindicais, como diz o governo, o foi com muita incompetência. Prevê o reajuste do salário mínimo, entre 2008 e 2011, com base na variação anual do INPC mais a taxa de crescimento real do PIB de dois anos imediatamente anteriores.&lt;br /&gt;Façamos umas contas. O crescimento acumulado do PIB nos dois últimos anos foi de cerca de 5,2%. O INPC subiu 2,81% em 2006. A soma multiplicada das duas taxas, com o efeito dos juros compostos, dá cerca de 8,2%. Se a regra já estivesse valendo, o mínimo seria reajustado por esses 8,2% neste ano, ficando praticamente no mesmo nível dos 380 reais anunciados pelo governo. Ocorre que a inflação foi excepcionalmente baixa no ano passado. Se o INPC tivesse subido por exemplo 5%, como se previa, o governo seria obrigado a conceder um reajuste de 10,5%, causando um estrago ainda maior nas contas da Previdência, uma das principais fontes de déficit público. É claro que todos gostariam de dar ao trabalhador brasileiro o maior salário mínimo do mundo, mas uma coisa é querer, outra é poder. Assim, diante da realidade do país hoje, uma regra mais sensata, para não estourar de vez com o sistema oficial de aposentadoria e pensões, seria um reajuste pelo aumento do PIB per capita ocorrido a cada ano, e não do PIB geral em dois anos, mais o INPC. &lt;br /&gt;Não há crescimento econômico que se sustente sem a criação de um ambiente favorável aos negócios. Isso significa, principalmente, encolher o tamanho do Estado para que este deixe de tomar recursos do setor privado para financiar as próprias dívidas, equilibrar as contas da Previdência, parar de interferir em setores com regulação acordada em contratos, melhorar a infraestrutura cortando gastos públicos correntes, reduzir a burocracia, estimular o empreendedorismo e ao mesmo tempo modernizar a legislação sindical para favorecer a geração de empregos. &lt;br /&gt;O PAC vai na direção contrária a tudo isso. Basta ver que, do total de 504 bilhões de reais em investimentos previsto para o período de 2007 a 2010, somente a estatal Petrobrás será responsável por quase 30%, ou 144 bilhões. Como a economia brasileira é muito maior que a Petrobrás, só por aí dá para concluir que o pacote anunciado por Lula é insuficiente para fazer o PIB crescer 5% ao ano, como quer o governo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116953343177055921?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116953343177055921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116953343177055921' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116953343177055921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116953343177055921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/muito-barulho-por-pouco.html' title='Muito barulho por pouco'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116918214453819420</id><published>2007-01-19T02:44:00.000-02:00</published><updated>2007-01-19T03:10:49.643-02:00</updated><title type='text'>Movimento e contemplação</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/1600/465367/m_Ballet.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/400/279331/m_Ballet.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/1600/988351/m_Tempo_parado.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/400/75524/m_Tempo_parado.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/1600/317980/m_Danse.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/400/280419/m_Danse.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se assina apenas Olga M. Trata-se de uma fotógrafa russa que consegue efeitos inspirados de cor e luz controlando a abertura de suas lentes e com a ajuda, por vezes, da iluminação do objeto focalizado. Observe-se por exemplo, na foto da parte de cima, &lt;em&gt;Balé&lt;/em&gt;, a sombra da bailarina lançada para frente e para trás. &lt;br /&gt;Olga usa câmeras convencionais e também as digitais. Trabalha com vários equipamentos, de Canon, Nikon e Pentax a Sony e até Kodak. &lt;em&gt;Balé&lt;/em&gt; e a foto de baixo, &lt;em&gt;Dança&lt;/em&gt;, foram feitas com uma digital Canon. A do meio, &lt;em&gt;Tempo Parado&lt;/em&gt;, está sem a indicação da câmera utilizada, no site Photoforum (clique &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.photoforum.ru/"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116918214453819420?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116918214453819420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116918214453819420' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116918214453819420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116918214453819420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/movimento-e-contemplao.html' title='Movimento e contemplação'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116898942404965417</id><published>2007-01-16T21:16:00.000-02:00</published><updated>2007-01-16T21:17:04.060-02:00</updated><title type='text'>Racha e impasse</title><content type='html'>O lançamento do deputado Gustavo Fruet, do PSDB do Paraná, como candidato à presidência da Câmara pela frente multipartidária denominada terceira via, racha o grupo e cria um impasse para os tucanos. &lt;br /&gt;O racha evidenciou-se hoje, tão logo foi anunciada a candidatura de Fruet. O grupo, que já era pequeno, constituído por não mais de 30 deputados, tornou-se ainda menor com a saída do PSOL. O partido defendia o nome de Luíza Erundina, do PSB de São Paulo, como candidata, e também não admite aliar-se aos tucanos sob nenhuma circunstância, preocupado em marcar sua posição oposicionista. Desse jeito, não há frente multipartidária que resista.&lt;br /&gt;Quanto ao impasse tucano, o problema aprofunda a crise vivida pelo partido. Depois de obrigar Jutahy Júnior, o líder na Câmara, a recuar do apoio ao candidato Arlindo Chinaglia, do PT, primeiro pelo puxão de orelhas nele aplicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e depois pela marcação, para o próximo dia 25, de uma reunião da Executiva Nacional e das bancadas na Câmara e no Senado para deliberar sobre a questão, o PSDB, cujas principais lideranças se inclinavam pela candidatura do também governista Aldo Rebelo, do PCdoB de São Paulo, agora se vê obrigado a desautorizar ou não um de seus membros, o deputado Gustavo Fruet. Só falta as lideranças tucanas, com exceção do governador paulista José Serra, tido como mentor do desastrado anúncio feito por Jutahy Júnior – com o objetivo de ter como moeda de troca com o PT a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo para o PSDB –, tentarem demover Fruet da candidatura. Não poderia haver desmoralização maior para um partido que se diz de oposição ao governo.&lt;br /&gt;Independentemente do que venham a decidir os tucanos, Fruet tem pouquíssimas chances de virar o jogo da sucessão na Mesa Diretora da Câmara, embora afirme que, além dos deputados de outros partidos da 'terceira via', já conta com pelo menos 24 adesões de companheiros do PSDB. Precisaria de muito mais votos para ganhar de Chinaglia ou mesmo de Rebelo. &lt;br /&gt;É pena, porque o deputado paranaense, um dos mais atuantes membros da extinta CPI dos Correios, como sub-relator de finanças, poderia sem dúvida ajudar a melhorar a imagem da instituição perante o público, como presidente da Câmara. Basta ver sua plataforma como candidato: a) lutar contra o ignominioso aumento de 91% proposto para os salários dos parlamentares e propor, em seu lugar, um mecanismo de reajustes anuais baseado na inflação; b) acabar com o voto secreto no Congresso; c) reformular o regimento interno da Câmara para acelerar os trabalhos; e d) encontrar meios para barrar o excesso de medidas provisórias editadas pelo Executivo. &lt;br /&gt;É tudo aquilo que nem Chinaglia nem Rebelo se dispõem a fazer. Mesmo porque não o poderiam, como paus-mandados que são do Planalto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116898942404965417?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116898942404965417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116898942404965417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116898942404965417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116898942404965417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/racha-e-impasse.html' title='Racha e impasse'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116864528163395683</id><published>2007-01-12T21:40:00.000-02:00</published><updated>2007-01-13T05:24:42.986-02:00</updated><title type='text'>Tancredo, o oposicionista</title><content type='html'>Nos idos de 70, naquele imenso corredor que separa os prédios da Câmara e do Senado, lá vinha o doutor Tancredo, com um séquito de políticos, repórteres e seguranças. Quando passamos pelo grupo, meu colega, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, então correspondente do Jornal do Brasil em Brasília escalado para cobrir assuntos do Congresso, abordou Tancredo. Após trocar algumas palavras com ele, apresentou-me como jornalista de economia em São Paulo. A raposa mineira nunca me tinha visto mais gordo ou mais magro. Mas imediatamente me abraçou como a um velho conhecido e cochichou no meu ouvido, como quem conta um segredo: "Estou muito precisado de uns conselhos do amigo". &lt;br /&gt;É evidente que Tancredo não precisava de conselhos de um zé-ninguém, até porque tinha muito mais experiência de vida e de política do que este modesto escriba. Àquela altura, era deputado federal há várias legislaturas e já fora ministro da Justiça de Getúlio Vargas, presidente do Banco do Brasil no governo Juscelino Kubitschek e primeiro-ministro do curto parlamentarismo brasileiro que ele mesmo sugeriu a Jango Goulart para evitar o golpe militar. Mas Tancredo Neves era desses políticos, hoje cada vez mais raros, com um dom inato para seduzir. Dizia aos outros o que gostariam de ouvir, mesmo pecando pelo exagero. &lt;br /&gt;Essa sua habilidade pode explicar por que não foi cassado ou perseguido pelo regime militar, embora sempre lhe fizesse oposição. A lhaneza não significava nele falta de vértebras ou de caráter. Ao contrário, Tancredo marcou sua longa trajetória política com uma rara coerência, sem nunca renunciar a seus ideais. Guardava para a posse como presidente, que não chegou a assinar - seria o primeiro civil no cargo, depois de vinte anos de ditadura militar -, a caneta banhada a ouro recebida de Getúlio. &lt;br /&gt;Hoje, Tancredo, Mário Covas, Ulysses Guimarães e alguns outros, que ensinaram como se deve fazer oposição, devem estar se revirando na cova (no caso de Ulysses, no fundo do mar). O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior, da Bahia, anunciou ontem sem corar, para o Brasil inteiro, que a maioria de seu partido apóia a eleição do petista Arlindo Chinaglia para presidir a casa. Ou seja, aderiu, sem remorso nem vergonha. Mandou para a cesta de lixo os quase 40 milhões de votos dados a Geraldo Alckmin, de seu partido, nas últimas eleições presidenciais. Nada a estranhar. Jutahy Júnior é o mesmo que no fragor da campanha anunciou apoio ao candidato do Planalto ao governo baiano, Jaques Wagner, indiferente aos estragos que estava causando na imagem do partido e da candidatura Alckmin. E o pior é que o PSDB não conseguiu demovê-lo. Também nada a estranhar. O atual presidente do partido, Tasso Jereissatti, já declarou que apoiará o adesista de carteirinha Ciro Gomes para presidente em 2010. Com uma oposição assim o governo não precisa de situação parlamentar, nem de seu exército de apaniguados e puxa-sacos. Pode-se prever, porém, que se Tancredo, Covas e Ulysses têm assegurado um lugar de honra na história política brasileira, a Jutahy Júnior está reservada a mesma cesta de lixo na qual ele joga a bandeira oposicionista, agora em frangalhos, de seu partido.&lt;br /&gt;Tancredo, de quem Jutahy Júnior, se pudesse voltar ao passado, não teria estofo para engraxar-lhe as botinas, era tão cioso de seu papel como homem público que até para morrer deu um jeito de resistir no hospital até o dia 21 de abril, data de Tiradentes, o mártir da Inconfidência e mineiro de São João del-Rei (hoje Tiradentes) como ele. São Paulo se comoveu com três grandes cortejos fúnebres nas últimas décadas do século passado, a multidão de anônimos a correr em volta do caminhão de bombeiros com o caixão. Em ordem cronológica, o primeiro foi o de Elis Regina, O segundo, de Tancredo. E o terceiro, de Ayrton Senna. &lt;br /&gt;No dia seguinte ao do enterro do corpo de Tancredo, em 1985, Chico Caruso publicou uma charge inesquecível na primeira página do jornal O Globo. Dois anjos levavam pelos braços o falecido em direção ao céu, e Tancredo, já com a devida auréola, sorria para os espectadores em lágrimas aqui em baixo. &lt;br /&gt;Mais articulador do que tribuno, Tancredo não era de arrebatar multidões. Mas recebeu na morte o tributo popular que não teve durante a carreira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116864528163395683?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116864528163395683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116864528163395683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116864528163395683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116864528163395683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/tancredo-o-oposicionista.html' title='Tancredo, o oposicionista'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116849020392121044</id><published>2007-01-11T02:31:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T02:36:43.946-02:00</updated><title type='text'>O ator e o homem</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/1600/597427/m_Eastwood2_edited.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/400/306557/m_Eastwood2_edited.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eastwood instrui o ator Ken Watanabe, protagonista de &lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas figuras públicas tornam-se vítimas de uma imagem a elas atribuída e que nem sempre corresponde à verdade. Atores de cinema e TV, principalmente, têm muitas histórias para contar a respeito. Já houve casos de atrizes de novela que apanharam na rua por conta do papel de vilã que interpretavam.  &lt;br /&gt;O ator americano Clint Eastwood cultivou como poucos a fama de durão no cinema, porque sua carreira foi marcada por uma maioria de filmes nos quais ele compunha um tipo meio amoral e fascistóide, tanto como pistoleiro nos westerns dirigidos por Sergio Leone, na Itália, e Don Siegel, nos Estados Unidos, quanto como policial na série &lt;em&gt;Dirty Harry&lt;/em&gt;, também de Siegel. Mas como diretor ele tem assinado produções que desmentem essa espécie de estigma colado à sua persona cinematográfica. &lt;br /&gt;Já no primeiro filme que dirigiu, em 1971, &lt;em&gt;Perversa Paixão&lt;/em&gt; (Play Misty for Me), o personagem que interpretou, um disc jockey de rádio noturna atormentado por uma fã obsessiva, era o oposto dos feitos por ele apenas como ator. Outros títulos de sua autoria, como &lt;em&gt;Bird &lt;/em&gt;(idem, 1988), no qual retratou o saxofonista Charlie Parker, &lt;em&gt;As Pontes de Madison&lt;/em&gt; (The Bridges of Madison County, 1995) e &lt;em&gt;Sobre Meninos e Lobos&lt;/em&gt; (Mystic River, 2003), também mostraram que por trás do pistoleiro frio e do policial que batia e arrebentava nas telas havia um homem sensível, condoído com os dramas vividos por gente comum. Mesmo seu faroeste crespuscular, &lt;em&gt;Os Imperdoáveis&lt;/em&gt; (Unforgiven, 1992), pelo qual recebeu seu primeiro Oscar como diretor, continha elementos intimistas de grande densidade, bem ao contrário dos westerns que interpretou para Leone e Siegel, com exceção da obra-prima do segundo, &lt;em&gt;O Estranho que Nós Amamos&lt;/em&gt; (The Beguiled, 1971). E Eastwood atingiu o ápice seguindo essa linha de roteiro com o maravilhoso &lt;em&gt;Menina de Ouro&lt;/em&gt; (Million Dollar Baby, 2004), um dos grandes filmes de boxe da história, que lhe deu seu segundo Oscar de direção (e também de produção, a exemplo de &lt;em&gt;Os Imperdoáveis&lt;/em&gt;). &lt;br /&gt;Ou melhor, talvez ainda não o ápice, porque a carreira de Eastwood é marcada também por sua capacidade de ressurgir quando ninguém espera. Nos anos 60, ator conhecido apenas por uma série de TV, &lt;em&gt;Rawhide&lt;/em&gt;, levada ao ar de 1959 a 1966 nos EUA, ele foi à Itália a convite de Leone, fez os spaghetti westerns e depois retornou a seu país como astro. No início dos 90, quando parecia que sua trajetória de sucesso como ator caminhava inexoravelmente para o ocaso, deu a volta por cima com &lt;em&gt;Os Imperdoáveis&lt;/em&gt;. E agora, quando se supunha que depois de &lt;em&gt;Menina de Ouro&lt;/em&gt; não haveria mais como ele se superar, está sendo indicado duplamente para o Globo de Ouro de melhor diretor, prêmio a ser distribuído em Los Angeles na noite da próxima segunda, dia 15. Ou seja, dos cinco finalistas ao prêmio, dois chamam-se Clint Eastwood, e se tratam da mesma pessoa.&lt;br /&gt;Eastwood obteve a proeza dirigindo no ano passado dois filmes sobre o mesmo tema, a tomada da ilha de Iwo Jima, no Pacífico, pelas tropas americanas na Segunda Guerra. Um, &lt;em&gt;A Conquista da Honra &lt;/em&gt;(Flags of our Fathers), traz a visão americana do episódio. O outro, e provavelmente superior, já que concorre também ao prêmio de filme estrangeiro (por não ser falado em inglês), &lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt; (Letters from Iwo Jima), mostra a visão japonesa. As duas produções não somente lhe dão a condição de favorito ao Globo de Ouro na categoria como também lançam seu nome com grande força para a corrida do Oscar, a ser concedido em fevereiro. &lt;br /&gt;Aos 76 anos, será &lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt; o canto do cisne definitivo de Eastwood? Talvez, mas sendo ele como um vinho de boa cepa, quanto mais velho, melhor, e também pelas surpresas que já pregou aos admiradores ao longo da carreira, convém encarar a hipótese com cautela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116849020392121044?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116849020392121044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116849020392121044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116849020392121044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116849020392121044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/o-ator-e-o-homem.html' title='O ator e o homem'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116829246906228774</id><published>2007-01-08T19:39:00.000-02:00</published><updated>2007-01-08T19:44:56.396-02:00</updated><title type='text'>De sopas e pizzas</title><content type='html'>Certa vez, uma deputada da oposição trabalhista no Parlamento britânico aparteou Winston Churchill, então líder do Partido Conservador: "Se eu fosse sua mulher", disse ela, cheia de rancor, "poria veneno na sua sopa". Churchill respondeu na lata: "E se eu fosse seu marido, cara senhora, tomaria essa sopa".&lt;br /&gt;É notório que o Congresso Nacional anda carente, há muito tempo, de um político com o carisma, a verve e sobretudo o passado de serviços prestados à nação como Churchill. Também se sabe que como em nenhum outro país a política no Brasil mercadeja no balcão de negócios dos conchavos e interesses mesquinhos. Mas nem por isso se pode assistir, impassível, ao deprimente espetáculo da renovação das mesas diretoras das duas casas do Legislativo nacional, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a cada biênio. &lt;br /&gt;Como ocorreu na eleição em 2005 de Severino Cavalcanti, do PP, para a presidência da Câmara, o vezo autoritário do PT o leva a querer um nome interno do partido no cargo. Lançou, assim, o líder do governo Arlindo Chinaglia como candidato, por mais que o comunista de fachada Aldo Rebelo, do PCdoB, tenha atuado como cordeirinho do Planalto após suceder ao deposto deputado cobrador de propinas. Já no Senado, o também aliado incondicional do governo, Renan Calheiros, do PMDB, concorre a uma reeleição sem grandes ameaças, porque seu opositor José Agripino Maia, líder do PFL, não encontra respaldo nem no PSDB, coligado ao seu partido. &lt;br /&gt;No encerramento de uma legislatura marcada como a pior da história pela quantidade de escândalos de corrupção acumulados, para ter de volta alguma esperança de melhora no Parlamento os brasileiros necessitariam ver uma mudança completa nas mesas diretoras da Câmara e do Senado. Precisariam sentir os cargos ocupados por uma bancada de parlamentares acima de qualquer suspeita, sob o comando de presidentes que agissem com mão-de-ferro diante de qualquer erva daninha encontrada no recinto das casas. A biografia política de Rebelo ou Chinaglia, assim como a de Calheiros, não autoriza a prever tal comportamento, se eleitos.&lt;br /&gt;Nada indica, portanto, a julgar por esse aspecto, que a próxima sessão legislativa será melhor que a atual. E o desencanto da população com seus políticos tenderá a crescer ainda mais. No jornal O Estado de S. Paulo de hoje os cientistas políticos José Álvaro Moisés, da USP, e Rachel Meneguello, da Unicamp, afirmam ter constatado em pesquisa por eles realizada agora – &lt;em&gt;A Desconfiança dos Cidadãos das Instituições Democráticas&lt;/em&gt; – um completo divórcio entre os graus de confiança dos eleitores em relação à democracia e a instituições como o Congresso Nacional. Enquanto 83% se dizem satisfeitos com o sistema democrático de governo, 59,7% consideram ruim ou péssima a atuação de deputados e senadores. Segundo outros estudos, em 1997 o índice de condenação dos parlamentares era de 32,5%, e em 2000, de 39,7%. &lt;br /&gt;Não há nenhum novo Severino Cavalcanti surgindo como tertius na disputa entre Chinaglia e Rebelo na Câmara. Trata-se, porém, de um consolo magro, porque o balcão de negócios lá instalado em pleno recesso sufoca o movimento suprapartidário autodenominado 'terceira via' para a sucessão na presidência. Um dos líderes do movimento é o deputado Fernando Gabeira, do PV carioca, este, sim, um nome digno de respeito para o cargo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116829246906228774?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116829246906228774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116829246906228774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116829246906228774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116829246906228774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/de-sopas-e-pizzas.html' title='De sopas e pizzas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116811286392776301</id><published>2007-01-06T17:46:00.000-02:00</published><updated>2007-01-06T17:47:43.940-02:00</updated><title type='text'>Por quem os sinos dobram</title><content type='html'>Moribunda. A palavra não soa bem, mas serve para explicar a situação em que se encontra o Mercosul. Prestes a completar 16 anos de existência, o bloco comercial dos países do Cone Sul, que no ano passado admitiu a entrada da Venezuela como membro pleno por instâncias do semiditador Hugo Chávez, não consegue sair do estágio inicial de área de livre comércio e a cada dia parece mais distante do sonho de chegar à união aduaneira.&lt;br /&gt;Assim como a Alalc, dos anos 60, que nunca passou de uma sigla vazia, o Mercosul criado em março de 1991 corre o risco de acabar por inanição antes de promover a integração econômica dos países da América Latina a partir de seu núcleo fundador, constituído de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. E isso, por uma razão simples: a cada passo adiante seguem-se dois para trás, porque seus integrantes não admitem sacrificar um milímetro das soberanias nacionais em favor da integração regional. &lt;br /&gt;O contencioso agora aberto pela Argentina contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio, OMC, por conta de uma sobretaxa antidumping imposta à resina PET de garrafas de plástico, é apenas a mais recente de uma série de disputas comerciais travadas entre os membros. Outras batalhas já ocorreram, em especial no comércio de automóveis e eletro-eletrônicos entre Brasil e Argentina, e os acordos costurados sempre acabaram beneficiando mais o país vizinho. &lt;br /&gt;A belicosidade argentina recrudesceu sob a presidência de Néstor Kirchner, que almeja reeleger-se e faz do tiroteio com os parceiros do bloco um instrumento de sua propaganda política. Até o pequeno Uruguai não escapa do fogo oportunista de Kirchner. Por ousarem instalar duas fábricas de celulose na sua margem do Rio da Prata com capital finlandês, para diminuir as importações, os uruguaios sofrem aberta campanha de boicote ao turismo receptivo e restrições à entrada de seus produtos na Argentina. &lt;br /&gt;Integração econômica com soberania plena não existe. É preciso que cada um ceda algo para todos obterem um bem coletivo maior, como já mostrou a União Européia. As 'calientes' cabeças políticas desta parte do mundo parecem pensar diferente, em sua típica atitude subdesenvolvida de reinventar a roda. Que insondável mistério torna pétreo o fascínio latino-americano pelo atraso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116811286392776301?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116811286392776301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116811286392776301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116811286392776301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116811286392776301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/por-quem-os-sinos-dobram.html' title='Por quem os sinos dobram'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116787472339398576</id><published>2007-01-03T23:37:00.000-02:00</published><updated>2007-01-04T19:34:39.776-02:00</updated><title type='text'>Duas mães</title><content type='html'>Diz um chiste popular que pais pode haver muitos, mas mãe é uma só. Trata-se, claro, de uma agressão às leis biológicas, porque um óvulo é sempre fecundado por apenas um espermatozóide, mesmo no caso de gêmeos univitelinos, e nunca por dois ou três em tempos separados. Por isso, juízes e legisladores do mundo inteiro curvavam-se à realidade natural de que toda criança tem apenas um pai e uma mãe biológicos. &lt;br /&gt;Curvavam-se, porque ontem um tribunal canadense da cidade de Ontário decidiu oficialmente declarar mãe de uma criança uma segunda mulher, companheira da mãe biológica. Aconteceu o seguinte, segundo a agência France Presse. Duas mulheres que vivem juntas há 16 anos decidiram ter um filho, e para tanto pediram a um amigo que doasse o esperma. Uma delas se inseminou com o produto da doação, engravidou e deu à luz uma criança, cinco anos atrás. Depois, foram novamente ao mesmo amigo – sujeito de bom coração, esse – para pedir que reconhecesse sua paternidade, e ele aceitou. Num primeiro momento, portanto, a criança foi registrada com pai e mãe, normalmente. Depois, sentindo-se prejudicada, a companheira da mãe biológica entrou com uma ação na Justiça para pleitear a condição de mãe associada, ou algo do gênero, sob a alegação de que a decisão de ter a criança fora tomada em conjunto pelas duas. A Corte de Apelações de Ontário lhe deu ganho de causa, baseada numa lei que desde 2005 admite o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Canadá. &lt;br /&gt;O homossexualismo existe desde tempos imemoriais, mas a união legalizada entre dois homens ou entre duas mulheres é uma prática ainda muito recente e restrita a poucos países. O Canadá assume, assim, a vanguarda das nações mais liberais em matéria de direitos civis com a inusitada sentença baixada pelo tribunal de Ontário. &lt;br /&gt;Resta ver se tudo pode ser resumido ao politicamente correto. Terá a criança canadense a mesma felicidade de suas duas mães declaradas? Como ela se sentirá ao passar pelo constrangimento de explicar seu insólito registro de nascimento, na escola, no clube, e mais tarde no trabalho? Como apresentará duas mães para a namorada ou namorado ou, pior, para a futura sogra? &lt;br /&gt;Constrangimentos não são nada perto do carinho que a criança terá de duas mães, dirão alguns. Isso é certo, mas também não se pode ignorar a posição de barganha a que ela está sendo submetida. Nunca antes criança nenhuma precisou passar por esse tipo de situação para ter um lar.&lt;br /&gt;Diante de duas mulheres que reivindicavam a maternidade de um bebê, o rei Salomão sacou da espada para decepar ao meio a criança, de modo que cada uma delas tivesse a sua parte. Foi então que a mãe verdadeira se revelou, ao proteger o bebê com seu corpo e implorar ao rei que o desse à outra mulher, mas com vida. Salomão, então, ordenou a entrega da criança a ela e a punição da farsante. &lt;br /&gt;Teria feito melhor a corte de Ontário se agisse como Salomão, ou a turma do politicamente correto diria que o sábio rei da Bíblia não estava com nada?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116787472339398576?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116787472339398576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116787472339398576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116787472339398576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116787472339398576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/duas-mes.html' title='Duas mães'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116777652921709319</id><published>2007-01-02T20:21:00.000-02:00</published><updated>2007-01-02T20:22:09.220-02:00</updated><title type='text'>Perguntas e respostas</title><content type='html'>Alguns trechos dos discursos de posse do presidente Lula e do governador paulista José Serra, proferidos ontem, parecem ter sido extraídos de um debate ao vivo entre os dois, em especial no que se refere à política econômica e à trégua entre situação e oposição para ajudar na governabilidade do país. &lt;br /&gt;Sobre a política econômica, perguntou Lula, em seu costumeiro auto-elogio: "Em que momento de nossa história tivemos uma conjugação tão favorável e auspiciosa de inflação baixa, crescimento das exportações, expansão do mercado interno com aumento do consumo popular e do crédito, e ampliação do emprego e da renda dos trabalhadores?"&lt;br /&gt;Vejamos o que disse Serra, na cerimônia de transmissão do cargo no Palácio dos Bandeirantes: "A política da pasmaceira em relação à nossa economia tem consagrado a mais perversa tendência depois de um século de prosperidade: a semiestagnação, que já se prolonga por 25 anos. Antes de ontem, ela poderia ser explicada pela superinflação devastadora; ontem, pela terapia antiinflacionária e conjunturas externas turbulentas; hoje, quando o Brasil é praticamente o último da América Latina e dos emergentes, e o céu da economia internacional é de brigadeiro de seis estrelas, os resultados ruins não são colhidos da árvore da vida, da fatalidade, mas da fragilidade da política macroeconômica, hostil à produção e aos investimentos." &lt;br /&gt;Disse mais Serra, em outro trecho do discurso: "(...) o vertiginoso aumento das remessas de lucros das empresas estrangeiras aqui instaladas e dos investimentos de empresas nacionais no exterior, recursos que se vão a fim de criar empregos lá fora, mostra que não falta poupança ao Brasil para aumentar sua capacidade produtiva e seus empregos – o que falta são oportunidades lucrativas de investimento, espantadas pela pior combinação de juros e câmbio do mundo, em meio a uma carga tributária sufocante". O governador paulista mostra-se aqui um atento leitor de jornais. A grande mídia noticiou mas não deu o devido destaque, nos últimos dias do ano passado, que pela primeira vez na história os investimentos das empresas brasileiras no exterior superaram, em 2006, os trazidos pelos estrangeiros para cá. Para um país tão carente de capitais, trata-se de uma tragédia. E o governo do presidente Lula fez que não viu nem ouviu.&lt;br /&gt;Sobre a trégua para a governabilidade, afirmou Lula, dirigindo-se à oposição: "Quero pedir-lhes, apenas, que olhemos mais para o que nos une do que para o que nos separa. Que concentremos o debate nos grandes desafios colocados para o nosso país e para o mundo. Que estejamos à altura do que necessita e deseja o nosso povo". Belo discurso, mas esvaziado pela conduta pregressa. O PT na oposição sempre apostou no quanto pior, melhor, torpedeando iniciativas do governo Fernando Henrique a torto e a direito, sem levar em conta se eram boas para o país.    &lt;br /&gt;Eis a digna resposta, mesmo involuntária, de Serra: "Não fomos, não somos nem seremos adeptos do quanto pior, melhor. Seremos oposição no plano federal justamente porque não somos iguais. Diante de cada projeto de lei ou de emenda constitucional, saberemos separar o que beneficia o país do que o atrasa; os interesses do governo dos interesses do estado; as conveniências de um partido dos anseios da nação. Em suma: não esperem de mim o adesismo que não se respeita nem a agressão que não oferece respeito". E mais, logo adiante: "Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição. É assim que se faz uma República." &lt;br /&gt;Recado mais claro, impossível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116777652921709319?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116777652921709319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116777652921709319' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116777652921709319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116777652921709319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/perguntas-e-respostas.html' title='Perguntas e respostas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116777646814230597</id><published>2007-01-02T20:20:00.000-02:00</published><updated>2007-01-02T20:21:08.156-02:00</updated><title type='text'>Pobre ensino</title><content type='html'>Duas leitoras do jornal O Estado de S. Paulo manifestam hoje, na seção Fórum dos Leitores, seu repúdio ao projeto do deputado estadual paulista Enio Tatto, do PT, que prevê a eleição direta dos diretores de escolas públicas por pais e alunos. "Essa é mais uma forma disfarçada de controle das instituições públicas", escreve Tania Tavares. "Não necessitamos de mais controles externos, principalmente quando há conotações políticas subliminares."&lt;br /&gt;"Querem partidarizar as instituições de ensino médio da mesma forma que já tentaram fazer com as universidades", diz por sua vez Maristela Veloso C. Bernardo, lembrando uma outra iniciativa do PT nessa área. "Não bastou o que já fizeram na gestão federal, partidarizando a máquina do Estado?" Maristela refere-se ainda à absurda proposta formulada pelo senador Sibá Machado, do PT do Acre, de substituir o exame vestibular por sorteios, para 'democratizar' o ensino superior.&lt;br /&gt;Por aí se vê que a meritocracia não faz parte das preocupações do PT. Em lugar de concurso público para a escolha da pessoa mais qualificada do ponto de vista pedagógico, como se faz hoje, eleição direta de um zé-mané qualquer para diretor de escola estadual, bastando que seja simpático a seus eleitores. E em vez de um vestibular honesto, para a escolha dos estudantes mais capacitados, um sistema de sorteio, como se a instituição de ensino fosse uma casa lotérica. Seria o corolário perfeito para o demagógico regime de cotas já adotado no ensino superior público.&lt;br /&gt;Cabe a pergunta: aonde vamos parar com legisladores como Tatto e Machado cuidando do nosso ensino?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116777646814230597?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116777646814230597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116777646814230597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116777646814230597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116777646814230597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2007/01/pobre-ensino.html' title='Pobre ensino'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116755624471956112</id><published>2006-12-31T07:09:00.000-02:00</published><updated>2006-12-31T07:13:42.090-02:00</updated><title type='text'>Aos leitores</title><content type='html'>Schastlivogo Novogo Goda&lt;br /&gt;Chestita Nova Godina&lt;br /&gt;Glückliches Neues Jahr&lt;br /&gt;Nytar&lt;br /&gt;Shaná Tová&lt;br /&gt;Akemashite Omedetou Gozaimasu&lt;br /&gt;Happy New Year&lt;br /&gt;Heureuse Nouvelle Année&lt;br /&gt;Felice Nuovo Anno&lt;br /&gt;Feliz Año Nuevo&lt;br /&gt;FELIZ ANO NOVO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116755624471956112?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116755624471956112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116755624471956112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116755624471956112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116755624471956112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/aos-leitores.html' title='Aos leitores'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116737498364643000</id><published>2006-12-29T04:46:00.000-02:00</published><updated>2006-12-29T04:49:43.650-02:00</updated><title type='text'>Nas asas da Panair</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/1600/675612/m_panair02.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/400/81891/m_panair02.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Constellation sendo preparado para voar (&lt;em&gt;foto Revista FLAP Internacional&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um escritor francês casado deixa Paris e vai a Lisboa fazer uma palestra sobre Balzac. Na capital portuguesa tem um caso com a aeromoça, também francesa, que conhece no avião. O caso prossegue na França e acarreta trágicas conseqüências. Esse filme, &lt;em&gt;Um Só Pecado&lt;/em&gt; (La Peau Douce), de 1964, dirigido por François Truffaut e interpretado por Jean Desailly (o escritor) e Françoise Dorléac (a aeromoça), foi exibido ontem na TV paga e vale ser lembrado não apenas por suas qualidades e pelo fato de ter no elenco principal a bela irmã de Catherine Deneuve, morta aos 25 anos num acidente de carro em 1967, como também por dois detalhes caros aos brasileiros. Um é que o camareiro do hotel em Lisboa fala em português mesmo ao mostrar as instalações do quarto para o francês, que entende por estar vendo e não só ouvindo, e agradece em sua língua. E o outro, o principal, é o nome da companhia aérea dos vôos de ida e de volta do escritor: Panair do Brasil.&lt;br /&gt;Nestes tempos de sofrimento nos aeroportos com o apagão aéreo no país, causado primeiro por um capricho dos operadores de vôo e depois pelo overbooking praticado pela TAM, os mais antigos devem estar com saudades da Panair. "Descobri que as coisas mudam/e que tudo é pequeno, nas asas da Panair", cantava a insuperável Elis Regina, em &lt;em&gt;Conversando no Bar&lt;/em&gt;, de Milton Nascimento e Fernando Brant. "Descobri que minha arma é/o que a memória guarda dos tempos da Panair/(...)A primeira Coca-Cola foi/me lembro bem agora, nas asas da Panair/A maior das maravilhas foi/voando sobre o mundo, nas asas da Panair"&lt;br /&gt;Um símbolo do orgulho nacional em sua época, a Panair fez seu vôo inaugural em 24 de janeiro de 1930, ligando o Rio de Janeiro a Fortaleza. Tinha a bordo apenas convidados, além dos tripulantes. O primeiro vôo com venda de bilhetes se deu no ano seguinte. Nascida como filial da então poderosa Pan American Airlines, que havia incorporado a Nyrba – New York Rio Buenos Aires Lines Inc -, constituída um pouco antes pelo coronel Ralph O'Neil no Brasil, a Panair era no seu início uma companhia de capital 100% americano. A partir de 1942, porém, passou a admitir sócios brasileiros, e no início da década de 1960 já se tornara inteiramente nacional. Começou a operar rotas internacionais em abril de 1941 com os famosos Constellations, de quatro motores a hélice, e levou a bandeira brasileira pintada na fuselagem, na cauda e ao lado da cabina do comandante, a muitos lugares do mundo. Dá para ver bem a bandeira numa cena do filme de Truffaut. &lt;br /&gt;A Panair foi um caso de amor dos brasileiros, em especial dos seus 5 000 funcionários, para com a companhia. Quando a empresa se viu em dificuldades financeiras, no início dos 60, com a inflação, os empregados se cotizaram para ajudá-la, doando 25% dos salários. A Panair anunciava com orgulho ter transportado a seleção brasileira de futebol vitoriosa nas Copas do Mundo de 1958, na Suécia, e de 1962, no Chile. &lt;br /&gt;Mas em 10 de fevereiro de 1965, com uma canetada do brigadeiro Eduardo Gomes, então ministro da Aeronáutica da ditadura militar instalada no ano anterior, a Panair teve cassado o seu registro. Suas rotas internacionais passaram a ser operadas no mesmo dia, sem nenhuma explicação, pela Varig, e as nacionais, pela Cruzeiro do Sul. Por que razão o brigadeiro tomou essa decisão contra a empresa, se ela já era de capital 100% nacional, tanto quanto a Varig ou a Cruzeiro? Não há documento oficial a respeito, somente suspeitas. A maior é que a intervenção se deu porque o presidente e maior acionista da Panair, Celso da Rocha Miranda, era amigo íntimo do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, cassado e perseguido pelo regime militar. Quase vinte anos depois, em 1984, o Supremo Tribunal deu ganho de causa aos herdeiros da companhia, ao considerar a falência fraudulenta e condenar a União a ressarcir a Panair. Mas já era muito tarde.&lt;br /&gt;A Varig, que incorporou a Cruzeiro do Sul, a Transbrasil e a Vasp, só para citar as principais companhias da era pós-Panair, ou morreram ou estão moribundas. E se a TAM recorre ao overbooking, não é por maldade. Conclusão: o governo que faz e desfaz no setor aéreo, em nome da reserva de mercado às companhias nacionais, só não consegue o principal, garantir a sobrevivência das empresas. É pena, porque a bandeira na fuselagem não serve apenas para afagar nosso ego. Qualquer um que se tenha reconfortado a bordo de uma aeronave brasileira, depois de algumas semanas em solo estrangeiro, sabe do que estamos falando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116737498364643000?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116737498364643000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116737498364643000' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116737498364643000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116737498364643000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/nas-asas-da-panair_29.html' title='Nas asas da Panair'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116693401522121135</id><published>2006-12-24T02:18:00.000-02:00</published><updated>2006-12-24T02:20:15.236-02:00</updated><title type='text'>Feliz Natal</title><content type='html'>Mas no dia seguinte, bem cedinho, Scrooge estava em seu escritório. Ah, bem mais cedo que de costume! O importante era ser o primeiro a chegar para surpreender Roberto Cratchit chegando atrasado. Fazia questão disso.&lt;br /&gt;E o conseguiu. Sim senhor! O relógio bateu nove horas. Nada do empregado. Um quarto de hora. Nada ainda. Finalmente apareceu ele, com dezoito minutos e meio de atraso. Scrooge sentara-se com a porta aberta para vê-lo entrar no cubículo.&lt;br /&gt;Roberto abriu a porta e, antes de entrar, colocou o chapéu na mão e o cachecol no braço. Num segundo estava sentado à sua escrivaninha e pôs-se a escrever com ardor, como para compensar o tempo perdido.&lt;br /&gt;- Alô!, rosnou Scrooge com sua voz habitual, que procurava tornar a mais áspera possível. Que é que pretende, chegando aqui a esta hora?&lt;br /&gt;- Desculpe, senhor, disse Roberto. Estou mesmo atrasado.&lt;br /&gt;- Está, pois não?, repetiu Scrooge sarcasticamente. É, acho que está, sim. Chegue até aqui, por favor.&lt;br /&gt;- É somente uma vez por ano, senhor, ponderou Bob, saindo do seu cubículo. Prometo que não se repetirá. Eu me diverti um pouco ontem à noite.&lt;br /&gt;- Pois vou lhe dizer uma coisa, meu caro, disse Scrooge. Não vou mais tolerar isso. Portanto, continuou, dando um salto da cadeira e espetando com tal firmeza o indicador no estômago de Roberto que o coitado recuou cambaleante, de volta ao seu cubículo, portanto, vou aumentar seu ordenado!&lt;br /&gt;Ainda trêmulo, o rapaz pousou a mão sobre uma régua de metal que estava sobre a mesa. Por um momento tinha-lhe passado pela mente a idéia maluca de abater Scrooge com um golpe do instrumento, saltar sobre o antagonista caído e pedir socorro aos transeuntes.&lt;br /&gt;Mas Scrooge prosseguiu, sorridente:&lt;br /&gt;- Feliz Natal, Roberto!, disse, dando-lhe uma palmada amigável nas costas. Que seja um Natal mais feliz do que o que tem tido há muitos anos, meu amigo! Vou aumentar o seu ordenado e procurar ajudar a sua esforçada família. Esta noite vamos discutir os seus negócios sobre uma boa tigela de &lt;em&gt;grog&lt;/em&gt;, meu caro Roberto. Não escreva nem mais uma linha antes de avivar o fogo e comprar outra lata de carvão.&lt;br /&gt;Scrooge cumpriu a palavra e foi muito além. Para o pequeno Tim, que afinal conseguiu sobreviver, foi um segundo pai. Tornou-se o melhor amigo, o melhor patrão, o melhor homem que jamais se encontrou naquela cidade, ou em qualquer outra cidade deste mundo.&lt;br /&gt;Muita gente zombava da mudança que se operara nele, mas ele deixava-os rir e pouco se importava. Tinha bastante discernimento para saber que a bondade e o desinteresse raramente são bem compreendidos pela maioria das pessoas. E, sabendo que era inútil tentar convencê-los, tanto fazia que rissem ou lhe fizessem caretas. Seu coração estava sempre alegre e isso lhe bastava.&lt;br /&gt;Nunca mais teve contato com espíritos de qualquer espécie. Contentava-se em procurar se entender o melhor possível com seus semelhantes. E foi tão bem-sucedido que chegaram a afirmar que não havia ninguém que festejasse com mais entusiasmo o Natal do que Scrooge.&lt;br /&gt;Que todos possam dizer o mesmo de nós com igual justiça. E, para encerrar, vamos repetir com o pequeno Tim:&lt;br /&gt;- Que Deus nos abençoe a todos e a cada um de nós. Amém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho literário acima é o desfecho do romance Conto de Natal (A Christmas Carol), de Charles Dickens, traduzido para o português por Elsie Lessa, para uma edição de 1970 da editora Tecnoprint. Este blog se permitiu fazer uma pequena revisão, mais com o sentido de atualizar o estilo. &lt;br /&gt;Nesse epílogo, Dickens descreve a transformação operada no avarento Scrooge depois de receber a visita de três espíritos do bem na véspera do Natal. Roberto Cratchit, seu empregado, sofria antes com o frio no local de trabalho porque o patrão não lhe permitia usar mais carvão no fogareiro. E o pequeno Tim era o filho aleijado de Roberto, de saúde gravemente abalada.&lt;br /&gt;Que cada um de nós não precise da visita de espíritos e nem mesmo da chegada do Natal para agir como o velho Scrooge resgatado de sua avareza. Que possamos a cada dia estar menos preocupados com o próprio bem-estar e mais interessados pelos outros, e assim ter, como diz Dickens, o coração sempre alegre. Que este Natal, assim como todos os outros, sirva para renovar em nós essa crença. Feliz Natal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116693401522121135?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116693401522121135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116693401522121135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116693401522121135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116693401522121135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/feliz-natal.html' title='Feliz Natal'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116683028290790905</id><published>2006-12-22T21:24:00.000-02:00</published><updated>2006-12-22T21:31:22.920-02:00</updated><title type='text'>Ingrid Bergman chinesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/1600/144866/m_MaggieCheung_edited.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/400/302739/m_MaggieCheung_edited.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/1600/446066/m_Ingrid3.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4395/3565/400/215266/m_Ingrid3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maggie Cheung e Ingrid Bergman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas atrizes de cinema marcam a aparição em cena com um magnetismo derivado mais da expressão da personalidade interior do que da beleza ou mesmo do talento. O melhor exemplo se encontra na falecida Ingrid Bergman. A sueca Ingrid (1915-1982, curiosamente nascida e morta num mesmo dia 29 de agosto), mãe da também atriz Isabella Rossellini, além de bela e extremamente talentosa exercia um magnetismo incomum sobre a platéia porque, através do olhar, conferia uma dimensão interior de enorme grandeza às personagens interpretadas na tela. São muitas as cenas em que Ingrid exibiu à saciedade essa característica, todas inesquecíveis para o cinéfilo. Algumas delas: 1) o close em &lt;em&gt;Por Quem os Sinos Dobram&lt;/em&gt; (For Whom de Bell Tolls, 1943), de Sam Wood, quando sua María é vista pela primeira vez pelo aventureiro Roberto (Gary Cooper); 2) o momento em que Ilsa pede a Sam (Dooley Wilson), o pianista, que toque de novo &lt;em&gt;As Time Goes By&lt;/em&gt; no bar de Rick (Humphrey Bogart) em &lt;em&gt;Casablanca&lt;/em&gt; (idem, 1942), de Michael Curtiz, para submergir no passado; e 3) a expressão de angústia quando Paula descobre que Gregory (Charles Boyer), o marido, lhe furtava jóias em &lt;em&gt;À Meia-Luz&lt;/em&gt; (Gaslight, 1944), de George Cukor. É notável que Ingrid tenha feito esses três filmes essenciais de sua carreira e se consagrado como grande atriz antes dos 30 anos. &lt;br /&gt;A expressividade do olhar, buscada insistentemente como recurso de mise-en-scène por alguns diretores, como o americano Nicholas Ray – não foi por acaso que ele escolheu Joan Crawford para estrelar &lt;em&gt;Johnny Guitar&lt;/em&gt; (idem, 1954), James Dean para &lt;em&gt;Juventude Transviada&lt;/em&gt; (Rebel Without a Cause, 1955) e Anthony Quinn para &lt;em&gt;Sangue sobre a Neve&lt;/em&gt; (The Savage Innocents, 1960) -, é uma qualidade revelada mais por mulheres no cinema, mas há exceções masculinas. Além dos citados Quinn e Dean, pode-se lembrar de Tony Curtis em &lt;em&gt;Taras Bulba&lt;/em&gt; (idem, 1962), de J. Lee Thompson, sobretudo na cena em que ele vê na carruagem na neve Christine Kaufmann, por quem, aliás, abandonou a então mulher Janet Leigh na vida real, e Marcello Mastroianni em &lt;em&gt;Ciúme à Italiana&lt;/em&gt; (Dramma della Gelosia, 1970), de Ettore Scola. Seu pedreiro Oreste, enlouquecido de ciúme pela mulher, Adelaide (Monica Vitti), que o trocou pelo pizzaiolo e amigo Nello (Giancarlo Giannini), foi composto de forma magistral, quase só com base no olhar perdido. Nenhum deles, contudo, alcançou numa só cena a intensidade de Merle Oberon, a Cathy de &lt;em&gt;O Morro dos Ventos Uivantes&lt;/em&gt; (Wuthering Heights, 1939), de William Wyler, ao surpreender-se pelo reencontro com Heathcliff (Laurence Olivier) no salão de baile. Provavelmente nunca houve, na história do cinema, uma demonstração tão rica de matizes da emoção sem palavra, mesmo durante a época do cinema mudo, em que a maquiagem realçava os olhos de atores e atrizes para melhorar a expressividade.&lt;br /&gt;Em tempos mais recentes surgiram outras atrizes de grande talento, mas pouquíssimas conseguem dizer qualquer coisa só com o olhar, como Ingrid Bergman. Embora cheguem perto, as americanas Meryl Streep, Glenn Close e Jodie Foster, três das melhores, dependem mais da fala e do gestual. Já Debra Winger, que com sua beleza e os imensos olhos fez lembrar a atriz sueca no começo da carreira, ficou só na promessa. A todas falta ainda o charme de Ingrid, mas aí já é covardia, porque mulheres sedutoras como ela se contam nos dedos, no cinema e na vida real. &lt;br /&gt;Entre as raras exceções dos dias de hoje, nesse aspecto, pode ser incluída a atriz chinesa Maggie Cheung. Não é por acaso que ela já recebeu prêmios de interpretação em alguns dos mais importantes festivais de cinema no mundo, como Cannes e Berlim. Sua versatilidade pode ser comprovada no suntuoso &lt;em&gt;Herói&lt;/em&gt; (Hero, 2002), de Zhang Yimou, no qual faz o papel de uma espadachim, e no delicado &lt;em&gt;Amor à Flor da Pele&lt;/em&gt; (In the Mood for Love, 2000), de Wong Kar Wai, em que vive uma mulher casada infeliz com o adultério cometido pelo marido e em dúvida se aceita um novo relacionamento amoroso. A cena em que pergunta ao amigo, que se finge de marido, se ele tem ou não uma amante, é reveladora de seu imenso talento. A mesma pergunta é feita por ela duas vezes. Na primeira, em tom agressivo, quase ameaçador. Na segunda, com jeito sofrido, desamparado. E em ambas, além da inflexão na voz, Maggie usa como recurso de expressão o olhar. &lt;br /&gt;A cena vale por uma aula de cinema e só poderia ser realizada como o foi por uma atriz excepcional. Talvez por isso não haja exagero em chamar a sedutora Maggie de a Ingrid Bergman chinesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116683028290790905?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116683028290790905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116683028290790905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116683028290790905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116683028290790905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/ingrid-bergman-chinesa.html' title='Ingrid Bergman chinesa'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116665306583988504</id><published>2006-12-20T20:15:00.000-02:00</published><updated>2006-12-20T23:15:14.400-02:00</updated><title type='text'>Lição de jornalismo</title><content type='html'>Aos 70 anos de idade, 51 de carreira e 43 de casamento com uma só mulher, dono de sete prêmios Esso, o Oscar do jornalismo brasileiro, José Hamilton Ribeiro, o caipira de Santa Rosa do Viterbo, interior paulista, único repórter brasileiro mutilado de guerra que se conhece, é quase uma lenda viva para os jovens profissionais de imprensa no país. Mesmo para os mais experientes na profissão, ele é uma referência de dignidade e competência, alguém a quem se tiraria o chapéu num encontro casual, se chapéus usássemos ainda, em sinal de reverência.&lt;br /&gt;Zé Hamilton, o grande repórter da inesquecível revista Realidade, pela qual perdeu uma perna na cobertura da guerra do Vietnam, hoje trabalhando no programa Globo Rural, da TV Globo, onde já está há 25 anos, conta alguns 'causos' de sua vida profissional e pessoal em longa entrevista concedida aos jornalistas Eduardo Ribeiro, Wilson Baroncelli e André Carbone, da publicação Jornalistas &amp; Cia., para a oitava edição da série &lt;em&gt;Protagonistas da Imprensa Brasileira&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;A riqueza de detalhes reveladores da personalidade de Zé Hamilton e a transcrição de narrativas e opiniões dele a respeito de fatos e personagens da profissão tornam a entrevista um documento precioso para os arquivos da história do jornalismo brasileiro. Bem-humorado, ele mesmo diz que, de tão antigo, más línguas lhe atribuem a cobertura da primeira missa rezada no Brasil. Esse trabalho, afirma, não fez. Mas confessa que foi o autor da reportagem da primeira missa em Brasília, nos anos 50, publicada no jornal Folha de S. Paulo.&lt;br /&gt;Embora Jornalistas &amp; Cia. se destine apenas a assinantes, as entrevistas da série &lt;em&gt;Protagonistas&lt;/em&gt; podem ser lidas no site da publicação (clique &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.jornalistasecia.com.br/index.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). A de Zé Hamilton deverá ser postada talvez amanhã ou depois, de modo que vale antecipar, como curiosidade, a fórmula dada pelo entrevistado para definir o que vem a ser uma grande reportagem. Segundo ele, GR (grande reportagem) é igual a BC + BF sobre T x T1 elevados a uma certa potência, sendo BC a sigla de 'bom começo', BF, de 'bom final', T, de 'trabalho', e T1, de 'talento'. &lt;br /&gt;"A grande reportagem é igual a um bom começo mais um bom final. Precisa ter um bom começo para prender a atenção do leitor. E um bom final para o cara se sentir recompensado, dizer 'puxa vida, que pena que acabou'. Mas o que é que põe no meio?", pergunta Zé Hamilton. E responde: "Aí é que está! T, que é trabalho, vezes T1, que é talento, elevados à potência 'n', de necessária." E o que seria uma potência necessária? A esse respeito ele conta a anedota segundo a qual a rainha Elizabeth, indagada por um repórter sobre qual era a potência de seu Rolls-Royce, respondeu-lhe simplesmente: "A necessária".&lt;br /&gt;Como uma anedota leva a outra, pode-se lembrar também, a propósito da fórmula enunciada pelo grande jornalista, o que recomendou o escritor francês Guy de Maupassant (1850-1893), autor da obra-prima do conto universal &lt;em&gt;Bola de Sebo&lt;/em&gt;, a um jovem aspirante às belas-letras. "Para escrever um bom conto você precisa de um bom começo e de um bom final", disse ele. "E no meio, mestre, o que entra?", quis saber o pressuroso jovem. "Ah", respondeu Maupassant, "no meio entra o artista".&lt;br /&gt;José Hamilton Ribeiro tem conteúdo e talento de sobra para preencher esse miolo de texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116665306583988504?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116665306583988504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116665306583988504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116665306583988504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116665306583988504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/lio-de-jornalismo.html' title='Lição de jornalismo'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116661426273098661</id><published>2006-12-20T09:30:00.000-02:00</published><updated>2006-12-20T09:31:02.743-02:00</updated><title type='text'>Pega ladrão</title><content type='html'>Em boa hora o Supremo Tribunal Federal decidiu que é ilegal o aumento de 90,7% que os deputados e senadores se concederam, em nome da isonomia em relação aos salários do próprio STF. Tratava-se, de fato, de uma imoralidade, não apenas porque os parlamentares transformaram em piso o que é teto dos vencimentos de servidores públicos mas também porque já recebem uma série de regalias como 15 salários por ano, ajudas de custo para gastos com combustível e estadia, auxílio-moradia (no caso de não ocuparem apartamentos funcionais), verba para despesas de gabinete, inclusive pagamentos de funcionários, e ainda passagens aéreas ida-e-volta, entre Brasília e o estado de origem, a cada fim de semana. Tudo somado, dá mais de 100 000 reais por mês, valor que transforma os deputados e senadores brasileiros nos parlamentares mais bem pagos do planeta, segundo observou o jornal espanhol El Pais. Como se fosse pouco, eles ainda têm direito a uma régia aposentadoria depois de apenas oito anos de contribuição ao sistema de previdência do Congresso, enquanto os trabalhadores do setor privado, que se aposentam com uma fração do que recebem no contra-cheque, precisam contribuir para o INSS durante 35 anos. &lt;br /&gt;Esse verdadeiro assalto aos cofres públicos foi perpetrado pelas mesas diretoras do Senado e da Câmara, com a concordância dos líderes partidários. Os presidentes das duas casas do Congresso, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ambos em campanha para a reeleição aos atuais cargos, não pestanejaram em fazer caridade com o chapéu alheio, ou seja, dos contribuintes, para anabolizar as respectivas candidaturas. E assim como agem os gatunos em geral, com discrição e na calada da noite para não chamar a atenção da polícia, escolheram para o gesto magnânimo a época natalina, em que o Congresso vive praticamente às moscas. Não contavam, decerto, com a reação popular subseqüente, respaldada por entidades como a OAB e a CNBB. Em Brasília, ontem, houve também protestos de sindicalistas e estudantes.  &lt;br /&gt;A decisão do Supremo foi tomada no julgamento de mandado de segurança impetrado pelos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann (PPS-PE), que questionaram a validade de um reajuste salarial concedido por medida administrativa, sem passar pelo plenário e com base num decreto legislativo caduco. Agora, segundo se noticia, o Congresso tende a aprovar um aumento mais moderado, de 28,4%, equivalente à inflação ocorrida no país desde 2003, ano do último reajuste salarial dos parlamentares. Com esse percentual, em vez dos 24 500 reais aprovados por Renan e Rebelo há menos de uma semana, para vigorar na próxima legislatura, o salário nominal iria para 16 500 reais. Ainda é muito, porque são quase 600 os senadores e deputados federais brasileiros e também porque essa gente só freqüenta o local de trabalho três dias por semana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116661426273098661?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116661426273098661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116661426273098661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116661426273098661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116661426273098661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/pega-ladro.html' title='Pega ladrão'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116646730539767720</id><published>2006-12-18T16:40:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T16:41:45.410-02:00</updated><title type='text'>Estilo ou complexo?</title><content type='html'>Há muito tempo uma verdade vem se impondo nos confrontos entre europeus e brasileiros em campos de futebol: a de que nossa supremacia nessa área se deve não tanto ao talento individual, mas a uma diferença essencial de comportamento no instante de se definir uma jogada em direção ao gol. &lt;br /&gt;Raramente se vê, de fato, um atacante brasileiro tentando fazer gol de fora da área. Por aqui, até os chamados cabeças-de-bagre procuram aproximar-se mais da meta adversária para o chute conclusivo, ou driblando ou trocando passes com um companheiro. Muitas oportunidades são assim desperdiçadas. Em compensação, os chutes desferidos de dentro da área se tornam muito mais letais. Já os atacantes europeus normalmente não agem assim. Seja por condicionamento técnico e psicológico, seja por simples complexo de inferioridade em relação aos habilidosos brasileiros, chutam de qualquer lugar, e quase sempre erram. &lt;br /&gt;Aconteceu de novo no jogo de ontem, em Tóquio, entre o Barcelona e o Internacional gaúcho, valendo o título mundial interclubes. Havia mais talento no lado espanhol, graças sobretudo às presenças de Ronaldinho Gaúcho e Deco, dois brasileiros. Como os campeonatos europeus estão em pleno andamento e no Brasil se vive o fim de uma temporada, o preparo físico do Barcelona também era superior. Com isso, o domínio de jogo pertencia francamente ao time espanhol. Pouco antes do gol, a traduzir seu maior volume de ações ofensivas, o Barça batia o sétimo escanteio, contra apenas um do Inter. Até aquela altura também construíra mais oportunidades de gol que o rival.&lt;br /&gt;Mas, para seu azar, não tinha Eto'o, machucado. Foi para o jogo com o substituto Gudjohnsen, um típico atacante europeu, que chuta de primeira quando a bola chega. Nada da picardia nem do veneno do africano Eto'o, formado em escola parecida com a brasileira, em sua terra de origem. Poucos antes do único gol da partida, surgiu para o centro-avante do Barcelona uma oportunidade ainda mais clara do que a oferecida para Adriano. Postado na área do Inter, ele podia dominar a bola, olhar para o goleiro, dar uma ginga para desequilibrá-lo e bater na direção de seu contrapé. Um jogador de várzea no Brasil faria isso. Mas não Gudjohnsen, que deu um chutão e mandou a bola por cima da meta.&lt;br /&gt;Um clube milionário como o Barcelona não pode ter apenas um centro-avante de respeito no time, e ficar na mão quando ele se machuca. Já que possui tantos brasileiros no elenco, por que não mais um? Fred, Wagner Love, Nilmar, Adriano (da Internazionale, de Milão), até o gordo Ronaldo, qualquer um deles no lugar de Gudjohnsen teria decidido o jogo em seu favor, ontem, em Tóquio. Um atacante brasileiro poderia perder várias ocasiões de gol. Mas 1 x 0 é mais do que suficiente para se levantar uma taça, como mostrou Adriano, do Inter gaúcho, de alcunha Gabiru.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116646730539767720?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116646730539767720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116646730539767720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116646730539767720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116646730539767720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/estilo-ou-complexo.html' title='Estilo ou complexo?'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116605862281588191</id><published>2006-12-13T23:09:00.000-02:00</published><updated>2006-12-13T23:22:11.370-02:00</updated><title type='text'>Visão turva</title><content type='html'>O escritor chileno Ariel Dorfman escreve para o jornal The New York Times, a respeito da morte do facinoroso ex-ditador Augusto Pinochet (trecho da tradução publicada hoje em O Estado de S. Paulo): "A fim de nos livrar de sua terrível influência, deveríamos ter deixado para sua família e seus poucos amigos íntimos a tarefa de chorar sua morte. Em vez disso, somos obrigados a assistir ao triste espetáculo de um terço do país lamentando sua partida, um terço do Chile ainda cúmplice silencioso de seus crimes, ainda justificando seus crimes, ainda festejando o fato de o general ter derrubado Salvador Allende, o presidente constitucional do Chile". &lt;br /&gt;Responsável por ordem direta ou acobertamento pela morte de mais de 3 000 pessoas no Chile, na violenta repressão desfechada sobre a população civil identificada com a resistência ao golpe de 11 de setembro de 1973, Pinochet morreu no domingo passado, aos 91 anos de idade, e teve as cinzas do corpo cremado (por medo de alguma represália por parte dos familiares) enterradas ontem num cemitério de Santiago, sem honras de Estado, apenas com as devidas à sua condição de ex-comandante do Exército chileno. A cerimônia, que a presidente do país, Michelle Bachelet, esperava ver transcorrer com ordem e calma, registrou um incidente. Um discurso político de exaltação ao morto por parte de seu neto, o capitão Augusto Pinochet Molina, causou mal-estar a alguns dos 4 000 presentes, sobretudo à representante do governo, a ministra da Defesa, Vivianne Blanlot, que respaldada pela presidente exigiu providências do comando do Exército. E o capitão foi expulso hoje das fileiras da corporação.&lt;br /&gt;As feridas abertas pelo golpe e pela repressão ainda estão longe de cicatrizar no Chile, como mostra o artigo do escritor Dorfman. Mas pelo menos, por lá, um processo judicial foi movido contra o ex-ditador, que só não foi julgado e condenado pelos crimes graças às artimanhas de seus advogados. Já no Brasil, o país da pizza, o passado tenebroso da ditadura militar foi empurrado para baixo do tapete. Em nome de uma Lei de Anistia que contemplou os dois lados, o da repressão e o da resistência civil, em lugar do ajuste de contas para curar as chagas assiste-se ao mutismo governamental, à ocultação de provas e documentos e à compra do silêncio por meio de régias indenizações, pagas com o dinheiro do contribuinte, aos perseguidos pelo regime militar e seus familiares.&lt;br /&gt;Não é de admirar, em tais circunstâncias, que cadetes do Exército achem muito natural homenagear em sua formatura o general Emílio Garrastazu Médici, o chefe da ditadura no período mais negro da repressão deflagrada no país depois do golpe de 1964. E como, quando uma pizza espalha seu cheiro, outros também tentam locupletar-se com ela, mesmo não passando de comensais surgidos depois da ditadura, deputados do Congresso, com a maior cara-de-pau, tentaram aprovar um projeto que anistiaria todos os sanguessugas e mensaleiros da atual legislatura ainda não julgados, dificultando a reabertura dos respectivos processos na próxima. Os autores da tentativa precisaram recuar diante da grita de líderes da oposição, mas nada indica que não possam voltar à carga mais adiante.&lt;br /&gt;Nesse novo episódio vergonhoso para o país, tramado no recinto da Câmara pelo líder do PT e seus aliados do PP, do PMDB, do PCdoB, do PL e do PSC, enfim, os mesmos de sempre, parece ter prevalecido o entendimento de que as urnas de outubro não apenas consagraram um candidato presidencial, mas deram permissão para que se passe a borracha nos crimes de corrupção cometidos por parlamentares da situação e outros apaniguados do poder reconfirmado. Vai daí que até a CPI dos Sanguessugas, criada no calor da hora, antes das eleições, entra no clima de liberou geral e decide acusar apenas quatro pelo dossiê Vedoin, os dois petistas presos com 1,75 milhão em reais e dólares em São Paulo, Gedimar Passos e Valdebran Padilha, mais o suposto chefe da operação, Jorge Lorenzetti, e o ex-assessor de campanha ao governo paulista do senador Aloizio Mercadante, Hamilton Lacerda. Se era para chegar a resultado tão pífio não havia necessidade de uma CPI.&lt;br /&gt;Quando a bandalheira assume uma dimensão como a atual, na política, até pessoas mais bem-intencionadas chegam a perguntar com seus botões se não era melhor no tempo da ditadura. Pelo menos havia autoridade na época, raciocinam – e os cadetes da Academia de Agulhas Negras que vão homenagear Médici deixam de ser vistos como uns energúmenos para passar a sê-lo como cidadãos patrióticos e conscientes.&lt;br /&gt;Até quando a falta de senso nos impedirá de ver um caminho reto para a democracia brasileira?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116605862281588191?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116605862281588191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116605862281588191' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116605862281588191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116605862281588191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/viso-turva.html' title='Visão turva'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116604646750104687</id><published>2006-12-13T19:45:00.000-02:00</published><updated>2006-12-13T19:50:59.496-02:00</updated><title type='text'>A mulher e o lobo</title><content type='html'>Como proteger-me desse lobo que vem vindo&lt;br /&gt;Em que ilhas poderei me ocultar&lt;br /&gt;em que barcos ousarei fugir&lt;br /&gt;desse lobo que domina os barcos e as ilhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reúno roupas negras faca escudo&lt;br /&gt;De que adianta enfrentá-lo do meu jeito&lt;br /&gt;se ele me despe do jeito que ele quer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como proteger-me dessas ondas &lt;br /&gt;de prazer que ele traz em suas brisas&lt;br /&gt;De que vale feri-lo com meus versos&lt;br /&gt;De que vale me lançar ao mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não há como esconder-me de mim mesma&lt;br /&gt;do exílio que sinto quando fujo&lt;br /&gt;da vontade que tenho de ficar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Poema do Lobo-do-Mar&lt;/em&gt;, de Iracema Macedo, nascida em Natal, Rio Grande do Norte, em 1970, e hoje professora de filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais. Que cabeça privilegiada tem essa moça, que ensina o saber acumulado pela razão e nem por isso perde um átomo de sua sensibilidade? Segundo o poeta e jornalista Carlos Machado, de cujo mais recente boletim Poesia.net foram copiados os versos, Iracema faz uma 'poesia solar, emocionada e nitidamente feminina', sem que esse último qualificativo encerre qualquer visão machista. O livro no qual foi publicado o poema, &lt;em&gt;Lance de Dardos&lt;/em&gt;, de 2000, é segundo Machado um dos melhores de poesia lançados no Brasil nestes primeiros anos do século XXI. Você também pode receber regularmente, por e-mail, os imperdíveis boletins periódicos Poesia.net. Para tanto, basta entrar no site Ave, Palavra!, por este &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.algumapoesia.com.br/"&gt;link&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, e lá clicar no botão correspondente, apresentado logo na página principal)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116604646750104687?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116604646750104687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116604646750104687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116604646750104687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116604646750104687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/mulher-e-o-lobo.html' title='A mulher e o lobo'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116599893246080197</id><published>2006-12-13T06:29:00.000-02:00</published><updated>2006-12-13T06:44:55.920-02:00</updated><title type='text'>O ladrão de casaca</title><content type='html'>É antigo o fascínio da indústria do cinema por um personagem politicamente incorreto, que subverte a tradicional ascendência do bem sobre o mal na definição dos papéis de mocinho e bandido: Arsène Lupin, o ladrão de casaca, criado pelo escritor francês Maurice Leblanc. Uma das aventuras de Lupin, retirada da série de romances que fizeram sucesso na primeira metade do século passado, foi filmada já em 1909, praticamente no alvorecer do cinema, num curta-metragem francês. O primeiro longa surgiu em 1916, com o ator Gerald Ames como Lupin, numa produção inglesa. No ano seguinte foi a vez de outro filme, agora americano, com Earle Williams no papel-título. Nas décadas seguintes, com o advento do cinema falado, o personagem continuou a ser retratado nas telas, sem muita freqüência mas sempre tendo seu nome a encabeçar o título, como nos romances de Leblanc. A crítica considera &lt;em&gt;As Aventuras de Arsène Lupin&lt;/em&gt;, de 1957, dirigido pelo francês Jacques Becker e com o ator Robert Lamoureux, o melhor filme de todos. Mas a principal curiosidade é que o elegante ladrão protagonizou até um desenho animado japonês de longa metragem, realizado no mesmo ano do filme de Becker por Hayao Miyazaki. De olho nas bilheterias, os produtores do desenho misturaram alguns personagens da terra inventados aos originais, além de cometer a heresia de fundir numa só pessoa Clarisse e a condessa de Cagliostro, que nos romances são duas mulheres distintas. Lupin claramente inspirou ainda outros filmes não referidos a ele, como &lt;em&gt;Ladrão de Casaca &lt;/em&gt;(1955), do mestre do suspense Alfred Hitchcock, com Cary Grant, e &lt;em&gt;O Ladrão Aventureiro&lt;/em&gt; (1967), do grande diretor francês Louis Malle, com Jean-Paul Belmondo.&lt;br /&gt;O fascínio pelo personagem é explicável. Embora caminhe pela senda do crime, Lupin é acima de tudo um cavalheiro, incapaz de matar ou de cometer violências gratuitas contra suas vítimas e os policiais que o perseguem sem sucesso, como o inspetor Ganimard, embora sendo um perito em artes marciais. Despreza o dinheiro e mira só em objetos de arte e jóias finas para furtar, algumas destas do colo de mulheres que não esquece de galantear, e sempre preferindo situações desafiadoras ao talento e à inteligência às mais fáceis. Apreciador de charutos e vinhos de boa cepa, é ao seu modo um bon-vivant, um personagem típico da belle époque francesa da passagem do século 19 para o 20. Com tal perfil, nunca poderia ser, portanto, um reles bandido. Não é de admirar que mesmo atuando no lado oposto ele se tenha tornado um competidor, na literatura, de sagazes detetives como Sherlock Holmes, de Conan Doyle, Hercule Poirot, de Agatha Christie, e o inspetor Maigret, de Georges Simenon. &lt;br /&gt;A TV paga, na rede Telecine, exibiu ontem o mais recente Arsène Lupin do cinema, uma produção francesa com título homônimo de 2004, dirigida por um cineasta com sobrenome de mulher, Jean-Paul Salomé, e que contou também com dinheiro italiano, espanhol e inglês. Apesar de o dentuço ator Romain Duris parecer algo deslocado no papel do fino ladrão-cavalheiro e de o filme ser do tipo over, exagerado nos movimentos de câmera, nos cortes nervosos e na sucessão de situações de perigo, em prejuízo do aprofundamento psicológico dos personagens e da verossimilhança do roteiro, o produto final não deixa de ter algumas qualidades. O melhor dele são as atrizes. A inglesa Kristin Scott Thomas, de &lt;em&gt;O Paciente Inglês&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Assassinato em Gosford Park&lt;/em&gt;, está fascinante como a sedutora condessa de Cagliostro, um misto de dama da nobreza com feiticeira dona do tempo e assassina, e a parisiense Eva Green, de quem o cineasta Bernardo Bertolucci, seu diretor em &lt;em&gt;Os Sonhadores &lt;/em&gt;(The Dreamers, 2003) disse que "de tão bela chega a ser indecente", faz uma adorável Clarisse de Dreux-Soubise. Eva, hoje com 26 anos, que pôde ser vista ainda em &lt;em&gt;Cruzada&lt;/em&gt; (Kingdom of Heaven, 2005), de Ridley Scott, e atua no próximo filme da série do agente 007, James Bond, é filha da atriz francesa já aposentada Marlène Jobert e tem uma irmã gêmea chamada Joy.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116599893246080197?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116599893246080197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116599893246080197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116599893246080197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116599893246080197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/o-ladro-de-casaca.html' title='O ladrão de casaca'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116596631915900148</id><published>2006-12-12T21:28:00.000-02:00</published><updated>2006-12-12T21:31:59.173-02:00</updated><title type='text'>Engajada ou alienada?</title><content type='html'>Na sua esplêndida crônica publicada hoje nos jornais O Globo e o Estado de S. Paulo (clique &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.experimenteoglobo.com.br/flip/?idEdicao=ea2bd4338a2434ac1a203f5bc5424f49&amp;idCaderno=73f623ca7d54cc1ec852a0e4d0e929e3&amp;page2go=8&amp;origem=8"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; para ler a íntegra, no site de O Globo. Quem não é assinante precisa cadastrar-se para ter acesso), Arnaldo Jabor fala de sua decepção com a Bienal. "Os trabalhos repetem os mesmos códigos e repertórios: terra arrasada, materiais brutos e sujos, desarmonia, assimetria, uma busca deliberada da feiúra, uma clara vergonha de ser 'arte', vergonha de provocar sentimentos de prazer", escreve. "A fruição poética é impedida, como se o prazer fosse uma coisa reacionária, 'alienada', ignorando o 'mal do mundo', que tem de ser esfregado na cara do espectador para que não esqueça o horror social e político que nos assola. É como se a própria arte fosse uma babaquice a ser evitada." &lt;br /&gt;Depois do impacto negativo causado nele por essas obras, Jabor foi ver, segundo escreve, a exposição &lt;em&gt;Raízes da Forma&lt;/em&gt;, no mesmo Museu de Arte Moderna de São Paulo. E ao deparar com a manifestação do belo na mostra rememorativa do movimento concretista que ocorreu nos anos 50, manifestação ausente da Bienal, diz ele: "(...) diante das formas puras, reencontrei-me com a transcendência, sim, ali, no concreto. Sim, a arte que nos pacifica, eleva, nos silencia. E tive a certeza inapelável: a forma é tudo. Na forma está a verdade, muito mais que na gritaria de denúncias e conteúdos desesperados como panfletos. No silêncio da forma a beleza nos espera, a esperança de sentido nos aplaca. Na beleza das formas organizadas, no desenho da razão está um sentido misterioso, mas imperioso para a vida. Lembrei-me então de uma frase de Stravinski: "A obra de arte deve ser exultante". E entendi que desistir da beleza é uma confissão de derrota, é legitimar os inimigos." &lt;br /&gt;Em sua crônica Jabor retoma portanto uma discussão tão antiga quanto irresolvida, a da pretensa dicotomia existente entre arte 'engajada' e arte 'alienada'. Teóricos da linha de frente de defesa do primeiro tipo de arte, como o filósofo marxista húngaro George Lukács, tiveram largo consumo na Faculdade de Filosofia e Letras da USP, durante a década de 60 e mesmo depois. Com a cabeça feita por tais leituras, houve críticos que tentaram menosprezar até a obra de Machado de Assis, o maior escritor brasileiro, com o argumento de que sendo mulato e filho de lavadeira com pintor de paredes, sem instrução escolar formal e ainda por cima pobre durante boa parte da vida, ele não poderia ter construído uma literatura tão 'branca', cosmopolita e desligada da realidade vigente em seu tempo no país, quando a abolição da escravatura e a República foram decretadas com o escritor já perto dos 50 anos de idade.&lt;br /&gt;Falácia pura, porque, se como Jabor lembra não pode haver arte numa caixinha com excrementos colhidos do próprio artista, também não existe arte na manifestação desprovida de talento e transcendência do que quer que seja, apenas pelo fato de expressar a miséria e o horror circundantes. &lt;em&gt;Guernica&lt;/em&gt;, de Picasso, &lt;em&gt;Os Fuzilamentos de Terceiro de Maio de 1808&lt;/em&gt;, de Goya, os &lt;em&gt;Ciprestes&lt;/em&gt;, de Van Gogh, ou &lt;em&gt;O Grito&lt;/em&gt;, de Munck, ao contrário, embora trabalhassem com os mesmos registros da vida externa ou interior de cada artista, cunharam-se como obras-primas pela genialidade com que a forma de expressão foi utilizada, com o simbolismo mimetizando a visão da realidade e o sintético em lugar do analítico na sintaxe da linguagem. &lt;br /&gt;Mesmo nos tempos atuais, quando a banalização da vida raia o absurdo, seja pela ação de bombas na Palestina, no Iraque e no Líbano, seja pelo efeito da fome na África setentrional, seja ainda pela prática de assassinatos cruéis ligados à política ou ao crime, como o do casal e do filho queimados vivos dentro de um carro em Bragança Paulista, na noite de domingo passado, porque os autores do roubo a uma loja não queriam deixar testemunhas, os cânones da arte continuam valendo. &lt;br /&gt;A questão não está em edulcorar ou não a realidade, até porque esta sempre supera a arte na violência e no horror. A chave, como diz Jabor, se encontra na forma, e não no conteúdo. Mas saber trabalhar essa forma é que são elas. &lt;br /&gt;Os verdadeiros artistas sabem, e para comprovar isso basta visitar um grande museu ou a Capela Sistina do Vaticano, onde o conjunto de belezas reunido é tão impressionante que dá vontade de sentar no chão para chorar de êxtase. Nada a ver com caixinhas de excrementos. Nem com essa discussão boba sobre engajados e alienados, como se a arte, esse domínio no qual os homens chegam a alcançar alturas inacreditáveis, quase divinas, pudesse ser reduzida a simples rótulos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116596631915900148?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116596631915900148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116596631915900148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116596631915900148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116596631915900148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/engajada-ou-alienada.html' title='Engajada ou alienada?'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116579357128902970</id><published>2006-12-10T21:30:00.000-02:00</published><updated>2006-12-10T21:32:51.303-02:00</updated><title type='text'>John e Paul</title><content type='html'>"Os Beatles eram um mecanismo de criação. Sempre olhando para a frente, sem jamais se escorar no êxito formulaico. A força propulsora desse mecanismo era (eis a minha tese central) a interação dialética de Lennon &amp; McCartney. Uso a palavra sem pedantismo, em seu sentido mais amplo. Dialética é diálogo, embate, discussão. Mas também o jogo permanente e sem descanso. Adição e contradição; unidade e multiplicidade; identidade e diferença. Movimento e síntese. Dois compositores igualmente geniais, mas com inclinações distintas, por vezes opostas. Dois líderes cheios de idéias e talento. Um levando o outro a permanentemente se superar. Ambos avançando: ora juntos, ora separados. Nenhum permitindo ao outro se acomodar. Nenhum aceitando ser deixado para trás.&lt;br /&gt;Em geral, as grandes parcerias musicais são compostas por um melodista e um letrista, que unem forças, formando uma perfeita unidade: Rodgers e Hart, George e Ira Gershwin, Tom e Vinícius, Lieber e Stoller, Page e Plant, Keith Richards e Mick Jagger, Elton John e Bernie Taupin. No caso de Lennon &amp; McCartney tudo muda. Ambos eram compositores completos, autônomos. Mas entenderam, desde cedo, a importância de buscarem um ao outro. Muitas duplas de compositores somam. John e Paul multiplicam. (...)&lt;br /&gt;Quando os Beatles se separaram, essa magia se rompeu. John e Paul se tornaram compositores com altos e baixos; intérpretes com falhas às vezes evidentes. Fizeram coisas boas. Deram material para compilações de peso. Mas raramente se aproximaram da perfeição alcançada pelo quarteto." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(De &lt;/em&gt;Beatles, &lt;em&gt;artigo do diplomata e escritor Marcelo O. Dantas na revista Piauí, número 3, deste mês. Quem não comprou a revista pode ler – melhor dito, deve ler - a íntegra do texto no site da publicação. Clique &lt;a href="http://www.revistapiaui.com.br/"&gt;aqui&lt;/a&gt; para ir ao endereço)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116579357128902970?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116579357128902970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116579357128902970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116579357128902970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116579357128902970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/john-e-paul.html' title='John e Paul'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116570769747911243</id><published>2006-12-09T21:40:00.000-02:00</published><updated>2006-12-09T21:41:37.493-02:00</updated><title type='text'>A boa Constituição</title><content type='html'>Quando a atual Constituição estava sendo elaborada pelos parlamentares eleitos para atuarem também como Assembléia Constituinte, muitos questionaram as minudências do texto em preparação. Acabou prevalecendo, porém, a posição dos defensores da extensão dos dispositivos constitucionais, os quais argumentavam que era necessário devolver às pessoas, no menor prazo possível, a cidadania perdida durante os anos da ditadura. E surgiu assim uma Carta com centenas de artigos e outro tanto de disposições transitórias, legislando dos princípios e garantias fundamentais às competências dos três poderes da República, do monopólio do Estado em relação às riquezas do subsolo às vinculações obrigatórias do orçamento da União, das normas para a aposentadoria do funcionalismo à duração da licença-maternidade das trabalhadoras. No afã de tudo prever, os autores da chamada 'Constituição cidadã' trocaram a concisão pela prolixidade, ignorando o exemplo bem-sucedido da Carta americana, de apenas 7 artigos. Os Estados Unidos transformaram-se na maior potência econômica do planeta aplicando o conceito do 'small is beautiful' à sua Constituição. O Brasil resolveu fazer exatamente o contrário. &lt;br /&gt;Como o excesso chama mais excessos, desde a promulgação da Constituição em 1988, portanto, há recentes 18 anos, 52 emendas já foram nela introduzidas. E para aumentar ainda mais a colcha de retalhos existem no momento mais de 2 000 projetos de emendas em tramitação no Congresso, segundo o articulista Aloísio de Toledo César, de O Estado de S. Paulo, que além de jornalista é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. A Constituição americana, lembra César, sofreu até agora apenas 26 emendas, em 216 anos de vigência.&lt;br /&gt;Não se trata apenas de uma questão de latinidade no sangue. A Carta brasileira tornou o país ingovernável, entre outros motivos pelo engessamento do orçamento da União, um fator de estímulo ao contínuo aumento da carga tributária; pela avalanche de ações judiciais que provoca a cada emenda aprovada no Congresso, por conta do direito adquirido; e pela barreira que antepõe à modernização das relações entre o capital e o trabalho, contribuindo para elevar o nível de desemprego.&lt;br /&gt;O projeto de autoria do deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP) que prevê a instalação, no início da próxima legislatura, de uma Assembléia de Revisão Constitucional, poderia ser uma solução, se aprovado, para reverter essa situação de descalabro. O prazo para o Congresso decidir se aprova ou não o projeto encerra-se no fim do ano, portanto daqui a menos de 20 dias, se descontarmos o Natal e os fins de semana. &lt;br /&gt;Mas a revisão também pode ter um resultado contrário ao desejado. De início, cabe a ressalva de que pesa sobre vários parlamentares da próxima legislatura uma carga de suspeição, por terem seus nomes associados aos casos de corrupção levantados nos últimos anos. Além disso, há o fato de os senadores e deputados eleitos ou reeleitos não se terem apresentado para o eleitorado na condição de constituintes. Quanto à proposta em si, sua eficácia depois de transformada em lei vai depender do encaminhamento a ser adotado no Congresso. &lt;br /&gt;De nada adiantará revisar a Constituição se ela continuar do mesmo tamanho, com muitos detalhes que deveriam fazer parte da legislação ordinária, e se nenhuma das cláusulas pétreas puder ser modificada. Há também o risco de a Carta tornar-se ainda mais confusa, com a liberdade dada aos parlamentares de fazerem as mudanças que quiserem, ou com o sistema de votação em separado de destaques. &lt;br /&gt;Para que nossa Lei Maior não assuma definitivamente uma feição de samba de doido, seria necessário limitar o número de revisões por bancada, e fazer a conciliação das propostas com a ajuda de juristas de grande reputação nas diferentes comissões temáticas. Talvez fosse até mesmo o caso de nomear uma comissão de notáveis, constituída de especialistas nos assuntos tratados, para a elaboração de um texto básico que servisse de ponto de partida para os trabalhos no Congresso. &lt;br /&gt;Não se trata, portanto, de fazer uma revisão apenas para correções pontuais no texto da Constituição. É preciso enxugá-lo ao máximo, retirando dele tudo o que não lhe diz respeito propriamente, como o de legislar sobre matéria fiscal ou sindical, para dar ao país uma Carta mais adequada à busca do desejado desenvolvimento econômico e social com normalidade democrática. Em poucas e boas palavras, precisamos de outra Constituição, e não de remendos na que temos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116570769747911243?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116570769747911243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116570769747911243' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116570769747911243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116570769747911243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/boa-constituio.html' title='A boa Constituição'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116501872315138546</id><published>2006-12-01T22:18:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T22:18:43.170-02:00</updated><title type='text'>Justiça mais justa</title><content type='html'>Demorou, mas finalmente sobe para a derradeira instância, a sanção presidencial, a criação da súmula vinculante, um instrumento jurídico capaz de desafogar imensamente os tribunais brasileiros e com isso permitir que eles tenham melhor imagem perante a população. Prevista num dos projetos da série de reforma do Judiciário, aprovada ontem por voto simbólico na Câmara dos Deputados, a súmula vinculante fará com que algumas decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal adquiriam quase força de lei para todas as demais cortes da Justiça no país, evitando assim o prolongamento de pleitos judiciais por recursos apresentados às várias instâncias.&lt;br /&gt;Trata-se de medida profilática de grande interesse social, ainda mais porque a criação da súmula, baseada em decisões passadas do Supremo, poderá ser solicitada por órgãos governamentais dos três poderes, a começar da própria Presidência da República e da Advocacia-Geral da União, além do Congresso Nacional, e também por entidades de defesa civil como a Ordem dos Advogados do Brasil, e do patronato e dos trabalhadores do setor privado como as confederações da indústria, do comércio e da agricultura e as sindicais. Com tanta gente podendo requisitar a criação das súmulas, certamente haverá quem queira legislar apenas em causa própria, em prejuízo de terceiros. Mas contra isso existirá a salvaguarda de a criação de uma súmula poder ser questionada ao próprio Supremo, e este poder derrubá-la por decisão plenária. &lt;br /&gt;Enfim, podemos estar no limiar de um novo tempo, com uma Justiça mais atuante e também mais justa, por servir menos de instrumento do poderio econômico do que hoje. O lema de que a Justiça tarda mas não falha nunca se aplicou ao Brasil. Aqui, ela não só ela tarda como ainda falha, sobretudo em relação às demandas apresentadas pelos mais humildes, favorecendo assim os ricos e poderosos. Quem sabe se, com a súmula vinculante, isso possa começar a mudar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116501872315138546?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116501872315138546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116501872315138546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116501872315138546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116501872315138546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/justia-mais-justa.html' title='Justiça mais justa'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116501823125878938</id><published>2006-12-01T22:08:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T22:15:24.730-02:00</updated><title type='text'>Beleza dolorida</title><content type='html'>Certos termos da nossa língua têm uma expressividade incomum. É o caso do adjetivo 'lancinante', segundo o dicionário Aurélio apenas um sinônimo de 'muito doloroso, pungente ou aflitivo'. Pode ser, mas 'lancinante' diz mais. Lembra uma dor dilacerante, e não apenas aquela que se sente por fisgadas, outra interpretação dada ao termo pelo mesmo dicionário.&lt;br /&gt;A palavra ganha ainda um charme especial quando aplicada como qualificativo de substantivos como 'beleza'. Sim, porque até a dor pode ser bela, na linguagem dos poetas. E beleza lancinante tem a música &lt;em&gt;Mais Simples&lt;/em&gt;, de José Miguel Wisnick, já gravada por duas grandes cantoras, Zizi Possi e Ná Ozzetti.   &lt;br /&gt;Professor de teoria literária e literatura brasileira na USP, Wisnick é um erudito que tem como paixões, além dos livros, a música e o futebol. Estudou piano desde os 6 anos de idade, e aos 17 participou de um concerto no Teatro Municipal de São Paulo. Arrisca-se também a cantar, mas seu forte é mesmo como pianista e compositor. &lt;br /&gt;"É sobre-humano amar/cê sabe muito bem/é sobre-humano amar sentir doer/gozar/ser feliz/.../é sobre-humano viver/e como não seria?/.../a vida leva e traz/a vida faz e refaz/será que quer achar/sua expressão mais simples". Não é sempre que se depara com uma letra dessa qualidade na música brasileira. Nem com uma melodia tão refinada quanto a de &lt;em&gt;Mais Simples&lt;/em&gt;, que você pode ouvir clicando &lt;a href="http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&amp;nomeplaylist=006514-6_04&lt;@&gt;MPBFM&lt;@&gt;Mais_Simples&lt;@&gt;Vários&lt;@&gt;0335&lt;@&gt;Zizi_Possi&lt;@&gt;TRAMA&lt;@&gt;Trama"&gt;aqui&lt;/a&gt;, em arquivo da Rádio UOL. Zizi Possi canta, acompanhada ao piano por Wisnick.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116501823125878938?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116501823125878938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116501823125878938' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116501823125878938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116501823125878938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/12/beleza-dolorida.html' title='Beleza dolorida'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116421005961492798</id><published>2006-11-22T13:36:00.000-02:00</published><updated>2006-11-22T13:40:59.630-02:00</updated><title type='text'>Elifas e Adoniran</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/1600/m_Elifas1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/400/m_Elifas1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Adoniran Barbosa, por Elifas Andreato em capa de disco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abertura, hoje em São Paulo, de uma retrospectiva da carreira de Elifas Andreato, em homenagem aos seus 60 anos de vida, é uma oportunidade para o público revisitar a marcante obra gráfica desse artista diferenciado. Paranaense de Rolândia e operário na juventude, Elifas trabalhou na Editora Abril, onde subiu da gráfica para a redação para se tornar diretor de arte. Estava aberto o caminho para que ele, depois de envolver-se com o pessoal do meio artístico, produzisse uma grande quantidade de material como capas de discos e de livros, além das inúmeras feitas para revistas, e cartazes de teatro. Como militante da oposição ao regime militar, foi um dos fundadores e colaboradores de dois célebres veículos da imprensa alternativa da época, &lt;em&gt;Opinião&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Argumento&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;A ilustração acima, feita por Elifas para capa de disco, capta com perfeição a personalidade de Adoniran Barbosa, cujas composições musicais representam o maior testemunho de que São Paulo não é, como querem os cariocas, o túmulo do samba. Filho de imigrantes italianos nascido em Valinhos, interior paulista, em 6 de agosto de 1910, e morto em 23 de novembro de 1982, na capital do estado, Adoniran entregou marmitas e vendeu tecidos na juventude, enquanto dava vazão à sua veia de compositor e cantor em programas de calouros em rádios. Já conhecido – vencera um concurso carnavalesco da Prefeitura paulistana com a marchinha &lt;em&gt;Dona Boa&lt;/em&gt;, em 1934 -, e tendo adotado o pseudônimo Adoniran Barbosa (seu nome de batismo era João Rubinato), ele se lançou definitivamente para a fama quando a Rádio Record o contratou como ator cômico, locutor e discotecário, em 1941. Durante décadas seu personagem Charutinho, um favelado negro e dado à bebida, marcou época, e até hoje há programas esportivos de rádio com seus sucedâneos, todos com aquela voz grossa e pastosa a tecer considerações sobre o Corinthians, seu time do coração.&lt;br /&gt;Na música, com seu talento para compor personagens, Adoniran criou uma espécie de alter-ego de Charutinho, só que branco e ligado à colônia italiana da região paulistana do Brás e adjacências (estendidas até o Jaçanã, na zona norte, em seu imortal &lt;em&gt;Trem das Onze&lt;/em&gt;, de 1965), mas igualmente pobre e semi-analfabeto. Foi um gênio ao transpor para letras de música esse peculiar modo de falar dos ítalo-brasileiros de São Paulo, assim como o da gente pobre e iletrada que se amontoa nas favelas e em alguns bairros da periferia. De mais de uma maneira, portanto, personificou o clown desenhado por Elifas Andreato, com sua preocupação em fazer o público rir. &lt;br /&gt;Mas também sabia fazer chorar. O autor de um dos mais belos versos da música popular brasileira, 'Deus dá o frio conforme o cubertô (cobertor)', em &lt;em&gt;Saudosa Maloca&lt;/em&gt;, de 1955, compôs além de seus famosos sambas obras-primas da dor-de-cotovelo como &lt;em&gt;Vila Esperança&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Prova de Carinho&lt;/em&gt; e, sobretudo, &lt;em&gt;Bom Dia, Tristeza&lt;/em&gt;, esta, musicada por ele sobre letra de Vinicius de Moraes, criador, aliás, da frase depreciativa sobre o pendor paulista para o samba. 'Bom dia, tristeza./Que tarde, tristeza,/Você veio hoje me ver'. Os versos do grande Vinicius ganharam uma melodia maravilhosa de Adoniran.&lt;br /&gt;Perto do fim da vida, ele podia ser visto com freqüência, solitário e triste como o clown de Elifas, num bar da rua Major Quedinho, na região central de São Paulo. Com seu cachecol amarronzado no pescoço e um chapéu de feltro meio de banda na cabeça, pedia sempre uma sopa no balcão, tomava-a devagar e depois se ia. Soube-se depois de morto que era além de tudo um exímio artesão em madeira. Deixou esplêndidos trenzinhos coloridos, com locomotiva e vagões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116421005961492798?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116421005961492798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116421005961492798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116421005961492798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116421005961492798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/elifas-e-adoniran.html' title='Elifas e Adoniran'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116419823464083487</id><published>2006-11-22T10:22:00.000-02:00</published><updated>2006-11-22T10:25:46.743-02:00</updated><title type='text'>Esfinges humanas</title><content type='html'>&lt;em&gt;Alguns, prudentes, não falam com estranhos.&lt;br /&gt;Outros, muito práticos, dizem apenas o necessário&lt;br /&gt;para o bom andamento dos negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns, calmos e sérios, fecham portas e janelas.&lt;br /&gt;Outros, afoitos, ou filhos de um deus sem-terra,&lt;br /&gt;oferecem biscoitos, talvez flores, e longa prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos, quem sorri com mais dentes de ouro?&lt;br /&gt;quem finge? quem vê no espelho sua própria esfinge?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse poema, Esfinges, extraído do livro &lt;em&gt;Pássaro de Vidro&lt;/em&gt; (Editora Hedra, 2006), do poeta e jornalista Carlos Machado, retrata bem a incomunicabilidade da alma humana. Com o poder de síntese próprio da linguagem poética, revelado sob versos construídos quase como prosa, o autor penetra no abismo que existe entre o aparente e o real, o exibido e o oculto, o fingido e o sentido no jogo das relações humanas. Para além da falsidade do ouro nos dentes, o espelho mostra a esfinge que cada um de nós é. E ao proteger nosso interior com uma couraça, por medo de desnudar nossas fraquezas, também falhamos na tentativa de decifrar outras esfinges.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116419823464083487?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116419823464083487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116419823464083487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116419823464083487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116419823464083487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/esfinges-humanas.html' title='Esfinges humanas'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116362177936113446</id><published>2006-11-15T18:15:00.000-02:00</published><updated>2006-11-15T18:16:19.373-02:00</updated><title type='text'>Choque de moralidade</title><content type='html'>Paulo Autuori é um vencedor, tanto como técnico de futebol quanto como pessoa. Educado, de fala mansa embora com voz de barítono, mesmo depois de estrear com uma sonora goleada contra o Corinthians, aplicada por seu então time, o São Paulo, no Campeonato Brasileiro do ano passado, preferiu atribuir o resultado às artes do acaso. Em nenhum momento cantou de galo para os repórteres que o entrevistavam. No fim do ano, outro feito. O São Paulo foi campeão mundial interclubes em Tóquio, e de novo ninguém ouviu Autuori cacarejar sobre seus méritos.&lt;br /&gt;Agora, quando se lê uma entrevista dada por ele ao jornal O Estado de S. Paulo no Japão, país no qual dirige hoje o Kashima Antlers, surge um Paulo Autuori por inteiro. Entende-se que ele não apenas parece ser, mas é de fato um sujeito digno e um brasileiro com 'b' maiúsculo. O seguinte trecho, em resposta a uma tentativa de comparação do Brasil com o Japão na área de segurança, feita pelo repórter Eduardo Maluf, é exemplar:&lt;br /&gt;"O Brasil não é parâmetro para segurança, porque aí a coisa é absurda. A segurança deveria ser algo normal, como aqui. É incrível o que ocorre no Brasil, qualquer cidadão se sente inseguro. E o pior é que a gente perdeu o poder de indignação. Veja, há pessoas com problemas graves, denúncias, sendo eleitas. Precisamos tomar um choque. Não adianta a pessoa se indignar quando seu clube perde, quando a seleção perde. As pessoas têm de se indignar com as coisas realmente importantes. Vivemos crise de princípios. O problema é a questão de o brasileiro ser o povo da esperança. Não existe viver de esperança. A gente vive de realidade."&lt;br /&gt;O choque de moralidade pregado por ele é o mesmo que no passado políticos como Mário Covas defenderam. Pena que esse choque, até agora, não tenha ocorrido nem dê sinais de algum dia vir a ocorrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116362177936113446?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116362177936113446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116362177936113446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116362177936113446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116362177936113446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/choque-de-moralidade.html' title='Choque de moralidade'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116315685959287131</id><published>2006-11-10T09:05:00.000-02:00</published><updated>2006-11-10T09:07:39.603-02:00</updated><title type='text'>Os ventos da América</title><content type='html'>"O golpe do impeachment de Clinton fracassou, mas três anos depois, graças à clamorosa fraude eleitoral na Flórida, os ultra chegaram à Casa Branca com o renascido religioso George W. Bush. A partir de então, ou mais exatamente do 11 de Setembro, a pretexto da guerra ao terror, os Estados Unidos passaram a viver sob um regime aparentado ao autoritarismo.&lt;br /&gt; As evidências dificilmente poderiam ser mais abundantes: um Congresso invertebrado (além de corrupto e o mais ocioso em 60 anos), a mídia em geral acovardada, o dissenso perseguido, um presidente acima da lei e um vice defensor da tortura de suspeitos de terrorismo - praticada, aliás, no Iraque, em Guantánamo e onde quer a CIA terceirizasse os seus interrogatórios. Uma profusão de normas liberticidas de duvidosa legalidade e de procedimentos tipicamente ditatoriais tornaram a América irreconhecível. Mas, com tudo isso à mostra, nunca duvidamos de que a democracia americana sairia da era Bush incólume. &lt;br /&gt;O julgamento dos que se aproveitaram do trauma do 11 de Setembro para tentar desfigurá-la começou na terça-feira. As urnas não só revigoraram as instituições democráticas, mas atestaram a inigualável autenticidade da democracia que encantou Alexis de Tocqueville. Pela primeira vez, a Câmara será presidida por uma mulher, Nancy Pelosi. Pela primeira vez, a crucial Comissão de Orçamento da casa será dirigida por um negro, Charles Rangel. Pela primeira vez, um Estado &lt;em&gt;WASP&lt;/em&gt; como Massachusetts será governado por um negro, Deval Patrick. E, pela primeira vez, enfim, os principais presidenciáveis democratas são uma mulher, a senadora Hillary Clinton, e um negro, o senador Barack Obama. 'Às vezes', escreveu ontem no &lt;em&gt;New York Times &lt;/em&gt;o colunista (negro) Bob Herbert, 'você consegue sentir os ventos da história soprando.' São os ventos da América."&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Trecho final do admirável primeiro editorial da edição de hoje de &lt;strong&gt;O Estado de S. Paulo&lt;/strong&gt;, publicado com o mesmo título desta nota. O jornal se refere à estrepitosa vitória democrata nas eleições parlamentares e para governos estaduais, obtida sobre os fundamentalistas de direita republicanos representados pelo presidente George W. Bush e seus seguidores)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116315685959287131?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116315685959287131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116315685959287131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116315685959287131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116315685959287131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/os-ventos-da-amrica.html' title='Os ventos da América'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116305315534259110</id><published>2006-11-09T04:15:00.000-02:00</published><updated>2006-11-09T04:19:15.363-02:00</updated><title type='text'>O Pequeno Príncipe</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/1600/m_Principe.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/m_Principe.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O pequeno viajante, no traço de Saint-Exupéry&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O falso intelectualismo menospreza &lt;em&gt;O Pequeno Príncipe&lt;/em&gt;, de Antoine de Saint-Exupéry. Alguém dessa corrente definiu-o como 'o livro das misses', e a turba ignara foi atrás. Provavelmente, nem o autor da definição nem suas vaquinhas de presépio leram algum dia o livro. &lt;br /&gt;Que livro de miss coisa nenhuma, embora algumas moçoilas carnudas dadas a exibir-se na passarela possam até tê-lo lido. E, se o fizeram, agiram melhor que os detratores de sua inteligência. Aprenderam pelo menos algumas lições básicas de como ser gente, por meio dessa enternecedora fábula sobre um pequeno viajante sideral que, tentando entender os homens, recolhe seus mais preciosos ensinamentos de uma flor e de uma raposa. &lt;br /&gt;Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, em 29 de junho de 1900, e desapareceu em local ignorado, talvez no Mar Mediterrâneo, quando o avião que pilotava foi abatido pelas tropas nazistas, em 31 de julho de 1944. Formado em arquitetura na Escola de Belas-Artes de Paris, tornou-se voluntário do Correio Aéreo como membro ativo da Resistência Francesa contra a ocupação do país pelas forças de Hitler na Segunda Guerra, e participou de diversas ações arriscadas ao voar sobre as linhas inimigas, até seu desaparecimento. &lt;br /&gt;Seus poucos livros, entre eles &lt;em&gt;O Pequeno Príncipe&lt;/em&gt;, estiveram proibidos oficialmente de circular na própria França ocupada, governada por colaboracionistas. Há quem diga que o soldado nazista que acertou seu avião levava consigo um exemplar do &lt;em&gt;Príncipe&lt;/em&gt;, mas isso não deve passar de lenda. O livro foi publicado pela primeira vez em 1943, já com as ilustrações pintadas a aquarela por Saint-Exupéry, e traduzido para o alemão no ano seguinte, pouco antes da última missão militar cumprida pelo autor. "Só se vê bem com o coração", disse ele, numa das máximas colocadas em sua fábula. "O essencial é invisível aos olhos." Quem hoje tenta, por ignorância ou por fazer pouco da ética das relações sentimentais, diminuir a importância dessa obra maiúscula da literatura mundial, provavelmente nunca aprendeu essa lição.&lt;br /&gt;A seguir, alguns trechos de um capítulo essencial do livro, o de número 21, no qual o pequeno viajante interplanetário encontra a raposa.&lt;br /&gt;oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?&lt;br /&gt;- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?&lt;br /&gt;- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."&lt;br /&gt;- Criar laços?&lt;br /&gt;- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...&lt;br /&gt;- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...&lt;br /&gt;oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;Mas a raposa voltou à sua idéia.&lt;br /&gt;- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.&lt;br /&gt;O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...&lt;br /&gt;A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:&lt;br /&gt;- Por favor... cativa-me! disse ela.&lt;br /&gt;oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;No dia seguinte o principezinho voltou.&lt;br /&gt;- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.&lt;br /&gt;- Que é um rito? perguntou o principezinho.&lt;br /&gt;- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!&lt;br /&gt;Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:&lt;br /&gt;- Ah! Eu vou chorar.&lt;br /&gt;oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo&lt;br /&gt;Foi o principezinho rever as rosas:&lt;br /&gt;- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.&lt;br /&gt;E as rosas estavam desapontadas.&lt;br /&gt;- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.&lt;br /&gt;E voltou, então, à raposa:&lt;br /&gt;- Adeus, disse ele...&lt;br /&gt;- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.&lt;br /&gt;- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;br /&gt;- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.&lt;br /&gt;- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;br /&gt;- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...&lt;br /&gt;- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116305315534259110?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116305315534259110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116305315534259110' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116305315534259110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116305315534259110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/o-pequeno-prncipe.html' title='O Pequeno Príncipe'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116293858781738900</id><published>2006-11-07T20:28:00.000-02:00</published><updated>2006-11-07T20:29:47.833-02:00</updated><title type='text'>Chutômetro</title><content type='html'>Esta excelente piada circula por e-mail. Ela mostra o quanto tendemos a agir baseados apenas em meras suposições:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Com a aproximação do inverno, os índios foram ao cacique perguntar: &lt;br /&gt;- Chefe, o inverno este ano será rigoroso ou ameno? &lt;br /&gt;O chefe, vivendo tempos modernos, não tinha aprendido como seus ancestrais os segredos da meteorologia. Mas, claro, não podia demonstrar insegurança ou dúvida. Por algum tempo olhou para o céu, estendeu as mãos para sentir os ventos e, em tom sereno e firme, disse: &lt;br /&gt;- Teremos um inverno muito forte... é bom ir colhendo muita lenha! &lt;br /&gt;Na semana seguinte, preocupado com o chute, foi ao telefone e ligou para o Serviço Nacional de Meteorologia e ouviu a resposta: &lt;br /&gt;- Sim, o inverno deste ano será muito frio! &lt;br /&gt;Sentindo-se mais seguro, dirigiu-se a seu povo novamente: &lt;br /&gt;- É melhor recolhermos muita lenha... teremos um inverno rigoroso! &lt;br /&gt;Dois dias depois, ligou novamente para o Serviço Meteorológico e ouviu a confirmação: &lt;br /&gt;- Sim... este ano o inverno será rigoroso! &lt;br /&gt;Voltou ao povo e disse: &lt;br /&gt;- Teremos um inverno muito rigoroso. Recolham todo pedaço de lenha que encontrarem, teremos que aproveitar até os gravetos. &lt;br /&gt;Uma semana depois, ainda não satisfeito, ligou para o Serviço Meteorológico outra vez: &lt;br /&gt;- Vocês têm certeza de que teremos um inverno tão rigoroso assim? &lt;br /&gt;– Sim, responde o meteorologista de plantão. Este ano teremos um frio muito intenso. &lt;br /&gt;– Como vocês têm tanta certeza assim? &lt;br /&gt;- É que este ano os índios estão recolhendo lenha pra cacete..."  &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116293858781738900?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116293858781738900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116293858781738900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116293858781738900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116293858781738900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/chutmetro.html' title='Chutômetro'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116250934942903200</id><published>2006-11-02T20:14:00.000-03:00</published><updated>2006-11-02T20:15:49.443-03:00</updated><title type='text'>Violadores da democracia</title><content type='html'>Um delegado federal que se arvora de censor da liberdade de imprensa no país ao coagir repórteres da revista Veja, chegando a exigir deles a renúncia ao direito constitucional da preservação de fontes de informação. Um governador reeleito que se julga imune a ponto de nomear a seu bel-prazer a imprensa boa (a que lhe convém) e a má. Um presidente de partido e coordenador da campanha de Lula à reeleição que faz aflorar sua arrogância ao instar a imprensa a uma auto-reflexão, inclusive com a publicação de um desmentido formal a respeito da existência do Mensalão. Militantes leões-de-chácara que agridem jornalistas por eles considerados de oposição na preparação de uma entrevista coletiva do presidente recém-reeleito. O recurso constante, hoje como ontem, à Lei de Imprensa para cercear a liberdade de informação e expressão por parte de profissionais e órgãos de comunicação. O ressurgimento da malograda tentativa de instalar o Conselho Federal de Jornalismo, agora na forma de uma pretensa democratização dos meios de comunicação com a edição de uma lei geral para a mídia eletrônica (rádio e TV) que favoreça a participação comunitária e aumente o 'controle social' do conteúdo, como está previsto no programa de governo do presidente reeleito. &lt;br /&gt;A escalada de atentados contra a liberdade de informação e opinião assume uma dimensão alarmante, nestes poucos dias que nos separam da votação do último domingo. No clima de exacerbação do furor censório de apaniguados do poder reconduzido pelas urnas, alguns jornalistas conhecidos deixam a máscara cair, não só assumindo sua condição de simpatizantes como ainda cobrando do governo providências contra o que, a seu ver, constitui um modo panfletário de distorcer os fatos noticiados. E as entidades classistas, com a Federação Nacional dos Jornalistas, Fenaj, à frente e os sindicatos atrás, ocupadas pela CUT e infestadas de petistas, calam-se, coniventes com o descalabro. Não fossem a OAB, a entidade dos advogados, e a ANJ, dos donos de jornal, não se ouviria hoje uma voz em defesa dos profissionais do ramo visados pelos agentes e surfistas desse tsunami nefasto, que querem arrasar não um reduto corporativista, mas sim um dos pilares principais da democracia no Brasil.&lt;br /&gt;O direito à pluralidade de informações é, com certeza, a maior das conquistas obtidas pela cidadania com a redemocratização do país. Quando defendem a liberdade de imprensa, os verdadeiros democratas o fazem em nome do interesse maior da sociedade, jamais como paus-mandados das oligarquias que ainda detêm a posse de parte dos órgãos de comunicação no Brasil. Além do mais, a ingerência estatal arquitetada nesse caso está claramente a serviço de um projeto de poder, e não de alguma real necessidade de aumentar a massa de informações do povo mais humilde e iletrado. &lt;br /&gt;Os quase 60 milhões de votos dados a Lula no último domingo expressaram uma legítima prática democrática. Por isso mesmo, não lhe conferiram, nem a ele e nem muito menos aos quadrilheiros de plantão que atuam à sua sombra e foram identificados, senão pela opinião pública, pelo próprio procurador-geral da República, poderes para tramar o estupro de uma conquista tão cara à cidadania. É preciso enxergar o que está de fato por trás dos atentados à liberdade de imprensa para não servir de massa de manobra e inocente útil aos violadores da democracia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116250934942903200?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116250934942903200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116250934942903200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116250934942903200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116250934942903200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/violadores-da-democracia.html' title='Violadores da democracia'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116235038625302805</id><published>2006-11-01T00:05:00.000-03:00</published><updated>2006-11-01T00:09:32.106-03:00</updated><title type='text'>Onde estamos?</title><content type='html'>Se há algo insuportavelmente provinciano e atrasado em política, esse algo é com certeza o comportamento vil de políticos, militantes e simpatizantes que agem como se a vitória nas urnas lhes desse um salvo-conduto para pisar em adversários, declarados ou supostos. Não se trata apenas de fazer declarações sem um mínimo de comedimento. Estas, até se perdoam como produtos do calor da hora. Mas trata-se também, o que é grave, de tentar intimidar as pessoas, com o uso do aparelho ou dos aparatos governamentais. Dois exemplos desse tipo de comportamento foram dados, um pelo governador reeleito do Paraná, Roberto Requião, na segunda-feira, e outro por um delegado da Polícia Federal, ontem à tarde. E as vítimas, em ambos os casos, foram jornalistas.&lt;br /&gt;Requião transformou uma entrevista coletiva em exibição mesquinha de revanchismo. Apoiado por uma claque de políticos e militantes, que vaiavam os jornalistas por perguntas por eles consideradas impertinentes, o governador peemedebista atacou parte da imprensa de seu estado, incluindo alguns jornalistas citados nominalmente por ele, pelo fato de ter quase perdido a eleição para o adversário, Osmar Dias, do PDT. Depois de algumas respostas irônicas ou de ignorar as perguntas formuladas, encerrou de modo abrupto e grosseiro a coletiva, quando a repórter Mari Tortato, da Folha de S. Paulo, lhe dirigia uma segunda indagação. De acordo com o site Comunique-se, interrompeu-a dizendo que ela já falara. E, ao ouvir da repórter que estava autorizada pela assessoria do governador, respondeu que então 'desautorizava' a permissão dada, acabando em seguida com a coletiva. &lt;br /&gt;O delegado da Polícia Federal, de nome Moysés Eduardo Ferreira, agiu ainda pior em relação a jornalistas da revista Veja. Cinco deles foram intimados pela PF a depor, a pretexto de prestar esclarecimentos sobre uma reportagem publicada na semana retrasada, sob o título &lt;em&gt;Operação Abafa&lt;/em&gt;, e três – Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro - compareceram às dependências da força em São Paulo, na tarde de ontem. Para surpresa deles, o delegado os inquiriu como se fossem acusados, e não testemunhas. No melhor estilo DOI-Codi, praticado nas masmorras da ditadura, o delegado pressionou os jornalistas a revelar suas fontes, quis saber da orientação política do editor responsável pela reportagem, lançou mão de ameaças e ainda tentou distorcer declarações dadas ao ditar o texto para o escrivão, no que foi impedido pela representante do Ministério Público presente, Elizabeth Kobayashi. Por exemplo, segundo o site da revista, depois de indagar a Júlia Duailibi os motivos de ela ter escrito 'essa falácia' e de ouvir como resposta um questionamento sobre o sentido do depoimento, uma vez que ele já chegara a tal conclusão antecipada, Ferreira quis atribuir à repórter o termo que ele empregara, no depoimento ditado.&lt;br /&gt;Como se não bastasse, ainda manteve retido durante horas o repórter Marcelo Carneiro, a ponto de a direção da revista ter de pedir a ajuda do senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB, para interceder junto ao ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, a quem se subordina a PF, pela liberação do profissional.&lt;br /&gt;Cabe a pergunta: onde estamos? Quando o representante de uma força policial federal exorbita de tal maneira de suas funções, agindo como um gorila censor e árbitro autonomeado da liberdade de imprensa, e o governo nada faz para coibir o abuso, somos obrigados a concluir que vivemos não numa democracia, mas numa republiqueta de bananas indigna de qualquer respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116235038625302805?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116235038625302805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116235038625302805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116235038625302805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116235038625302805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/11/onde-estamos.html' title='Onde estamos?'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116217612986418102</id><published>2006-10-29T23:41:00.000-03:00</published><updated>2006-10-29T23:46:08.750-03:00</updated><title type='text'>A vitória do símbolo</title><content type='html'>Não há como explicar a folgada reeleição de Lula pela ótica da moralidade, do programa de governo ou da ideologia. Erraram, pois, todos os que aconselharam Geraldo Alckmin a fazer uma coisa ou outra. Sugeriram-lhe bater duro nos escândalos, e ele bateu. Recomendaram-lhe acentuar as diferenças na visão de governo, e ele acentuou. Alertaram que era perigoso deixar o adversário posar de pai dos pobres e ele, além de prometer manter e ampliar o Bolsa Família, deixou-se filmar comendo a 1 real o almoço nos restaurantes do programa Bom Prato, criados pelo governo tucano em São Paulo, e abraçando gente humilde por onde passava.&lt;br /&gt;Os conselheiros de Alckmin falharam porque ele enfrentava não um adversário comum, mas sim um símbolo, uma espécie de super-herói da mobilidade social brasileira, o operário gente como a gente que chegou lá em cima. Qualquer outro como Alckmin, cara de classe média, diploma universitário, mulher bonita, filha com emprego em loja chique e ainda com o defeito de ser conhecido praticamente só dentro do estado de São Paulo como político, perderia hoje para o ex-retirante nordestino, vendedor de amendoins quando moleque, ex-torneiro mecânico que deixou um dedo da mão esquerda na fábrica, corintiano, cachaceiro, iletrado, marido dedicado de uma ex-viúva cujos filhos abrigou, além de ter com ela outros, fiel aos ex-companheiros operários e ainda por cima um presidente que estendeu o Bolsa Família a cerca de 12 milhões de famílias. Sem essa identificação da persona de seu adversário com a multidão de humilhados e ofendidos que habita o país, Alckmin jamais poderia ser tão convincente quanto ele no recém-assumido papel de outro pai dos pobres. Mais: nascido no interior de São Paulo, tornou-se refém da onda antipaulista deflagrada no segundo turno para favorecer o nordestino Lula – uma falácia, porque o presidente mantém residência fixa em São Paulo há quase tanto tempo quanto Alckmin tem de vida.&lt;br /&gt;Os números da eleição em segundo turno mostram também o peso dos votos ressentidos ou envergonhados, os primeiros, vindos das camadas humildes, e os segundos, da classe média politicamente correta. Eleger o candidato gente como a gente, e não o outro, é uma forma de os oprimidos pela miséria se vingarem das madames e seus maridos de nariz empinado que gastam num mês o que seus empregados às vezes levam uma vida para ganhar. Já para aquela parcela da classe média que no estádio de futebol vai para a arquibancada podendo pagar por uma cadeira numerada só para ser solidária com as massas, eleger esse mesmo candidato é uma maneira de aliviar a vergonha que sentem como participantes ativos de um sistema de acumulação de riquezas que a cada dia aprofunda o fosso entre um pequeno número de privilegiados e uma grande horda de deserdados. Ao jogar os pobres contra os ricos e o Norte-Nordeste contra São Paulo, portanto, o comando de campanha do presidente acertou em cheio, no sentido de exacerbar os ânimos sociais e regionalistas e assim capturar votos antes dados a Alckmin.&lt;br /&gt;Por isso, Lula teve mais votos do que no primeiro turno e seu adversário, menos. O presidente reeleito ampliou sua vantagem nos estados em que vencera no dia 1.o e recuperou grande parte de terreno nos quais perdera. Por exemplo, em Minas Gerais, onde vencera por 1 milhão de votos no primeiro turno, agora ganhou por 3,2 milhões. E em São Paulo, onde perdera por 3,8 milhões de votos, agora reduziu essa diferença para 1 milhão.&lt;br /&gt;A falta de escrúpulos costuma encontrar terreno fértil na política. Lula e seus aloprados, que na verdade são é muito espertos, se deram bem com o expediente condenável de jogar uma parte do país contra outra para alcançar seu objetivo. Mais pudica, a campanha de Alckmin foi penalizada, e até por acreditar demais no discurso a favor da ética. Para quem vota com ressentimento ou vergonha pela má consciência, denúncias de corrupção não passam de café pequeno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116217612986418102?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116217612986418102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116217612986418102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116217612986418102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116217612986418102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/10/vitria-do-smbolo.html' title='A vitória do símbolo'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116200461068657783</id><published>2006-10-28T00:02:00.000-03:00</published><updated>2006-10-28T00:18:13.286-03:00</updated><title type='text'>Febeapá na Globo</title><content type='html'>Este blogueiro desligou a TV antes de acabar o primeiro bloco do último e mais aguardado dos debates televisivos entre os dois candidatos presidenciais, realizado na noite desta sexta-feira pela Rede Globo. Ele não suportou o conjunto de elementos que, a seu ver, transformou esse evento tão valorizado previamente num legítimo exemplar do festival de besteiras que assola o país, o febeapá tão bem definido por Stanislaw Ponte Preta. A repetitividade das perguntas e respostas, assim como da postura adotada pelos candidatos, foi o elemento principal quanto ao conteúdo, a julgar pelo primeiro bloco. Mas o que tornou o espetáculo insuportável foi o fiasco de uma idéia, aprovada por não se sabe quem dentro da Globo, de fazer do debate um programa de auditório, como se Lula e Geraldo Alckmin fossem aprendizes do Faustão, e não aspirantes ao cargo mais alto da República. Para completar a impressão de bagunça, novamente ninguém se preocupou em tornar visível para os debatedores um cronômetro. Além de o tempo dado para as perguntas e as réplicas e tréplicas ser insuficiente – 40 segundos e 1 minuto, respectivamente -, a falta desse cronômetro visível levava o mediador William Bonner a todo momento interromper ao meio o raciocínio dos candidatos, que como qualquer pessoa normal não têm um relógio dentro de suas cabeças.&lt;br /&gt;A seleção da platéia, então, foi nada menos que ridícula. Foram levadas ao estúdio 40 pessoas entre o eleitorado indeciso, em trabalho feito em conjunto entre a rede de TV e o Ibope, e algumas delas sorteadas para dirigir perguntas aos candidatos. Estes, para cumprir o combinado com a produção do programa, passaram então a falar só para a pessoa perguntadora, em pé na bancada reservada à pequena platéia, e não para o conjunto dos telespectadores. Tentavam, como é natural, ligar o assunto com outros que gostariam de comentar, e com isso o inquiridor sorteado ficava sem a sua resposta. Para piorar, lá vinha o mediador interromper o raciocínio dos candidatos por estouro de tempo. Difícil imaginar algo mais atroz para se assistir na telinha.&lt;br /&gt;De mais a mais, se a Globo julga brilhante a idéia de falar só para os indecisos, que não passam de 5% do eleitorado a esta altura da campanha, ela que é a líder disparada em audiência no país, isso é um caso para exame de sanidade mental. E, convenhamos, eleitor que até agora, restando pouco mais de 24 horas para o acionamento das urnas eletrônicas, ainda não decidiu em quem vai votar, não merece o menor respeito. No seu caso, recomenda-se substituir o divã do analista pelo banco de madeira da escola básica.&lt;br /&gt;É lamentável que se transforme um evento de inegável importância institucional num mero programa de auditório de TV, pela sanha da Globo por audiência. Além disso, fazer tantos debates em tão pouco tempo é contraproducente. A repetição se torna inevitável, e o que era para ser respeitado vira motivo de chacota.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116200461068657783?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116200461068657783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116200461068657783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116200461068657783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116200461068657783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/10/febeap-na-globo.html' title='Febeapá na Globo'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32597116.post-116173049695723074</id><published>2006-10-24T19:54:00.000-03:00</published><updated>2006-10-24T19:54:56.973-03:00</updated><title type='text'>Preparem o bolso</title><content type='html'>Como diria Drummond, e agora, José? No dia 28 próximo, véspera da eleição presidencial em segundo turno por aqui, vence o prazo dado por Evo Morales para que a Petrobrás ou assine um novo contrato, com cláusulas leoninas como o cancelamento do acordo mediante simples aviso prévio de 30 dias dado pelo governo, ou se retire da Bolívia. Assim mesmo, com uma mão na frente e outra atrás, sem direito a nada depois de ter investido 1,5 bilhão de dólares no país. Escusado dizer que a negociação simultânea sobre as condições de fornecimento do gás natural ao Brasil, por meio do extenso gasoduto também construído com dinheiro brasileiro, obviamente será endurecida, com os bolivianos não recuando um milímetro do aumento de preços pretendido e que está sendo imposto em desrespeito a um contrato em plena vigência.&lt;br /&gt;Para reforçar tal convicção, a Bolívia assinou na semana passada com a Argentina um acordo de 20 anos, pelo qual se compromete a quadruplicar o fornecimento de gás ao país vizinho, dos atuais 7,7 milhões de m3/dia para 27,7 milhões de m3, elevando-o já em 2008 para 16 milhões de m3 com o gasoduto a ser construído pela Enarsa, estatal argentina. Só com esse aumento já estará praticamente esgotada a atual capacidade produtiva boliviana, como nota o jornal O Estado de S. Paulo em editorial publicado hoje, o que põe sob sério risco o suprimento do gás ao Brasil. &lt;br /&gt;É nisso que dá uma política externa terceiro-mundista, desavergonhadamente populista, por meio da qual o governo Lula acha por bem defender mais os interesses de países estrangeiros do que os nossos, chegando ao desplante de elogiar a demonstração de soberania do governo Morales. Preparemos, portanto, o bolso. Além dos alimentos, já em alta por conta da frustração da safra, também o gás natural vai subir, logo após a reeleição anunciada de Luiz Inácio Lula da Silva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32597116-116173049695723074?l=d1quixote.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://d1quixote.blogspot.com/feeds/116173049695723074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32597116&amp;postID=116173049695723074' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116173049695723074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32597116/posts/default/116173049695723074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://d1quixote.blogspot.com/2006/10/preparem-o-bolso.html' title='Preparem o bolso'/><author><name>Dom Quixote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05679759751735908489</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/4395/3565/320/domquixote.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
